It: mais de duas horas de terror que não desiludem

O filme baseado na obra homónima de Stephen King era um dos mais aguardados de 2017.

O filme baseado na obra homónima de Stephen King era um dos mais aguardados de 2017. Na sessão de encerramento do MOTELx, o festival presenteou a audiência com mais de duas horas de terror que não desilude. Com um elenco fenomenal, banda sonora aterradora e alguns elementos cómicos, It corresponde a todas as expectativas, encerrando em grande o festival de cinema de terror de Lisboa.

Com todo o hype à volta de It, o livro em que foi baseado e ainda a minissérie de 1990, era difícil não ter as expectativas elevadas em relação ao novo filme. A crítica especializada parece estar de acordo quanto a três factores essenciais que fazem deste um dos filmes do ano: o elenco excepcional, a atmosfera terrorífica e ainda o enredo que tem tanto de assustador quanto de cómico.

Acompanhamos o famoso Loser’s Club, um grupo de sete miúdos que se junta por dois motivos: o primeiro sendo o facto de não terem uma vida fácil na escola, sendo vítimas de bullying. O segundo motivo é a sua união contra Pennywise, o famoso palhaço vilão que aterroriza a cidade fictícia de Derry, Maine. Pennywise assume a forma geral de um palhaço, mas a personagem de Bill Skarsgård explora os piores medos das crianças, capturando-as através do terror. E, pior que isso, volta sempre a cada 27 anos…

Estamos perante uma história baseada num livro com cerca de 1500 páginas (um pequeno calço de mesa, portanto). No entanto, para algo tão denso e completo, o argumento acaba por condensar toda a informação essencial, resultando numa adaptação consistente e também uma das melhores adaptações da obra de Stephen King ao cinema. Para quem leu o livro (ou parte dele) é fácil compreender que há material para um segundo capítulo – e, ao que parece, é exactamente isso que vamos ter. Mas, antes disso, há que falar desta adaptação, que funciona e não desilude os fãs.

Sabemos também que em 1990 existiu uma minissérie, com Tim Curry no papel de Pennywise. Embora circulem vídeos diversos pela internet a comparar pelo menos a cena inicial de ambos os filmes (que é também a cena de abertura do livro), a principal comparação a fazer aqui está entre Tim Curry e Bill Skarsgård. Por mais assustadora que seja a personagem de ambos, Skarsgård põe o Pennywise de Curry a um canto. Há que ter em conta que passaram 27 anos entre uma adaptação e outra, há muita evolução em termos de caracterização e efeitos especiais pelo meio, no entanto, o actual It parece muito mais Stephen King. Muito mais terror, aproveitando igualmente os elementos cómicos presentes no livro – factor de elevada apreciação entre a audiência geral.

Comparações feitas, deixem-me falar-vos um pouco do elenco – agora do Loser’s Club. Cada um deles tem particularidades interessantes, que os jovens actores exploram na perfeição. Aqui, especial destaque para as personagens de Finn Wolfhard e Jack Dylan Grazer, que interpretam Richie Tozier e Eddie Kaspbrak. O primeiro é um dos claros elementos cómicos do filme, interpretando o rapaz que tem sempre algo para dizer, e o segundo a famosa personagem hipocondríaca com uma mãe superprotectora (e que também é um dos elementos cómicos do filme).

Por fim, uma breve menção aqui à mestria cinematográfica. A atmosfera criada pelos cenários e especialmente pela iluminação (uso de luz e sombra) faz com que a ausência de muito sangue seja  quase indiferente ao espectador, que acaba por se sentir à mesma envolvido pela negra história de Derry.

Com tudo isto, não é de espantar que até o próprio Stephen King tenha afirmado não estar preparado para quão bom It é na realidade. Certo é que há muito falatório à volta deste filme, o que contribui para a sua popularidade. No entanto a fórmula de sucesso passa por pequenos luxos de elenco e cinematográficos que não vão deixar ninguém indiferente.