Sophia, a robot que já tem mais direitos que as mulheres na Arábia Saudita

A Sophia é a primeira robot com cidadania do mundo. E é cidadã saudita.

Foto de: Denis Balibouse/Reuters

Em 2016, disse ao seu criador, David Hanson da Hanson Robotics, que ia “Destruir os humanos, ontem adquiriu um direito que muitos deles não têm. Sophia é o primeiro robot a receber cidadania na história e a Arábia Saudita é o primeiro país com um cidadão robótico.

Foi durante um mega evento tecnológico na capital Riad que Sophia, que faz (poucas) expressões faciais e mantém conversas, cortejou a multidão ao aparecer publicamente. Agradeceu e disse sentir-se muito “orgulhosa e honrada desta tão única distinção”.

Apesar dos olhos vazios de muitos, a beleza plástica de uns e a “lavagem cerebral” de outros, as semelhanças entre Sophia e pessoas que tu conheces não é suficiente para que a elevação do seu status tenha sido aceite com normalidade. É que esta mulher humanóide parece ter mais direitos que os milhões de mulheres humanas e trabalhadores estrangeiros que vivem no país.

Os avanços dos últimos tempos não fazem esquecer a situação atrasada que se foi enraizando na génese do reino saudita. Numa sociedade ultra-conservadora, iniciativas destas induzem uma falsa ideia de progresso – neste caso ligado à tecnologia -, que não existe nos assuntos que verdadeiramente interessam para a estabilidade e evolução social de um povo.

 

Por um lado, Sophia apareceu no palco sem as vestes modestas exigidas às mulheres sauditas; sem hijab, lenço na cabeça, abaya ou manto. Por outro apareceu sem um tutor masculino, conforme é exigido pela lei saudita para as mulheres do país. Os guardiões masculinos, muitas vezes um parente do sexo masculino, devem dar permissão às mulheres para que possam viajar para o exterior, abrir contas bancárias ou realizar uma série de outras tarefas – e acompanham SEMPRE as mulheres em público.

No Twitter, a hashtag #Sophia_demands_the_repeal_of_guardianship ganhou seguidores de tal forma, que há até quem já ache que os recentes direitos históricos ganhos pela robot, serão perdidos em breve.

As críticas chegam depois de as autoridades terem permitido que as mulheres conduzissem a partir de 2018, numa acção que o reino exaltou como um grande passo em frente, que prevê a onda de reformas a longo prazo que tem sido atribuída ao reinado do próximo príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman. Vários grupos de direitos humanos advertiram que o país, que é gerido por uma monarquia que se rege segundo uma lei islâmica rigorosa, tem um longo caminho a percorrer em relação aos direitos humanos e, em específico, das mulheres.