Estudante do Técnico melhora jogo Skyrim com inteligência artificial

Manuel Guimarães criou uma modificação do popular jogo que chamou à atenção da comunidade de gaming.

As personagens não jogáveis (NPCs) de The Elder Scrolls 5: Skyrim, para alguns um dos melhores videojogos de todos os tempos, aprenderam a interagir de forma mais humana umas com os outros. O “professor” foi um hábil estudante do Instituto Superior Técnico (IST), da Universidade de Lisboa, criador de um novo mod de Skyrim.

Manuel Guimarães desenvolveu, para a sua tese de mestrado, um mod (isto é, uma modificação ao jogo original) que dota as personagens de Skyrim de capacidades de interacção menos roteirizadas e mais parecidas com as do universo Sims. Utilizaram, para tal, inteligência artificial. Manuel Guimarães trabalhou sob orientação dos professores Pedro Santos, do Departamento de Matemática do IST, e de Arnav Jhala, do Departamento de Ciência Computacional da Universidade Estatal do Norte da Califórnia (North Carolina State University), EUA. Os três assinam um artigo científico que apresenta o projecto e que será apresentado dia 22 de Agosto na IEEE Conference on Computational Intelligence and Games, em Nova Iorque.

O mod, intitulado “Social Skyrim”, está disponível para download através da plataforma Steam. Na descrição do mod, é explicado que as personsagens NPCs passam a ser capazes de se insultar, elogiar e provocar momentos embaraçosos ao longo das suas interacções sociais no jogo. Elas vão tentar encontrar parceiros românticos, fazer amigos, insultar aqueles de quem não gostam e introduzir-se a quem não conhecem. Os jogadores podem envolver-se nestas interacções, tanto insultando as NPCs, como pedindo-as em casamento. “Manipula-as, destrói as suas relações e ajuda-as a criar uma, ou espera apenas e vê qual será o resultado final sem interferir”, lê-se na página.

“Social Skyrim” suscitou o interesse de uma comunidade do jogo no Reddit. Na thread, Manuel (que se identifica com o username @TheDarkRyze) explicou que, depois de concluir a tese de mestrado, deixou o Skyrim, tendo deixando de actualizar o mod para além de algumas correcções de bugs. Releva ainda que a boa nota que teve no trabalho o ajudou a trabalhar como investigador no GAIPS, um centro de inteligência artificial ligado ao IST.

“A maioria dos jogos recorre a guiões para gerir o comportamento das NPC”, explica Arnav Jhala num comunicado. Por outras palavras, isso significa que as reacções das NPC dependem de determinados comandos pré-definidos – ou seja, dois jogadores que façam as mesmas acções no jogo vão ter as mesmas interacções com as NPCs. “Queremos ir para além disso, para uma experiência de jogo mais imersiva. E o Skyrim foi apenas o jogo por onde começámos a experimentar isso”, completou o investigador.

Social Skyrim é um protótipo de uma ferramenta mais avançada, chamada CIF-CK, que as duas universidades querem continuar a desenvolver. “Este trabalho [do Manuel Guimarães] mostra que ferramentas como o CIF-CK podem ser implementadas em larga escala”, nota Jhala. “Esperamos agora trabalhar com empresas de jogos para que estas integrem a abordagem CIF-CK nos seus processos de desenvolvimento – ou pelo menos se inspirem nela.”

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