A misteriosa história que envolve a Argentina, a Benetton e um activista desaparecido

Em causa está uma disputa de terrenos entre a marca e uma tribo indígena.

O desaparcimento de Santiago Maldonado está a intrigar e mobilizar a população argentina. Na passada sexta-feira foi dado mais um sinal da preocupação popular com uma grande manifestação na capital, Buenos Aires, exigindo às autoridades novidades sobre o paradeiro de Santiago.

Santiago Maldonado é um jovem activista de 28 anos e está desaparecido desde o primeiro dia de agosto. Foi visto pela última vez junto da comunidade indígena Mapuche, no Panamá, em protestos por terrenos na província de Chubut que a comunidade nativa reclama aos proprietários actuais, a Bennetton.

Já no passado dia 8, foi o Governo Argentino a juntar-se à busca pelo homem, oferecendo 27 mil euros de recompensa a quem fornecesse notícias sobre Maldonado, em resposta ao apelo das Nações Unidas para que o estado tomasse medidas sobre o sucedido. 

O desaparecimento de Santiago Maldonado evidencia e populariza um conflito que não é novo e se arrasta desde pelo menos 2015. Os Mapuche reclamam parte do território comprado pela Benetton, para produzir gado para lã, como parte dos seus territórios ancestrais. 

Uma grande reportagem do El País feita durante este ano explica todos os pontos do conflito envolvendo a misteriosa zona da Pantagónia. Carlo Benetton, o gestor da famosa marca italiana comprou, em 1991, 900.00 hectares de terra para que pudesse criar 100 mil cabeças de gado. Se nos primeiros ano não houve qualquer problema, estes começaram a surgir com o retorno e concentração do povo indígena daquela zona que tinha sido praticamente dizimada no final do Séc. XIX pelos argentinos. A justiça dá razão à Benetton que se defende alegando o número de postos de trabalho criados naquela região tão inóspita no Inverno. Quanto à comunidade Mapuche, actualmente ocupa um espaço com tendas e reúne pouco mais de duas dezenas de pessoas.

© El País

Este tipo de divergência entre locais e capitalistas exploradores dos recursos não é de todo uma novidade sobretudo na América do Sul, Ásia e África. A grande surpresa – ou desilusão – é ver associado a uma disputa intrasigente uma marca que na sua comunicação para as massas priveligia os consensos inesperados e improváveis.

Por outro lado a mobilização motivada por este caso serve também de incentivo a outro tipo de protestos. A marcha do dia 7 de Agosto ficou marcado por violentos confrontos entre manifestantes descontes com o estado e a polícia, segundo reporta o The Guardian.

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