Nokia 5: uma bateria que não acaba, mas o que aconteceu à câmara?

O Nokia 5 é um equipamento bonito, bem construído e que funciona bem durante todo o dia.

Receber um telemóvel para escrever uma crítica é uma experiência valiosa e torna-se ainda mais especial quando se liga o telemóvel e se ouve, com alguma nostalgia, o som da Nokia. O Shifter testou o Nokia 5 durante uma semana – terá a nostalgia permanecido ou há uma nova esperança para o futuro?

Antes de começar, convém teres uma noção daquilo que estamos a falar. A Nokia teve algumas dificuldades em entrar no mercado dos smartphones e acabou por fazer uma parceria com a Microsoft (ainda há por aí alguns Windows Phone!). Depois disso, a Microsoft comprou a divisão dos telemóveis e lançou alguns em nome próprio, até chegar a HMD Global. Passaram apenas sete meses desde a fundação e a HMD já está um pouco por todo o mundo. A empresa é formada por antigos trabalhadores da Nokia que compraram o nome à Microsoft. Mantém-se sediada na Finlândia e já lançou três smartphones e vários telemóveis (incluindo a versão nova do clássico 3310).

O Nokia 5 tem um ecrã de 5,2 polegadas com resolução HD (720p), câmara traseira de 13 megapíxeis e dianteira de 8, processador Qualcomm Snapdragon 430, memória interna de 16GB expansível com um cartão microSD, memória RAM de 2GB e Android 7.1.1. Está à venda por 230 euros (sensivelmente), sendo mais barato se for bloqueado a uma operadora.

Depois de ouvir este som, selecionar o país e configurar o WiFi, conferir atualizações e associar a uma conta Google, permitir a utilização de dados e definir um padrão para quando o leitor de impressões digitais mostrar cansaço, o telemóvel fica pronto. Afinal não! Mais uma atualização de 283,3MB para melhorar a estabilidade, a segurança e a interface do utilizador. O primeiro ponto a favor do Nokia 5 é precisamente este: funciona com uma versão quase não alterada (stock) do Android e, por isso, tem várias atualizações e acesso à última versão do sistema. Aliás, não há quase nenhuma aplicação original da Nokia – à exceção da câmara (que é bastante elementar), do rádio (sim, tem rádio; só funciona quando se liga os auriculares como “antigamente”). Os serviços da Google estão em maioria, como o leitor de música, galeria e até o Duo vem pré-instalado.

Ao fim de 30 minutos – ok, confesso que a minha Internet não é a mais rápida do mundo, longe disso – comecei a utilizar o Nokia 5. Habituado a um Samsung Galaxy S7, com um ano, é importante relativizar e lembrar-me que não estou perante um topo-de-gama, mas sim um telemóvel de 230 euros. Este pensamento foi mais recorrente nos primeiros dias: o scroll não era tão fluído e o Subway Surfers demorava um pouco mais que o normal a carregar, para dar exemplos concretos. Estes foram aspetos que esqueci passados oss primeiros dias. As melhorias face ao meu anterior telemóvel não foram tão facilmente esquecidas. A título de exemplo, as colunas do Nokia 5 são muito boas com um som alto e bons graves, com muito pouca distorção.

Outro aspecto que não poderia faltar num telemóvel da Nokia é a bateria extraordinária (e aqui contrastou com o S7!). A bateria é de 3000mAh e dura facilmente dois dias de uso moderado. Ao final de um dia de utilização intensiva (WiFi e dados móveis ligados, utilização multimédia e jogos), a bateria chegava à mesa-de-cabeceira com a bateria entre os 15% e os 25%. Não consegui descarregar a bateria na totalidade e nunca saí de casa com um powerbank de prevenção.

