Pela primeira vez, uma partícula foi teletransportada para o espaço

Nas últimas experiências o resultado máximo teria sido os 5 km, nestes testes foram atingidas distâncias de perto de 480 km.

Pela primeira vez na história do Homem uma partícula foi teletransportada para o espaço. Não falamos propriamente de um objecto, como algumas headlines mencionam, mas sim de uma partícula elementar, um fotão. Os autores da proeza são uma equipa de investigadores chineses que sintetiza o seu sucesso num relatório no site de acesso livre, arxiv.

Esta experiência é única pelo record de distância estabelecido e, claro, pelo facto de como destino final estar um corpo em órbita e surge sensivelmente um ano depois de se começar a sustentar a técnica do Quantum Entaglement, em português algo como Entrelaçamento Quântico, com os primeiros testes feitos fora de laboratório.

Quem deu conta do feito da equipa de cientistas Oriental foi a MIT Technology Review que dá nota do feito em causa que multiplica praticamente por 100 a distância máxima a que se teletransportou alguma vez uma partícula. Nas últimas experiências o resultado máximo teria sido perto de 5km, nestes testes foram atingidas distâncias de perto de 480km.

An impression of China's Micius quantum satellite.
Imagem do Satélite Micius, o recepto de fotões.

Os testes terão durado mais de um mês durante o qual a equipa de cientistas chineses terá tentado enviar milhões de partículas da sua base, em terra, até um satélite de baixa distância por cima do Tibete, tendo sucedido no objectivo cerca de 900 vezes. Para o efeito a equipa de cientistas trabalhou com milhares de pares de fotões que ia dividindo à medida que enviava uma das partículas para o satélite que todos os dias por volta da meia noite sobrevoa o espaço chinês.

Na nota do MIT Review surge uma tentativa de explicação comum para esta técnica quântica bem reveladora da sua complexidade e estranhesa e que deixamos para fechar este artigo: “O entrelaçamento quântico é um fenómeno estranho que acontece quando objectos, como fotões, se formam no mesmo instante e ponto, partilhando a mesma existência”, se continuas com dúvidas, podes sempre ver estes vídeos e preparar-te para as próximas vezes que falarmos do assunto que deve agora ganhar uma nova força com o sucesso da experiência chinesa.

É importante referir que apesar da excitação gerada em torno desta experiência e de vulgarmente podermos chamar teletransporte à migração do fotão, o contributo dos cientistas chineses abre sobretudo novas possibilidades no campo da física quântica. É a observação do comportamento do par de fotões à distância, e a partilha de informação entre eles que torna os resultados tão optimistas, dando novas indicações à comunidade científica sobre o comportamento deste tipo de unidade de matéria. Em suma e para que não restem dúvidas: o que se teletransportou até ao receptor de fotões em órbita não foi propriamente um objecto e, em bom rigor, nem uma partícula, apenas informação sobre esta. A computação pode mesmo ser uma das áreas que mais rapidamente pode beneficar deste tipo de avanços, com realidades como o Gizmodo explora no seu artigo, como a internet e encriptação quântica.

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