Retratos da azáfama de um taxista em Nova Iorque

Ryan Weideman usou o seu táxi como estúdio ao longo de quase 40 anos.

Em 1980, o aspirante a fotógrafo Ryan Weideman desembarcou na cidade de Nova Iorque vindo de uma pequena cidade na Califórnia, como muitos à procura do American Dream. Como fazer vida da fotografia é, ainda hoje, complicado, Weideman viu-se confrontado com questões mais práticas como ter de pagar a renda da casa e acabou por trocar as lentes pelo volante, e everdear por aquela que dizem ser uma das profissões mais complicadas de manter na Big Apple: conduzir um táxi. 

Mas como todas aquelas grandes histórias que acabamos por ver retratadas no cinema (ou no Shifter!) implicam que “nunca desistas dos teus sonhos”, Weideman conseguiu arranjar forma de conciliar as contas com a criatividade e viu no seu táxi o cenário perfeito para por a sua arte em prática. Ao longo de mais de trinta anos, trabalhou como taxista mas sempre com um olho e o flash apontados para o banco de trás. Fotografou os clientes e uma metrópole em mudança. “Depois da primeira semana como condutor de táxi, encontrei ali potencial fotográfico”, partilhou com o jornal catalão La Vanguardia. “Com tantas combinações interessantes e incomuns de pessoas entravam no meu carro, fotografá-las parecia ser a única coisa a fazer. A imagem do banco de trás estava constantemente num estado de fluxo, repleta de pessoas interessantes que eram emocionantes e inspiradoras, criando sua própria atmosfera”.

Actuando como um narrador visual nas cenas, deve ter sido uma das primeiras pessoas do mundo a tirar as tão modernas selfiesusando a sua aparência para falar para o espectador, mirone, que observa a vida de estranhos. Das cinco da tarde às cinco da manhã, o interior do seu táxi tornou-se o seu estúdio durante cerca de quatro décadas. A experiência deu-lhe o treino para saber precisamente o momento certo para abrir o flash. O resultado são uma série de fotografias intrigantes que mostram a boémia que sempre nos habituámos a associar à vida em Nova Iorque.