Netflix defende-se de polémica sobre investimento milionário no Canadá

Em troca, a empresa não teria de pagar uma taxa - informação divulgada por políticos mas negada pela empresa.

A Netflix criou pela primeira vez uma unidade de produção fora dos Estados Unidos. A Netflix Canada vai dedicar 500 milhões de dólares canadianos (cerca de 388 milhões de euros) à produção de conteúdos moldados para o mercado canadiano, nos próximos cinco anos. Em troca, alegadamente, a empresa não teria de pagar as taxas para o fundo artístico canadiano – informação divulgada por alguns políticos mas negada num comunicado oficial da empresa.

O anúncio aconteceu no dia 28 de Setembro, mas ontem a Netflix sentiu necessidade de esclarecer o acordo numa publicação no blog oficial. A empresa explica que a razão que os levou a apostar no Canadá foi o facto de os canadianos produzirem óptimas histórias globais (que, para a empresa, valem mais do que “um acordo de qualquer quantia monetária”).

O esclarecimento veio na sequência de algumas teorias e questões sobre os alegados benefícios fiscais dados à Netflix no Canadá. O acordo permitiria que a Netflix não pagasse uma taxa de 5% para investimentos em conteúdos audiovisuais. A empresa diz que o investimento foi aprovado pelo Investment Canada Act e que nenhum acordo fiscal foi feito para a aprovação do lançamento da nova presença no Canadá.

“De acordo com a lei canadiana, os serviços online como a Netflix não têm de cobrar e pagar impostos sobre as vendas. A dúvida surgiu pelo facto da empresa ser um serviço online e não um broadcaster (que têm de ter quotas nos contratos de investimento, por exemplo, mas também têm benefícios e protecções legais). Para ser broadcaster, a Netflix teria de recorrer ao espectro de ondas rádio para divulgar os seus conteúdos.

O Ministro da Cultura e comunicações de Quebec (região canadiana com maioria francófona) foi um dos políticos do Canadá que criticou a novidade, no final de Setembro, mas com uma abordagem linguística. Como podemos deixar passar este assunto sem requerer uma proporção de conteúdos originais em língua francesa?, rematou Luc Fortin. Quebec foi a principal origem das críticas sobre as taxas e as quotas de conteúdo francês neste novo acordo, de acordo com esta compilação de reacções do Montreal Gazette.

Além disso, a empresa explica ainda que “o recente aumento de preços não tem nada a ver com investimentos ou acordos”, justificando que “o aumento foi planeado há muito tempo”.

O acordo involve a criação deproduções originais no Canadá que vão ser distribuídas na plataforma global da Netflix”, de acordo com o comunicado do Governo do Canadá. Os conteúdos vão ser em inglês e francês e vão contar com a participação de equipas canadianas (produtores, criadores e outros parceiros). Em termos comparativos, nos próximos cinco anos, a Netflix vai gastar aproximadamente 5% dos gastos em produção própria previstos para próximo ano, segundo o Expresso (o que resultará num gasto de 1% do orçamento para produções próprias, se o valor não se alterar nos próximos anos).

“Já há fãs por todo o mundo a adorarem os conteúdos originais da Netflix produzidos no Canadá. Este anúncio confirma que há mais para vir com o lançamento da Netflix Canada, a nossa presença permanente de produção no Canadá”, explicou Ted Sarandos, dirigente dos conteúdos da Netflix. A empresa já investiu em conteúdos como o ANNE, Frontier, Travelers ou Alias Grace, que são produzidos no Canadá.

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