Detectar HIV em 10 segundos com a ajuda de um smartphone

Um diagnóstico precoce e rápido é crucial não só para o caso do HIV mas em situações de calamidade, como o Zika ou o Ébola.

Investigadores da Universidade de Surrey, no Reino Unido, desenvolveram um dispositivo móvel, com base na tecnologia dos smartphones, capaz de detectar em 10 segundos o vírus HIV, usando apenas uma gota de sangue.

O protótipo do dispositivo, aqui descrito, é composto por: 1) biochips de quartzo descartáveis, que têm como base ondas acústicas de superfície (SAW – surface acoustic wave) para a detecção do vírus HIV; 2) uma pequena caixa para controlar e ler o sinal; 3) um smartphone ou computador portátil para analisar, mostrar e transmitir os resultados.

No caso de um surto de vírus, como foi o caso do vírus Ébola em 2014 em África, um diagnóstico precoce e rápido é crucial, pois não só permite um tratamento mais imediato e eficiente das pessoas infectadas, como permite recolher rapidamente a informação necessária para controlar a propagação do vírus. Os métodos de diagnóstico actualmente utilizados requerem equipamentos complexos e longas esperas por resultados.

O vírus HIV já infectou cerca de 78 milhões de pessoas em todo o mundo, resultando em 39 milhões de mortes. Estima-se que uma parte significante dos portadores do vírus desconhece que está infectada, com cerca de 17 % no Reino Unido e 55% na África subsariana. Assim, um diagnóstico precoce e o acesso ao tratamento adequado pode aumentar a esperança média de vida dos doentes em 10 anos, diminuir a mortalidade infantil em 76 % e reduzir completamente o risco de transmissão para o bebé para mulheres grávidas.

Esta tecnologia poderá revolucionar o diagnóstico do vírus HIV, melhorando a saúde de milhões de pessoas em todo o mundo ao mesmo tempo que baixa os custos económicos associados. Apesar de ter sido usado para a detecção do HIV, este dispositivo poderá em princípio ser aplicado para a detecção de outros vírus, como por exemplo o Zika ou o Ébola, podendo no futuro ajudar à detecção de doenças infecciosas antes destas se tornarem uma epidemia global.

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  • A Sofia Ferreira é redactora de ciência do Shifter. É mestre em Engenharia Física e é actualmente aluna de doutoramento em Materiais na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

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