A câmara do Nokia 5 não surpreende. Mesmo quando comparada a câmaras de equipamentos do mesmo preço de outras marcas, não brilha. Apesar disso, tem um flash dual tone e tendência para cores naturais e realistas. Serve para o essencial, para as redes sociais – costuma-se dizer que a melhor máquina fotográfica é aquela que tens contigo no momento – mas não estejas à espera de grandes obras-primas. Ah, e gasta algum tempo a procurar uma aplicação alternativa à que vem de origem

Para o teste, fiz algumas viagens de carro e o GPS funcionou sem problemas, assim como a ligação à operadora para os dados móveis. Já nos transportes públicos quando tentei isolar-me com a minha música a experiência não correu tão bem. Os auriculares – que vêm a acompanhar o carregador, o cabo para carregar e transferir dados e a típica papelada com instruções e garantias – são bastante fracos. Ninguém espera o ex-líbris dos auriculares na caixa de um telemóvel de gama média, é certo, mas os auriculares que acompanham o Nokia 5 merecem ser postos de parte por uma outra opção que tenha uma melhor qualidade de som e controlos no fio.

A compra de uns auriculares mais premium acompanha perfeitamente o Nokia 5. O dispositivo tem um design e construção bem acima do habitual para a gama que se encontra. Tirando o relevo da câmara que destoa, pegar no Nokia 5, com o ecrã 2,5D (ou seja, com uma ligeira curvatura) e sentir o metal frio e sólido é uma boa sensação. Não só boa, como também é uma semelhante sensação à de quando pegamos em smartphones que custam mais umas centenas de euros. Quando foi fundada, a HMD prometeu manter o “design, robustez e confiança” que estavam associados à marca Nokia. Good job, HMD!

Já agora, grande parte do design é composto pelo ecrã HD do telemóvel. O ecrã vê-se bem em dias mais solarengos e ver vídeos não é uma má experiência. As cores são fidedignas e o brilho bastante bom. Quanto à performance, o processador da Qualcomm é da gama mais baixa da empresa, mas o desempenho é aceitável. Não há grandes falhas e não houve nenhum momento desagradável pela lentidão do Nokia 5.

Se eu recomendaria o Nokia 5? Acho importante analisar as opções de escolha. No campo do iOS, para o mesmo preço, só um iPhone 5S usado e essa não seria uma melhor opção. Já no universo Android, as escolhas são várias. A Huawei tem o Y7 que tem mais 1000mAh de bateria ou o Samsung Galaxy J5 com uma câmara melhor talvez sejam os concorrentes mais diretos. Claro que também têm desvantagens como o software cheio de aplicações indesejadas que atrasam a chegada de atualizações e, a longo prazo, podem causar problemas no desempenho. Há ainda o P9 Lite ou o P8 Lite 2017, da Huawei, que, apesar de mais caros, encontram-se a preços semelhantes nas promoções.

Outra opção é… o Nokia 6. Sim, por mais 40 euros compra-se o telemóvel de gama mais elevada e garante-se um ecrã Full HD (1080p). O ecrã com maior resolução pode afectar a bateria, mas a memória RAM pode compensar para o multitasking. Mas o Nokia 5 é um telemóvel bom para quem não precisa de uma câmara fora do normal. O preço é apelativo e, pelo preço, recebe-se um equipamento bonito, bem construído e que funciona bem durante todo o dia.

O futuro da Nokia

A HMD parece estar a re-encaminhar a Nokia. Além do negócio dos telemóveis, há novos produtos na área da saúde, mapas, os serviços de rede e as patentes (que ainda renderam dois mil milhões de euros pagos pela Apple à Nokia). No entanto, especificamente na área dos smartphones, pode ser que venham bons produtos.

A parceria com a Carl Zeiss vai voltar e isso significa uma aposta na qualidade de imagem das câmaras fotográficas. Notícia que aumenta a expectativa para um futuro topo-de-gama (ou mais), esperado ainda neste ano. Se a tendência do Nokia 5 se confirmar nos próximos lançamentos, podemos vir a ter disponível mais um player no mercado dos flaghsip killers.

Nota: Agradecimento ao Afonso Rebelo e à Inês Rebelo por ajudarem na captação das imagens que acompanham este artigo!
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