Tudo o que precisas de saber sobre as bicicletas partilhadas de Lisboa

O Lisboa Bike Sharing está em fase piloto no Parque das Nações e vai ser alargado depois a toda a cidade.

Lisboa bicicletas partilhadas

Cerca de 75% das ruas de Lisboa são planas, isto é, apresentam declives inferiores a 5%. Esses valores fazem da capital portuguesa uma cidade ciclável – não para toda a gente, mas para imensa gente. É a pensar nessas pessoas que a EMEL, empresa municipal de mobilidade, está a lançar uma rede de bicicletas partilhadas. As primeiras estações estão instaladas no Parque das Nações e está a decorrer um teste piloto aberto à comunidade.

Para já, estão instaladas 10 estações e disponíveis 90 bicicletasum terço são bicicletas convencionais; os outros dois terços são bicicletas assistidas electricamente, isto é, possuem um pequeno motor que ajuda no arranque e nas subidas. Uma proporção que se vai manter quando a primeira fase da rede estiver completa. Nessa altura, existirão 1410 bicicletas em 140 estações, distribuídas por boa parte de Lisboa. Terás estações na baixa e ao longo do rio entre o Cais do Sodré e Belém; ao longo da Almirante de Reis até à Alameda; na zona universitária e perto de outras faculdades; entre o Marquês do Pombal e o Campo Grande, sem esquecer a Avenida da Liberdade e toda a zona do Saldanha, São Sebastião, Campo Pequeno e Entrecampos; e também nos bairros de Alvalade e Telheiras.

Durante esta fase piloto, a rede é de utilização gratuita e exclusiva dos participantes, e está disponível todos os dias entre as 7 e as 22 horas. Se quiseres testar  e ajudar a melhorar o sistema antes do seu lançamento, a EMEL tem abertas as inscrições para “beta testers”. Em troca, pede apenas que partilhes, através de um grupo de Facebook, a tua experiência – pontos positivos e aspectos a melhorar.

Num futuro próximo vais poder pegar numa bicicleta numa determinada estação e deixá-la noutra, próxima do teu destino, desde que a utilização não exceda o limite de tempo – que neste período experimental é de 30 minutos. A rede baseia-se numa aplicação para iOS e Android, que, uma vez aberta no teu telemóvel, vai indicar-te a estação mais próxima e recomendar-te uma bicicleta com base em diferentes critérios – nomeadamente nível de bateria, avaliações anteriores de viagem e a tua preferência por veículos convencionais ou assistidos electricamente (podes indicá-la nas definições da app).

De notar que uma bicicleta assistida electricamente não é uma bicicleta eléctrica. A diferença é que é preciso pedalar para o motor auxiliar a deslocação e essa ajuda quando se circula a menos de 25 km/h. Por se utilizar este tipo de bicicletas, não existe a obrigatoriedade de utilizar capacete.

Não tens de seguir as recomendações da aplicação e podes ver no mapa todas as estações próximas de ti e o número de bicicletas disponível em cada uma: quanto mais preenchido de azul o pin da estação estiver, mais bicicletas disponíveis existem; quanto mais branco, mais docas livres há. Assim consegues saber onde existem bicicletas e onde há espaço para deixar a tua no final de uma viagem.

Quando um utilizador selecciona uma bicicleta para desbloquear, precisa de estar à beira da estação, uma vez que tem 15 segundos para pegar nela, caso contrário volta a ficar disponível para outros utilizadores. As docas têm um sinal luminoso que varia entre verde e vermelho, consoante esteja operacional ou não. Uma doca pode não estar disponível por avaria da mesma ou da bicicleta nela atracada, ou porque o veículo não tem energia suficiente para sair e precisa de mais tempo de carga. A distribuição de estações tem em conta um conjunto de critérios. Entre eles, pressupõe que, se não existirem bicicletas disponíveis ou docas livres num determinado momento, o utilizador poderá fazer uma curta deslocação até outra estação.

Uma viagem com uma bicicleta convencional durante 30 minutos deverá custar 0,10 euros; com uma bicicleta assistida eletricamente será de 0,20 euros. Mas se fores um utilizador regular, o custo máximo por mês do serviço será de 4 ou 8 euros, dependendo do tipo de bicicleta que usas. Sempre que a viagem dure mais de 30 minutos, terá um custo acrescido, permitindo assim que o maior número de pessoas possível possa aproveitar a rede.

utilização das bicicletas da rede obriga à subscrição de um passe diário, mensal ou anual, sendo o custo de 10, 15 e 25 euros, respectivamente.  No caso de acesso por um dia, o custo de utilização (os tais 0,10 e 0,20 euros) está incluído no valor pago – ou seja, um utilizador pagar apenas 10 euros e não mais do que isso.

A rede partilhada de bicicletas de Lisboa terá como principal foco quem reside e/ou trabalha na capital, mas estará acessível a visitantes. Ainda não está definida a solução para empresas poderem inscrever um conjunto de colaboradores, mas é um tema que está em análise, refere fonte da EMEL.

Uma vez concluída uma viagem, podes através da aplicação deixar uma avaliação ou informação que possa ser útil para alertar a equipa de manutenção. Através da app, será possível reportar falhas, anexando uma fotografia da bicicleta ou de algum pormenor que necessite ser visto. A manutenção dos equipamentos é fundamental num sistema como Lisboa Bike Sharing, utilizado por muita gente e disponível na rua, e acontecerá tanto a nível preventivo como correctivo, quando necessário.

Uma nova alternativa de mobilidade

A rede de bicicletas partilhadas de Lisboa vai trazer à cidade uma alternativa de transporte que pode ser conjugada com outras modalidades, como o metro ou autocarro, e que, de acordo com a EMEL, pode ajudar a reduzir o tráfego rodoviário e das externalidades associadas (congestionamento, emissões de gases, ruído e sinistralidade).

Sistemas de bike sharing existem nas principais capitais europeias. Existem em Londres, Madrid, Paris, Berlim e por aí fora. São soluções de mobilidade para cidades planas e zonas planas de cidades com relevo, adequadas a curtas distâncias. A bicicleta é, aliás, o transporte mais rápido em percursos entre 3 e 5 km e o mais competitivo entre 3 e 8 km.

Pensar a mobilidade de uma cidade é pensá-la em todas as suas formas. O carro é apenas uma opção para nos deslocarmos entre um ponto A e um ponto B, mas nem sempre é a melhor escolha. E uma grande metrópole deve proporcionar facilidades para todas as outras formas de mobilidade, como as motas, os transportes públicos, as bicicletas e também o andar a pé.

Lisboa foi, durante muitos anos, uma cidade feita e pensada para carros. A culpa – se ela é existe – não pode ser apenas da classe política, uma vez que a cultura popular posicionou o carro como um objecto de ostentação e de necessidade. Actualmente, Lisboa está a passar por uma transformação importante no que toca a mobilidade. Além do investimento nos transportes públicos com vista ao melhoramento quer da Carris quer do Metro, está a surgir na cidade uma infraestrutura ciclável cada vez mais completa, com mais ciclovias e faixas cicláveis em estradas de baixo tráfego automóvel, estacionamentos para bicicletas e experiências como as chamadas Zonas Avançadas Para Bicicletas, que permitem aos velocípedes colocar-se à frente do restante trânsito em semáforos vermelhos.

Arriscamos a dizer que esta rede de bicicletas partilhadas vai ser a maior transformação na mobilidade em Lisboa desde a chegada do Metro, há cerca de 50 anos.

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