A Google sabe tudo o que faço no meu telemóvel e browser

No painel Google My Activity encontrou todos os sites que visitei e a que horas, todas as aplicações que usei, todas as pesquisas que fiz...

Abri o Facebook às 21h03 – já lá tinha ido outras 5 vezes naquele dia. Usei o WhatsApp às 23h03. Vi dois vídeos no YouTube às 19h41. Às 19h44 fiz uma pesquisa na Bloomberg e às 19h48 estava a ler uma notícia sobre os carros virem a ser proibidos de circular em algumas partes de Lisboa. Sei isto tudo porque tenho uma memória incrível? Não. Nem por isso. A Google regista tudo por mim.

É ligeiramente assustador, eu sei e daí a partilha. Ontem estava a limpar o histórico do Chrome e, por mero acaso, achei um link para o Google My Activity, um registo online de tudo aquilo que fiz no ecossistema da Google. Curioso pelo que pudesse conter, descobri um relatório pormenorizado da minha actividade no telemóvel (tenho um Android) e no browser do computador (uso Chrome), organizado por dia e tipo de actividade.

O My Activity não é propriamente uma novidade para mim, mas a Google esconde-o tão bem na nossa conta que depressa nos esquecemos que ele existe. O registo que é feito da nossa actividade online é exaustivo: os sites que visitamos e a que horas, as aplicações usadas, as pesquisas feitas e até onde utilizámos a aplicação de mapas.

A parte boa do Google My Activity é que pode funcionar como um auxiliar de memória – por exemplo, posso querer encontrar um artigo fantástico que li na semana passada à hora do almoço mas que me esqueci de guardar. Para além disso também pode ser um bom indicador da produtividade, avaliando o dia em retrospectiva face à utilização do browser e do telemóvel.

A Google diz que usa o histórico da minha actividade nos seus serviços para os tornar melhores e mais personalizados. Por um lado, faz sentido e até pode ser visto como uma coisa boa. Mas sabe-se que esses dados são utilizados para me mostrar anúncios mais segmentados, permitindo, por isso, à Google fazer mais dinheiro. A condição é clara: estou a usar uma plataforma à borla, segundo determinados termos e condições que prevêem a recolha de informação pessoal minha – só não a explicitam como provavelmente deviam.

Ainda assim, a Google dá várias opções para controlar os dados que são registados e guardados no painel My Activity. É possível definir para que o histórico de navegação no Chrome e a actividade em sites e apps que utilizam serviços Google não sejam guardados. Também se pode impedir a Google de ler os nossos contactos, calendários e outros dados do nosso telemóvel, de recolher os comandos de voz nas pesquisas (através do “OK Google”) ou de guardar o histórico de pesquisas e visualização do YouTube.

A partir do My Activity, conseguimos também aceder à Timeline, uma secção especial do Google Maps que guarda todos os locais onde estivemos numa linha do tempo pormenorizada. Podemos saber que transportes usámos e que trajectos fizemos, bem como rever as fotos que tirámos nesses locais. À semelhança de outras partes do My Activity, esta Timeline pode ser desactivada.

Apesar de a Google nos dar suposto controlo sob o nosso My Activity, este não deixa de ser exemplificativo da quantidade absurda de informação que a empresa é capaz de recolher sobre nós.

Nota seja feita que nada disto coloca per se em questão a nossa privacidade. Os dados estão seguros nos servidores da Google e podem ser eliminados por a qualquer momento. Se ainda assim sentes que pôr tanta informação pessoal nas mãos de uma corporação tão grande pode ser comprometedor, aconselhamos-te a explorar alternativas aos serviços da Google. No campo da pesquisa tens por exemplo o DuckDuckGo e, no que toca a e-mail, o Proton e o Hush apresentam-se como seguras alternativas.