Festival Silêncio: um festival para contar a toda a gente

De 28 de Setembro a 1 de Outubro, no Cais do Sodré, em Lisboa. Entrada gratuita.

Bruno Pernadas, Ermo e Lavoisier prometem tudo menos silêncio no Festival Silêncio, que vai decorrer de 28 de Setembro a 1 de Outubro, no Cais do Sodré, Lisboa. Um evento de entrada gratuita que, além da música, incluí performances artísticas, debates, cinema e mais.

Comecemos pela 7ª arte. Está prometido um ciclo com curadoria Filmin, um serviço de streaming português dedicado exclusivamente a cinema independente. Este ciclo promete explorar a “desconexão entre a imagem e a voz e a sua própria independência como elementos comunicativos”, de acordo com o comunicado de imprensa. Existirá também um Ciclo Documentos – “uma mostra de documentários que pretende trazer ao debate e à reflexão realidades muito diferentes, com a intenção de instigar um confronto crítico com a nossa própria voz”.

No campo da música, contaremos além de Bruno Pernadas e da sua maravilha música, com os surpreendentes Ermo, que vão tocar pela primeira vez em Lisboa o disco Lo-Fi Moda, os Lavoisier que vão mostrar É Teu, a Capicua no projecto que tem com Pedro Geraldes – Água E Sal –, e Luca Argel, que apresentará Contemspoleirs, trabalho editado pela Douda Correria/Mia Soave com o apoio do Festival Silêncio. Destaque ainda para um concerto especial intitulado “Os Velhos Também Querem Viver”, criado para o Festival Silêncio, que parte do texto homónimo de Gonçalo M. Tavares e que conta com direcção musical de Pedro Lucas e participações de Carlão, Selma Uamusse, Manuela Oliveira, Joana Alegre e Carlos Barreto.

Já as Conversas do Silêncio vão fazer barulho e vão trabalhar o barulho que nos rodeia. São três conversas públicas e provocadoras entre o anfitrião Miguel Somsen e dois intervenientes, que se juntam para reagir e interpretar de forma imediata e espontânea acontecimentos da actualidade. Nas Conferências do Silêncio, o destaque vai para o filósofo camaronês Achille Mbembe, que “nos vem falar sobre a noção de inimigo, o Estado securitárico e a redefinição do humano numa conversa conduzida por Mamadou Ba”.

Na literatura, o Ciclo Autor convida a descobrir o universo da escritora Maria Gabriela Llansol, com curadoria do Espaço Llansol. Existirá uma exposição que apresentará “diversas possibilidades de diálogo entre o texto de Llansol e as artes plásticas”, uma perfomance musical da autoria de Miguel Bonneville e uma conversa entre João Barrento, Maria Etelvina Santos e Cristiana Vasconcelos Rodrigues. Já o Ciclo da Palavra vai promete “um programa que reclama a voz enquanto expressão e urgência”. Numa altura em que o medo do amanhã é um alerta quotidiano, não estará a razão do medo na voz do historiador? Este será o ponto de partida para uma discussão com Rui Tavares sobre a importância da “Voz da História”.

A programação do Festival Silêncio incluí ainda actividades para os mais pequenos, projectos que têm na palavra dita a sua força e expressão (spoken word), residências artísticas em parceria com a Fundação José Saramago e a Casa Fernando Pessoa e uma rádio. “Com direcção artística de Pedro Coquenão, este é um novo projecto que finalmente sai da gaveta para o ar”, lê-se no comunicado. Toda a programação está disponível a partir no site do festival, onde qualquer pessoa pode desenhar a sua própria agenda e roteiro. Não é demais repetir: o acesso é livre e é para todos.

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