Jibóia e um Verão que teima em não terminar

Têm um cocktail favorito do vosso Verão?

O Verão teima em não terminar. Pelo menos para quem usa as margens da Caparica para apanhar um bronze invejável por essa Europa fora. Acabei de chegar de uma tempestade em Berlim e acho que foi a primeira vez que fui de férias e acabei a sentir inveja nos scrolls de Instagram ao final de um dia de passeio. As fotografias trashy de paredes e becos cobertos de stencils e graffitis, dos jardins maiores que aeroportos e das feiras recheadas de discos de Krautrock não pareciam suficientes para combater as histórias de bikinis pequenos numa praia da Arrábida

Estamos em Outubro e ainda valem festas ao pôr-do-sol – ou sunsets se preferirem um nome mais caro –, aquela ganza com o Sol de chapa num miradouro qualquer e tardes de amizade em disputa na tua coluna portátil, à beira de uma piscina recheada de bóias em forma de unicórnios. Esqueçam que já deviam estar a beber jeropiga e enfardar o máximo de castanhas que conseguirem e procurem o melhor Airbnb no meio da serra para um fim-de-semana com direito a bebidas com chapeuzinho.

Têm um cocktail favorito do vosso Verão? Este ano experimentei um Óscar. Vários, na verdade. E o que leva um Óscar? Ora este é um cocktail especial e deve ser bebido em ocasiões favoráveis para retiramos o melhor daquele potente líquido rosa. Primeira regra é beber na companhia de, no mínimo, cinco pessoas. Beber aquilo sozinho é um crime e, quando bater, vais perceber esta bebida precisa de amigos. Novos, de preferência.

Foi num pós-churrasco de almoço, sentado no mármore no canto de uma piscina com vista para os montes do Minho, que nasceu esta delicada e improvisada mistura capaz de tornar o gin mais barato do supermercado na bebida mais glamorosa do verão. À potencial fritaria do álcool juntas textura, e como estamos numa quinta, vais colher amoras frescas. Depois basta um pouco de açúcar à boleia de uma água tónica, como se uma suave voz feminina viesse para adoçar a tua tarde tropical. Esticas até ao quinto copo, e dentro da tua cabeça começam os ritmos brutos de uma bebedeira que não vais querer controlar.

Na sessão final do CCBeat, as misturas do Jibóia foram outras. Mas tão frescas como as do teu cocktail favorito deste Verão.

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