O teu percurso alternativo para o Super Bock Super Rock

Lembra-te, nem sempre os nomes mais sonantes são os que nos surpreendem mais.

A heterogeneidade da 23ª edição do Super Bock Super Rock pode ter causado algum descontentamento no público, muito por culpa do sucesso que foi o cartaz de 2016. As expectativas de um público muito satisfeito com a presença de Kendrick Lamar foram por água abaixo quando, por motivos alheios, a atuação de Tyler, The Creator foi cancelada. O festival do rock apostou forte no Hip-Hop e teve frutos. Este ano Future, Pusha T, Akua Naru, Slow J ou Keso podem não ser nomes suficientemente sonantes para motivar os fãs do género a pisar o palco das nações. Os holofotes estão agora virados para o primeiro dia, mais precisamente Red Hot Chilli Peppers.

Para te motivar a embarcar neste festival e apesar do primeiro dia estar esgotado, decidimos dar-te 9 razões, 9 grupos, 3 por dia, que deves mesmo ver. Lembra-te, nem sempre os nomes mais sonantes são os que nos surpreendem mais e este itinerário está preparado para que tenhas um Super Bock inesquecível.

Dia 13

No dia 13 vai estar tudo a pensar nos Red Hot, um grupo incontornável, mas acreditamos que no palco principal não podes escapar à New Power Generation com o Bilal. A NPG era o grupo do recentemente falecido, Prince, o que só por si já é um certificado de qualidade. Para juntar à festa entra Bilal, uma das melhores vozes da atualidade e o melhor candidato para substituir o eterno príncipe da Pop Rock. Bilal acostumou-nos à sua faceta Neo Soul que muitas vezes se faz acompanhar do virtuoso Robert Glasper e esta é a oportunidade de o ver a abraçar caminhos mais frenéticos como o funk e a Pop.

Neste dia há ainda dois nomes portugueses que deixamos como sugestão, Alexander Search e Throes + The Shine. O primeiro é a incorporação da personagem inglesa de Fernando Pessoa, representado por 4 pessoas diferentes, Júlio Resende, Salvador Sobral, Joel Silva e Daniel Neto, que fora destas personagens são enormes músicos de Jazz portugueses. O grupo inspirado pelo génio do poeta português, escolheu o Super Bock para se estrear o disco que já está disponível para streaming e é um must. O segundo nome é das melhores formações lusitanas em palco. Throes + The Shine misturam Indie Rock com Kuduro, Portugal com Angola numa fusão bem suada. Normalmente não falaríamos de suor para promover um grupo, mas neste caso parece-nos um verdadeiro indicador de que a festa está mesmo a correr bem.

Dia 14

O segundo dia aglomera todas as apostas de Hip-Hop feitas pela organização do festival, mas os 3 nomes que se seguem não são de todo representantes do género. O primeiro são os Gift. Sim não são uma surpresa, nem são uma recomendação propriamente alternativa, mas tem uma razão de ser. Essa razão é o seu último disco, Altar, produzido nada mais nada menos pelo mestre Brian Eno. O maior nome da música ambiente fez de Altar o melhor disco do grupo português até hoje, proporcionando um novo rumo para um grupo que há muito havia perdido o interesse do público português.

No dia 14, Octa Push visitam o palco LG para mostrar uma panóplia de ritmos africanos. Em 2016 lançaram Lingua, uma amostra de uma África futurista, o disco é imperdível e o concerto da dupla igualmente. Por fim, neste dia não deves perder a oportunidade de espreitar Beatbombers, bi-campeões da IDA World DJ Championships e um verdadeiro orgulho português no campo do turntablism. A dupla DJ Ride e Stereossauro editaram este ano Beatbombers LP e vão ao palco Carlsberg mostrar porque é que são tão consagrados no meio. As expectativas são altas mas a probabilidade de desiludirem é quase nula.

Dia 15

Acreditem ou não o último dia é capaz de ser o mais promissor. Dia 15 é um dia para se aventurarem e descobrirem o vosso próximo grupo favorito. Em primeiro lugar temos Bruno Pernadas, a prova viva de que o Jazz português está a caminhar para uma era de ouro que promete colocar Portugal no circuito internacional. Em 2016 vimo-lo no Mexefest com o disco Those Who Throw Objects at the Crocodiles Will Be, em Abril deste ano mostrou na Festa do Jazz Worst Summer Ever e agora no Super Bock vem com o disco dos crocodilos. O génio do guitarrista português revela-se na sua capacidade de composição de temas jazzísticos acessíveis a qualquer tipo de público, interpretados ao vivo por uma formação de músicos exímios.

Ainda no palco EDP toca a segunda recomendação para o último dia do certame, Taxi Wars. O mais recente grupo de Tom Barman, líder dos dEUS, também tocou no Vodafone Mexefest de 2016 e conquistou quem os viu na Casa do Alentejo. A imponência do saxofonista Rubin Verheyen e o carisma de Tom fazem de Taxi Wars o grupo belga mais empolgante a seguir a dEUS. Na sequência de escolhas tão diversificadas, terminamos com Sensible Soccers, um daqueles grupos portugueses que não podemos deixar de aconselhar, vão! O ponto de exclamação, propositado, é para perceberem que esta sugestão devia ser uma ordem. O trio nortenho é capaz de criar as ambiências mais esotéricas, colocando-se num mundo à parte de qualquer outro grupo, seja português, seja internacional.

Com estas 9 razões não podes deixar de ir este ano ao Super Bock Super Rock, o cartaz é mais surpreendente do que parece.

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