Crónica de um utilizador de iPhone que mudou para um Huawei P10

Na escolha de um telemóvel, procuro essencialmente 4 coisas: algo "pequeno", rápido, com boa bateria, com boa câmara e com o software mais recente.

Em Fevereiro, recebei um Huawei P10 no evento de lançamento no início deste ano, em Barcelona. Desde então, ficou o meu telemóvel de dia-a-dia, substituindo o meu velhinho iPhone 5. Este texto fala sobre a minha experiência com o P10, numa perspectiva utilitária. Telemóveis são apenas… telemóveis. Acima de tudo, um telemóvel deve ser algo que serve as nossas necessidades e que não consome a nossa vida.

Na escolha de um telemóvel, procuro essencialmente 5 coisas: algo “pequeno” (as 4 ou 4,7 polegadas são boas), rápido (porque preciso de ser eficiente), com boa bateria (estou muito tempo fora de tomadas), com boa câmara (porque é o que mais uso) e com o software mais recente (é o meu lado mais geek a revelar-se).

O Huawei P10 tem todas essas coisas, mas, apesar de satisfazer tudo aquilo de que preciso, não o recomendaria – o preço é fulcral; procuro um bom equipamento mas não quero gastar muito nele. É um objecto que vai ser exposto a um desgaste diário, pode ser roubado ou perdido, e que dentro de poucos anos pode estar desactualizado. Os smartphones de topo estão a encarecer e o Huawei P10 — o melhor da Huawei – não escapa a essa tendência. Custa 649 euros, existindo equipamentos que, por muito menos, cumprem as mesmas exigências ou muito parecidas.

Começando pelo início da história. Antes do Huawei P10, usava um iPhone 5, comprado em 2012 e já com o ecrã partido de uma segunda queda (na primeira, em que também se quebrou o visor, ainda tinha garantia e meti a reparar). Apesar de fragmentado e de lento, aquele iPhone 5 seria o telemóvel que ainda hoje usaria se não tivesse surgido a oportunidade do P10. A câmara era boa; a bateria nem por isso mas já tinha um bom plano de gestão. Gostava das 4 polegadas, apesar de me ter ambientado bem às 4,7 polegadas do Huawei P10 (mas já lá vamos).

Quando comprei o iPhone há quatro/cinco anos, queria-o precisamente por ter uma câmara que se destacava da demais concorrência. A lente da Apple era a melhor e produzia imagens com cores e balanço de brancos melhor que qualquer outro telemóvel que havia na altura – pelo menos na minha perspectiva. Entretanto, a Samsung e outras fabricantes de topo fizeram bons telemóveis com boas câmaras. Ao mesmo tempo, o Android evoluiu enquanto sistema operativo e passou a ter mais aplicações, incluindo apps que antes eram exclusivas do iOS, como o Instagram. Hoje, quem compre um smartphone topo-de-gama, Android ou iOS, vai receber de certeza uma boa câmara e também não terá dificuldade em descarregar as apps que quer ou a aceder às funcionalidades mais recentes do sistema operativo. Mesmo telemóveis mais baratos, como os OnePlus, têm tudo isso e também têm um bom processador e uma boa RAM, uma boa bateria e um bom ecrã – rapidez, software, câmara, bateria e ecrã são os cinco pontos que privilegio num equipamento.

Trocar de um iPhone para um smartphone Android (ou vice-versa) não é uma tarefa morosa mas tem as suas surpresas. Primeiro percebemos que vamos perder o histórico do WhatsApp porque não dá para transferir do iCloud para o Google Drive, ou pequenas compras na iTunes Store/App Store. Tudo o resto pode ser transferido de um sistema operativo para o outro. O desafio seguinte é a habituação à nova interface – apesar da “androidificação” do iOS nos últimos anos, continuam a existir as diferenças substanciais no modo de uso entre os dois sistemas operativos. Ao fim de algum tempo, lembramos-nos das coisas que só o Android nos permite fazer, como esconder aplicações do ecrã inicial, desligar os dados sem ter de ir às definições ou partilhar rapidamente um screenshot. Algumas dessas tarefas vão ficar disponíveis no iPhone com o lançamento do iOS 11 em Outubro, mas migrar do iOS para o Android é ganhar uma liberdade incrível e às vezes nem sabemos bem como aproveitá-la.

O Android que vem no P10 não é Android puro. É uma versão baseada na versão mais recente do sistema operativo da Google – a Nougat – com uns toques de Huawei no design e em algumas funcionalidades. No geral, gosto do trabalho que a Huawei fez ao nível do software mas como prefiro o aspecto do Material Design, não demorei até instalar o Pixel Laucher no ecrã inicial e a pré-definir algumas apps da Google, como o Messages.

