Este é o filme que Portugal não merece

"Maior área ardida de sempre. Mês mais seco em 87 anos. Mais de 500 fogos activos num dia. Mais de 100 mortos."

Dizem logo que este não é o filme que queriam ter feito, mas que tiveram de o fazer. “Como empresa, mas principalmente como pessoas, não podíamos ficar indiferentes aos incêndios que devastaram Portugal, e deixaram marcas profundas no interior do país”, diz-nos Ricardo Constantino, director de conteúdos da Shortfuse, uma jovem produtora audiovisual sediada em Lisboa.

Ninguém terá ficado indiferente às imagens que no último semestre e, particularmente, no trágico 15 de Outubro entraram pelas nossas casas adentro, através das televisões e dos feeds das redes sociais. A Shortfuse foi mais longe, compilou alguns dos cenários mais negros depois dos incêndios e juntou-lhe a mensagem que costumamos ouvir nos anúncios de promoção do Turismo de Portugal. O resultado é verdadeiramente emocionante e de levar uma ou mais lágrimas ao canto do olho.

“Estamos habituados a ver muitos vídeos de turismo que mostram todo o esplendor de Portugal. O conceito foi pegar por aí, mas infelizmente retratando Portugal como o temos hoje. Desolado, queimado, destroçado. Infelizmente é uma história brutal e que impressiona pela destruição que retrata. Mas é Portugal puro e duro”, diz-nos.

Durante cerca de um dia, a equipa da Shortfuse andou pelos concelhos da Sertã, Pampilhosa da Serra, Mafra, Pedrógão Grande e Arganil, alguns dos mais afectados. Segundo Ricardo, o objectivo do vídeo, produzido por iniciativa da produtora, é “consciencializar para apelar à acção e para as pessoas não se esquecerem destes temas, que dia após dia vão ocupando menos lugar nas Timelines”. “Não esquecer é o primeiro passo para que tudo isto não volte a acontecer”, acrescenta.

Ao trazer para primeiro plano estes concelhos habitualmente marginalizados deste tipo de comunicação e ao contrastar a força das imagens com a calma das palavras a Shortfuse criou um vídeo que pode também ser visto como um apelo a um olhar mais global, sob um país de onde quase sempre se destacam as grandes cidades do litoral.

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  • Jornalista, adepto de cidades humanas e curioso por ideias que melhorem o país. Co-fundei o Shifter em 2013, sou desde 2020 coordenador do projecto editorial Lisboa Para Pessoas.

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