Dez anos de Kala, o plano B de M.I.A.

É o último grande disco de M.I.A. e um dos 500 melhores discos de todos os tempos para a Rolling Stone.

Editado numa altura em que a primeira vida do grime ainda era relevante, Arular, de 2005, polarizou, para uns um dos discos do ano, para outros uma das obras mais sobrevalorizadas do século XX. M.I.A. sempre foi mais elogiada pela crítica do que pelo público. Talvez por não se encaixar em público nenhum. World Music? Demasiado ocidental. Hip hop? Demasiado oriental. Pop? Demasiado estranha. Indie? Demasiado despida de guitarras.

Seja como for, o disco de estreia de M.I.A. abre uma frente ocidental, um eixo anglo-saxónico que começa a mostrar abertura a sons mais (chamemos-lhes) exóticos. O Brasil apresentava-se como exportador de tendências da temporada 2006/2007: Cansei de Ser Sexy e Bonde do Rolê têm álbuns de estreia muito celebrados, Gogol Bordello são a banda certa no momento certo para ver ao vivo, Brooklyn torna-se progressivamente no epicentro cultural e Panda Bear vai-se afirmando enquanto ponta de lança de uma frente indie mais aventureira.

A intenção seria trabalhar com o produtor do momento, Timbaland, ele que vinha de colaborações bem-sucedidas com Nelly Furtado, Justin Timberlake e Bjork. Mas aparentemente, em 2007, M.I.A. teria perfil de terrorista e leva uma nega à entrada dos Estados Unidos. Plano B: uma viagem que permite visitar e trabalhar em países como a Austrália, Libéria, India, Trinidad, Angola, Jamaica e Japão. Só poderia resultar novamente num som universal, sem pátria.

Não nos lembramos de outro disco que inclua covers bollyhoodianas, samples de Clash e New Order, citações a clássicos dos Pixies e vídeos com dançarinos jamaicanos. E, claro, a costumeira dose de polémica com “Paper Planes”, a mais celebrada canção de Kala. O Sri Lanka censura, a MTV censura, Letterman censura e o rapper DeLon altera a letra da canção acusando-a de apoiar os Tamil Tigers e, consequentemente, apoiar o terrorismo.

É o último grande disco de M.I.A. e um dos 500 melhores discos de todos os tempos para a Rolling Stone.

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