O meu lado mais geek gostou sempre de ter a última versão do sistema operativo e de poder mexer nas funcionalidades mais recentes. O iPhone sempre garantiu isso – todos os modelos mais recentes (entenda-se com menos de 4 anos) recebem a nova versão do iOS lançada anualmente. O ciclo de actualização do Android é diferente: também há um novo Android todos os anos mas cabe às fabricantes fazê-lo chegar aos utilizadores. É algo que demora e que, há meia dúzia de anos, demorava ainda mais: quando comprávamos um telemóvel com determinada versão do Android, podíamos não receber qualquer actualização no futuro. O Android está bem melhor no ritmo de actualizações, devido aos esforços das fabricantes e da Google. Também é certo que as últimas versões desde o Android 5.0 Lollypop têm trazido poucas diferenças. O Google Assistant foi uma das novidades mais recentes e foi disponibilizado para vários equipamentos desapegado do sistema operativo – uma estratégia por parte da Google para garantir mais equipamentos actualizados, mesmo que corram uma versão mais antiga do Android. O Google Play Services também é actualizado independentemente do sistema operativo e, na mesma lógica, contribuiu para que a fragmentação do Android seja cada vez mais um mito tecnológico.

Um dos principais destaques do Huawei P10 – tal como a da maioria dos topo-de-gama hoje em dia – é a sua câmara. Na traseira, tem um duplo sensor fotográfico da Leica – um de 20 megapixels que fotografa a preto-e-branco e que confere resolução à imagem; e outro de 12 que “injecta” as cores. O resultado são fotografias boas em situações de muita luz (como durante o dia, com Sol) e também em cenários de menor luminosidade (como à noite ou num concerto). Não fica baralhada quando há focos de luz na direcção do sensor, como candeeiros de rua ou luzes num concerto – algo em que o iPhone 5 tinha alguma dificuldade. A câmara do P10 também grava em HD a 60 fps (frames por segundo) ou em 4K a 30 fps, o que a reforça como um óptimo recurso para o dia-a-dia. É adequada para partilhas nas redes sociais ou num blogue, para fazer um vlog ou para, por exemplo, registar uma festa com os amigos – e pode também substituir uma DSRL numa viagem. É sobretudo uma câmara que está sempre pronta no bolso para os momentos mais inesperados. Graças aos modos avançados disponível no software, pode ser usada para fazer retratos, panoramas, arrastamentos de luz e mais. Na frente, encontramos um sensor de 8 megapixels, que se comporta bastante bem em fotografia e vídeo.

Os 6 GB de RAM do Huawei P10 garantem que tudo o que faço no telemóvel é com rapidez e fluidez. O telemóvel nunca fica bloqueado quando tem muitas apps ao mesmo tempo. O armazenamento interno de 32 GB significa que tenho espaço suficiente para as minhas aplicações e conteúdos – algo que com os 16 GB do iPhone 5 implicava uma gestão mais apertada. Uso a nuvem para fazer backup automático de tudo, dos contactos às fotos, e assim nunca perco nada, liberto espaço do telemóvel e não tenho de me preocupar com transferências manuais através de um computador.

A bateria de 3200 mAh porta-se muito bem no Huawei P10. Um iPhone 5 de 2012 não é um smartphone com uma bateria grande e, com o passar do tempo, ela fica gasta e acabamos por ter de carregá-la mais vezes. O P10 é recente, é certo, mas a sua bateria já deu provas de que aguenta um dia inteiro de utilização. Deixei de precisar de andar de carregador de um lado para o outro. Tenho modo de poupança aos 20% que reduz algumas capacidades do telemóvel e um modo ultra de poupança aos 10% que permite-me usar seis apps durante um tempo mais prolongado. Nos dias mais exigentes, posso recorrer ao carregamento super rápido – em poucos minutos tenho 50% ou mais de bateria, o que é uma safa gigante.

Actualmente os ecrãs dos smartphones – mesmo que não sejam de topo-de-gama – têm boa resolução, cor e nitidez. Mais cores menos cores, com ou sem HDR, com mais ou menos fps, esses detalhes são-me indiferentes. O ecrã do P10 é 1080p HD, aquilo a que a Apple apelida de “ecrã Retina”. Não preciso de um ecrã 4K, até porque não tenciono usar o telemóvel para VR, para já.

O Huawei P10 tem um leitor de impressões digitais – não tinha no meu iPhone; é rápido desbloquear o telemóvel com o dedo. É um equipamento confortável na mão e bonito na sua cor “matte black”. É pena não ser à prova de água ou de poeiras como o é o Galaxy S8, por exemplo, mas também não senti grande incómodo nesta falha – é só se tiver algum acidente.

No fim de contas, o Huawei P10 é naturalmente melhor que o iPhone 5 mas, se me pedirem uma recomendação sobre um smartphone a comprar, a minha resposta vai sempre depender da pessoa que mo perguntou mas muito provavelmente irei aconselhar um OnePlus 5, um Mi 6 ou mesmo um Honor 9, smartphone da sub-marca da Huawei que, por 460 euros, tem muita da tecnologia do P10.

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