Um conselho para desperdiçares, tal como fazes com a tua juventude

Usa protector solar

Pode não parecer uma cena nossa dar-te conselhos para o sol, mas este não é um conselho qualquer e esconde uma mensagem que vais querer guardar contigo. Se há factos que o provem são os 20 anos de história, as várias adaptações e os contextos em que já foi proferida. Se por acaso já ouviste falar, temos a certeza que vais gostar de te recordar e lembrar-te do professor que te mostrou o vídeo na faculdade ou do amigo que te enviou o link num daqueles dias em que estavas mais deprê. Daquele momento em que tudo fez um bocado mais sentido, ou por outro lado, te passou a fazer menos confusão o facto de nada fazer sentido.

If I could offer you only one tip for the future, sunscreen would be it. The long-term benefits of sunscreen have been proved by scientists, whereas the rest of my advice has no basis more reliable than my own meandering experience. I will dispense this advice now.

A versão de Baz Luhrmann (realizador australiano pela famosa adaptação de Romeu e Julieta ao cinema. Sim, aquela do DiCaprio.) é provavelmente a mais conhecida e difundida de “Wear Sunscreen” mas a história deste conselho remonta a 1997 e tem, como qualquer boa história, contornos no mínimo caricatos. É para contar essa história e continuar a espalhar a mensagem daquele que foi um dos primeiros virais da Internet que a BMB, uma agência londrina, criou o site www.wearsunscreen.net.

Se sobre a força do discurso e a beleza das palavras não há dúvidas, na génese da difusão deste texto está um erro que até Baz Luhrmann (just in case) cometeu. Passada nesses tempos longínquos em que não havia redes sociais, o discurso ganhou tração por e-mail e a sua autoria foi incorrectamente atribuída durante anos a Kurt Vonnegut, como um alegado discurso no MIT, provavelmente por ter sido o autor de um dos primeiros passos deste viral. Foi dois anos depois que se voltou a fazer justiça e de um modo geral se ficou a saber que Mary Schimch do Chicago Tribune seria a verdadeira autora e que Advice, like youth, probably just wasted on the young, o discurso que se popularizou por email com outro nome, teria afinal sido escrito para uma coluna daquele jornal.

Para conhecer a mensagem de outra forma nada melhor do que ver a interpretação visual em vídeo ou aproveitar o site criado pela agência londrina onde as mensagens principais foram sintetizadas em animações que te permitem igualmente absorver a essência do manifesto.

Mary Schimch diz que escreveu o afamado discurso em 4 horas. Certo é que este pedaço de sabedoria fast food serviu de inspiração para tantos outros manifestos que se lhe seguiram mas nem sequer lhe chegam aos calcanhares. Se conselhos como “Faz todos os dias algo que te assuste e desafie” ou “não desperdices o tempo com inveja” te podem parecer hoje coisas banais, experimenta ler/ver/ouvi-los no vídeo de Luhrmann (acima) ou no site que assinala os seus 20 anos.