Alguns sites estão a usar o teu processador para ganhar dinheiro

Estima-se que 220 dos principais sites da internet já tenham aderido a esta táctica.

Se não te moves por sites da especialidade, é provável que tudo isto te soe estranho e meio fantástico. Mas a verdade é que recentemente alguns sites começaram a usar o processador dos computadores através dos quais são visitados para ganhar dinheiro através de mining de bitcoins – uma nova táctica de monetização das pageviews. Entre os sites que recorreram a este esquema está, por exemplo, o Pirate Bay.

A mecânica é simples de perceber. Sem que o utilizador se aperceba, sempre que visita o site, este divide o processo de utilização do site com um script para fazer mining de bitcoins. Para além da diferença de utilização do CPU, que pode ser considerável, os utilizadores não notam qualquer diferença. Para o efeito os sites, recorriam a diferentes scripts de mining como o Monero ou o CoinHive.

Embora a primeira vista a táctica possa parecer ilícita, pode também ser um novo argumento na sempre acesa discussão sobre publicidade online. Algumas empresas detentoras de adblockers já actualizaram os seus serviços para darem ao utilizador controlo sobre a execução desses scripts. Uma dessas companhias, a AdGuard, elaborou um interessante estudo sobre esta tendência.

Não é certo que tenha começado há apenas três semanas mas é a partir dessa janela temporal que a equipa faz os cálculos com que inicia a apresentação dos dados. Esta febre, como lhe chamam, já terá chegado a 220 dos principais 100 mil sites da internet e afectado 500 milhões de utilizadores. Para além do acima referido CoinHive, nestas três semanas, surgiram três novos clones deste script e, no total, estima-se que tenham sido obtidos 43 mil dólares de lucro.

Outro dado interessante resultado do estudo revela os principais países em que foram detectados sites a executar este tipo de processo. Se os três primeiros não oferecem grande dúvidas, a presença do Brasil em 4º lugar um potencial sinal do interesse nesta tecnologia.

Mais uma vez sem surpresa, o estudo da AdGuard revela as categorias de sites onde a mineração através do browser foi mais utilizada, um dado em linha com as categorias mais requisitadas pelos internautas e onde este tipo de novidade costuma emergia.

Voltando à comparação com a publicidade e analisando os dados, é fácil perceber que esta estratégia não é tão lucrativa como os habituais anúncios – dividindo os 43 mil dólares pelos 220 websites percebemos que a cada um cabe cerca de 195 dólares. O ponto mais interessante da discussão tem a ver com o baixo custo de implementação desta alternativa, que torna os sites independentes do dinheiro dos anunciantes e exclusivamente monetizados através da utilização do CPU dos seus visitantes.