O Twitter pronunciou-se finalmente sobre a conta de Donald Trump

Em causa está o tweet do Presidente dos EUA que a Coreia do Norte considerou uma "clara declaração de guerra".

A conta de Twitter de Donald Trump

Não será arriscado dizer que toda a gente sabe que o Twitter tem sido o altifalante das políticas de Donald Trump desde que está à frente da Casa Branca. Desde que tomou posse dia 20 de Janeiro, que é no cantinho azul que tem debitado as suas ideias. Se o limite de 140 caracteres eram censura merecida ao Presidente dos Estados Unidos, a passagem para os 280 deve significar não só o dobro das letras, mas o dobro de Trump.

Enquanto o teste não chega a todos os utilizadores fica tudo na mesma, o que por si só não é menos preocupante. É que se as políticas de Trump são no mínimo polémicas, e parece que quando o homem forte de Washington tem que as reduzir a um limite de caractéres nem sempre faz a escolha mais, digamos, presidencial.

O último a deixar a web em alvoroço – de muitas, mesmo muitas opções – falava da recente escalada de tensão com a Coreia do Norte.

O tweet desencadeou a ira do governo norte-coreano, que respondeu ao considerar as palavras de Trump “uma clara declaração de guerra”.

O uso do Twitter pelo presidente tem sido controverso desde sempre e muitos utilizadores da rede social têm desde então sugerido que a empresa devia proibir o Presidente norte-americano de violar as suas políticas declaradas em matéria de abuso, assédio e ameaças violentas. O Twitter sempre se recusou a comentar, geralmente adoptando uma resposta padrão.

 

Pela primeira vez, na segunda-feira à noite, o Twitter emitiu um comunicado da sua conta oficial em resposta a dezenas de utilizadores preocupados com a eminência de um conflito à escala global à espreita e o facto de os tweets do Presidente poderem incitar uma guerra nuclear.

 

 

Resumindo, o que o Twitter diz é que, como o tweet do Presidente tem interesse informativo, tanto o tweet como o Presidente podem permanecer activos. A resposta levantou uma série de problemas acerca da transparência das regras da rede social e da igualdade, ou não, com que estas são aplicadas a todos os utilizadores. Muitos utilizadores consideram que a política da empresa é “inconsistente e tendenciosa” e que “interesse informativo” é um conceito demasiado efémero e confuso.

O livro de regras do Twitter também define algumas linhas sobre tweets violentos: “Não são permitidas ameaças de violência ou promoção de violência, incluindo ameaçar ou promover o terrorismo”. Embora a ameaça do Presidente Trump de destruir a Coreia do Norte feita no tweet acima seja oblíqua, parece, no mínimo, uma ameaça propositada.

Foto de: Casa Branca

Esta não é a primeira vez que o Twitter se vê debaixo de holofotes por não ser consistente na aplicação de sua própria política de abuso. A recusa em banir perfis hostis de supremacistas brancos como Richard Spencer ou David Duke levaram a muitos protestos e, ironicamente, à expulsão de uma conhecida feminista norte-americana da rede social.

Não há nada de novo sobre esta relutância do Twitter em agir contra assuntos “dignos de notícia”. O que é novo é a empresa usar essa notoriedade como justificação. A resposta que deram a este caso sugere claramente que a importância pública de Trump, e não a notícia de um tweet em específico, significa que o presidente ou qualquer coisa que ele possa dizer num tweet está pré-aprovado para ficar no Twitter para sempre.



Perante isto, para nos relembrarmos daquilo a que o Twitter está a dar eco, escolhemos alguns dos tweets mais controversos do actual Presidente dos Estados Unidos que, no final de contas, é hoje em dia uma das principais caras da marca, não pelos melhores motivos.