Quem se arrepia com música está mais ligado às suas emoções

Um estudo conduzido por Matthew Sachs concluiu que as pessoas que se arrepiam a ouvir música têm o cérebro estruturalmente diferente

“E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música” é uma das citações mais populares de Friedrich Nietzsche e uma das mais inusitadas – quem imagina o alemão a dançar?

Ora, é precisamente a partir desse contraste que podemos inferir a importância do assunto. Nietzsche não foi o único filósofo a debruçar-se sobre a música, tema recorrente em muitos outros, mas soube sintetizar com uma força inegável a importância que esta pode ter. Contemporâneo de Wagner e ele próprio compositor Amador, popularizou ideias que antecessores como o escritor Goethe ou os filósofos Schopenhauer e Kierkegaard tinham principiado.

A ideia de que a música pode ter um poder transcendente tornou-se mais ou menos comum, mas não é a única de destaque no pensamento com que iniciámos o artigo. Para o filósofo, nem todos temos o mesmo nível de sensibilidade e a música pode bem dar prova do que nos distingue. É precisamente sobre essa relação entre a sensibilidade auditiva e a consciência emocional, e confirmando as ideias centenárias da filosofia, que surgem novos e interessantes dados.

Um estudo, conduzido por Matthew Sachs e publicado na Oxford Academic com o tema “Conectividade cerebral reflecte a resposta estética à música”, procurava descobrir correlações e conseguiu-o. A partir de uma amostra constituída por 20 dos seus alunos, Sachs concluiu que as pessoas que se arrepiam a ouvir música têm o cérebro estruturalmente diferente, com “um maior volume de fibras que conectam o seu córtex auditivo às áreas associadas ao processamento emocional, o que significa que essas duas áreas comunicam melhor”.

Apesar da conclusão obtida, Saachs, que também ele é músico, não se fica por aqui, com os resultados a sustentar a sua tese de que a música pode ser um elemento terapêutico fundamental – o investigador revela, em entrevista ao Quartz, que será esse o tema da sua próxima pesquisa.

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