Nobel da Medicina vai para estudo sobre o nosso relógio biológico

Humanos, plantas e animais são todos regulados por um relógio interno que tem a duração de 24 horas.

Os três cientistas norte-americanos que ganharam o Prémio Nobel da Medicina este ano foram congratulados pelas suas descobertas relativamente mecanismo biológico que controla o ciclo circadiano, o “relógio 24 horas” que gere todas as funções do nosso organismo.

Humanos, plantas e animais são todos regulados por um relógio interno que tem a duração de 24 horas, e que varia entre ciclos de luz e de escuridão, sincronizados com o Sol. Mais interessante ainda é que não existe apenas um destes relógios, mas milhões deles que estão presentes em cada uma das células dos vários organismos – desde a mais pequena bactéria presente na nossa pele às enormes sequóias da Califórnia.

Nos seres humanos, estes relógios biológicos antecipam várias actividades do nosso dia-a-dia, desde o acordar e deitar, às horas de refeição. Isto é conseguido através da regulação de diversos factores como os níveis hormonais, a temperatura e o próprio metabolismo. Várias descobertas apontam para a relação directa entre o ritmo circadiano e a nossa saúde e bem-estar, motivo pelo qual este campo de investigação assume tamanha importância.

Os três cientistas galardoados com o Prémio Nobel – Jeffrey C. Hall, da Universidade de Maine, Michael Rosbash, da Universidade de Brandeis, e Michael W. Young, da Universidade de Rockefeller – foram capazes de entrar no nosso relógio biológico e perceber o seu funcionamento interno.

Utilizando moscas da fruta como modelo de organismo, estes três investigadores isolaram o gene que controla o ritmo biológico diário. Mostraram que este gene codifica uma proteína que se acumula nas células durante a noite e que é depois degradada durante o dia. Posteriormente, identificaram outras proteínas que contribuem para o mecanismo que regula este relógio interno e que o torna auto-suficiente.

Muito antes de Hall, Roscash e Young iniciarem a sua investigação, já a comunidade científica suspeitava que todos nós éramos controlados por um ritmo circadiano e que tudo o que existia no planeta se adaptava de forma muito eficaz à rotação da Terra. Mas foi apenas “(…) desde as grandes descobertas destes investigadores, que a biologia circadiana se tornou um campo de investigação vasto e altamente dinâmico, com implicações para a nossa saúde e bem-estar”, refere o Comité de atribuição dos Prémios Nobel.

As suas descobertas tiveram implicações importantes na medicina e ajudaram a estabelecer um novo campo científico, ainda em crescimento, conhecido como cronobiologia. Nos últimos anos, descobriu-se que cada um de nós tem um “cronotipo” único e geneticamente determinado, que programa o tempo ideal de sono num ciclo de 24 horas, para determinado indivíduo. Esta descoberta ajudou a perceber porque é que existem verdadeiras “pessoas matinais” e verdadeiras “corujas nocturnas”, e porque é que as pessoas são capazes de estabelecer os seus próprios horários.

O ritmo circadiano único e pessoal permite-nos perceber porque é que nos sentimos pior quando trocamos o nosso ciclo de sonos, nem que seja por poucas horas, e porque é que, por exemplo, comer à noite pode trazer problemas para a nossa saúde. Existem inclusive estudos que sugerem que o nosso ritmo circadiano explica a forma como o nosso organismo metaboliza os medicamentos.

Nós somos o nosso sistema circadiano, e Hall, Roschash, e Young ajudaram-nos a perceber como e porquê.