Quem vai ser o novo presidente do Eurogrupo?

O ministro das Finanças, Mário Centeno é uma das hipóteses.

Dutch Finance Minister and Eurogroup President Jeroen Dijsselbloem reacts during a European Union finance ministers meeting in Brussels, Belgium, July 12, 2016. REUTERS/Francois Lenoir

A semana começou com uma reunião do Eurogrupo em que ficou decidido que Dijsselbloem (na fotografia) ficará no cargo até Janeiro próximo, altura em que termina o mandato, apesar de muito provavelmente já não ser ministro das finanças holandês. Um mês antes serão realizadas eleições no Eurogrupo e a União Europeia ficará a conhecer o novo presidente da instituição.

O Eurogrupo consiste numa organização informal onde se reúnem os ministros das finanças dos estados-membros que possuem o Euro, o presidente da instituição, o vice-presidente da Comissão Europeia da Área económica e o Presidente do BCE. A coordenação de políticas económicas é um dos objectivos principais, que se complementa com o aconselhamento e vigilância aos problemas mais prementes da zona euro. Se as reuniões formais são o ponto de chegada, as conversas entre os pares são as imagens que ficam na retina das televisões e que mais caracterizam a actividade deste órgão, aos olhos do público.

Com eleições marcadas para dia 4 de Dezembro e havendo a possibilidade dos candidatos se apresentarem a partir de 20 de Novembro, as sondagens e recolha de apoios aos mais variados ministros das finanças não devem tardar. De salientar que o processo de escolha do novo presidente do Eurogrupo já move conversas entre os responsáveis políticos há pelo menos 7 meses, despoletadas a quando das declarações infelizes de Dijsselbloem em Março deste ano.

Não faltam opções de escolha para novo presidente do Eurogrupo. Como favorito ao lugar aparece o ministro das finanças espanhol Luis de Guindos, que após a saída de Wolfgang Schäuble, irá tornar-se o membro mais antigo na instituição, com lugar cativo há 5 anos. Apesar de existir uma base de apoio considerável a esta candidatura, sustentada sobretudo pelos países do Sul, as intenções de de Guindos podem passar por voos mais altos e afastá-lo da corrida. O espanhol pode almejar o lugar de vice-presidente do Banco Central Europeu, substituindo o português Vitor Constâncio e ao mesmo tempo preparar terreno para a sucessão a Mario Draghi, que termina mandato em 2019.

Num plano imediatamente a seguir surgem 4 candidatos que representariam ideias diferentes para o cargo. Mário Centeno é um destes nomes, naturalmente impulsionado pelo sucesso da retoma da economia portuguesa e pelo reconhecimento da União Europeia. Na linha de Luis de Guindos, o ministro das finanças português recolheria apoio imediato dos países do Sul e marcava uma linha geográfica e ideológica diferente do seu antecessor. Tal como Centeno, o ministro das finanças eslovaco Peter Kazimir é outra hipótese de centro-esquerda para liderar o Eurogrupo. Num plano geograficamente oposto, Kazimir é bem visto no seio financeiro da UE, todavia restam dúvidas se aoo político de 49 anos será reconhecida a capacidade diplomática exigida no cargo.

Num campo ideológico oposto, Pierre Gramegna, ministro das finanças luxemburguês, surge como uma hipótese possível. Contudo o facto do também luxemburguês, Jean Claude Juncker presidir à Comissão Europeia e ter sido o primeiro a presidir o Eurogrupo pode inviabilizar ou enfraquecer esta candidatura. Numa linha semelhante está Bruno Le Maire, titular da pasta das finanças do governo francês. O político de centro direita que integra o executivo de Emmanuel Macron pode ver as suas hipóteses goradas pelo facto do comissário europeu para a economia e assuntos financeiros ser o também francês, Pierre Moscovici.

Estas incidências não são impedimentos reais, muito menos costumes para serem levados à regra. Actualmente a presidência do Parlamento Europeu e do Banco Central Europeu são tutelados por dois italianos, Antonio Tajani e Mario Draghi, respectivamente. Nos mandatos de Durão Barroso como presidente da Comissão Europeia,  José Sócrates foi presidente do Conselho Europeu em 2007 e Vitor Constâncio foi vice-presidente do BCE. Exemplos que ajudam a desmentir a ideia de incompatibilidade por ordem geográfico, certo é que as instituições europeias gostam de diversificar países em cargos de poder.

Nas próximas semanas a campanha começará a todo o gás, prevendo-se que o candidato mais unânime seja identificado com rapidez.

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