Com o Galaxy S8, a Samsung acertou finalmente

O Galaxy S8 coloca a Samsung à frente da Apple. Mas quem ganhará a próxima jogada?

Quando a Samsung revelou o Galaxy S8 em Março, a imprensa prontamente ecoou elogios ao ecrã. Ao lado da nova galáxia, qualquer outro smartphone parece antiquado. O ecrã sem moldura, a ocupar toda a frente do telemóvel, é uma direcção que deve marcar este tipo de equipamentos daqui para a frente, com a possível estreia da Apple com o seu iPhone 8.

Se outrora o iPhone inspirou a linha Galaxy S, agora os papéis parecem inverter-se, com a Samsung não só a antecipar tendências mas sobretudo a apresentar um equipamento que reafirma a tecnológica sul-coreana no mesmo patamar de excelência da Apple. Tecnologia e design, dois ingredientes que nos habituámos a associar à marca da maçã, foram bem confeccionados pela Samsung, utilizando uma receita que a Apple só deverá experimentar depois do Verão.

O Galaxy S8 é um smartphone excelente na capacidade técnica e na beleza do hardware. A imprensa foi unânime nos elogios, cuja pertinência pudemos comprovar na nossa utilização: desde o ecrã estupendo, às boas especificações de processamento, RAM e armazenamento, passando pela bateria de carregamento rápido e pela câmara que não desilude, nem mesmo à noite. Nos pontos negativos a unanimidade foi similar – o leitor de impressões digitais na traseira, que não achámos mau de todo (é uma questão de hábito).

Com o S8, a Samsung acertou por fim no caminho que andava à procura descobrir nas últimas gerações do Galaxy S. Desde o S5, a sul-coreana experimentou com ecrãs curvos, ecrãs grandes, carregamento rápido, resistência à água, customizações do Android, câmara fotográfica nocturna, acabamento metalizado… Com o S8 parece ter colocado tudo o que aprendeu num só telemóvel – aumentando-lhe o preço, mas já la vamos.

Os S5, S6 e S7 já tinham sido bons telemóveis com múltiplos pontos fortes – ecrã com cores vibrantes e bem definido, câmara, boa bateria… No S8, essa excelência mantém-se mas foi melhorada com um toque de design. O ecrã passou de 16:9 para 18:9 polegadas, um aspect ratio pouco convencional e estreado no LG G6.  Os lados arredondados fazem a tela confundir-se com o revestimento metalizado, disponível em três cores: cinzento escuro, cinzento claro e azul. A Samsung já tinha experimentado o ecrã curvo com o Edge, agora colocou a curvatura nos dois equipamentos: o maior (S8+) e o mais pequeno (S8).

A Samsung não esticou apenas o ecrã do S8, aumentou-o ligeiramente dos lados. As dimensões passaram de 5,1 para 5,8 polegadas no modelo pequeno (S8) e de 5,5 para 6,2 polegadas na versão S8+. Sem moldura, o ecrã aumentou mas o tamanho do equipamento não (pelo menos, significativamente). Esta é a principal vantagem do “ecrã infinito”: uma tela grande num smartphone normal. Os dois tamanhos são fáceis de manusear, apesar de o uso só com uma mão não ser possível no maior. O S8 é o melhor para quem procura conforto.

A câmara traseira é óptima e a frontal não fica atrás, comprovando mais uma vez a excelência da Samsung neste capítulo. Podes esperar boas fotografias em praticamente todas as situações, incluindo com pouca luz – imagens bem definidas (tens 12 megapixels para tal), bem focadas e com boas cores. Para além disso, estão disponíveis algumas funções como o modo Pro com opções manuais de ISO, abertura, etc. Podes gravar as fotos em formato RAW para uma melhor edição no Photoshop. No vídeo, o S8 é capaz de filmar em 4K e também a 60 fps, sendo nesse caso a resolução máxima o 1080p. Na frente, tens um sensor 8 megapixels.

A bateria dá geralmente para um dia ou um dia e meio de utilização.carregamento rápido para quando precisares de bateria em pouco tempo e modo de poupança de energia para quando não tiveres um carregador por perto. Andar com cabos atrás não é algo que vais fazer com o S8.

Quanto ao sistema operativo, a Samsung pegou no Android 7.0 e fez uma melhor versão. Bonito e prático, pisca o olho ao iOS e ajuda a afirmar a elegância material do S8. Nota-se o cuidado que a Samsung teve em cada detalhe, em cada botão, em cada menu, em cada app. Ao longo dos anos, a Samsung experimentou diferentes customizações do Android e também neste campo parece ter finalmente acertado. O sistema operativo corre sem problemas graças ao processador Snapdragon 835 e aos 4 GB de memória RAM; e não terás problemas de espaço com os 64 GB disponíveis (expansíveis até 256 GB com cartão de memória externo).

O Galaxy S8 é resistente à água e a poeiras. Também o é a quedas, mas a construção envidraçada e de alumínio pode deixar algum receio de eventuais acidentes.

Ponto negativo para a Bixby, a assistente pessoal que a Samsung está a desenvolver como alternativa ao Google Assistant (que também está no S8). Porque é que a Samsung está investir nisto, estando a Google bem mais avançada?

Quanto ao preço, bem… o Galaxy S8 é um telemóvel que gostamos de ter mas do qual não precisamos – da mesma forma que não precisamos de um iPhone. Há opções mais baratas, com especificações parecidas, que cumprem as necessidades do dia-a-dia de grande parte de nós.

O S8 é um topo-de-gama e cada vez mais os topo-de-gama são caprichos tecnológicos/de marca. Os 820 euros que custa o S8 e os 920 euros a que é vendido o S8+ não representam uma relação qualidade/preço equilibrada – estamos a pagar não só pelo produto, mas pela marca “Samsung” e pelo design. Os topo-de-gama estão a ficar acessórios de moda e de luxo e não são apenas os da Samsung a aumentar de preço – o novo patamar dos 800 euros para um tipo de equipamento que outrora podia custar 600 ou 700 foi puxado pela Apple, com o aumento do preço do iPhone 7 relativamente à geração anterior.

O Galaxy S8 é, sem dúvida, o melhor smartphone para quem procura uma conjugação de design e tecnologia topo-de-gama. Com esta sua última aposta, a Samsung ultrapassou por fim o patamar de excelência e inovação que durante muitos anos foi dominado pela Apple. Resta saber quanto tempo vai o Galaxy S8 aguentar-se no trono – é que o novo iPhone está a apenas alguns meses de distância.

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