Pode ter-te passado despercebido: a Estónia assumiu a presidência da UE

É o percurso regular dos Estados-membro da UE, uma vez que a presidência do Conselho Europeu é rotativa a cada 6 meses.

A Estónia preside à União Europeia desde 1 de Julho. É o percurso regular dos Estados-membro da UE, uma vez que a presidência do Conselho Europeu é rotativa a cada 6 meses. Este estatuto é uma oportunidade para um país membro da UE ganhar visibilidade e autoridade para influenciar a política comum.

Há uma série de iniciativas políticas, como conferências entre Estados ou proposta de acção, também há eventos culturais a acompanhar o mesmo período. Economia aberta, cidadania electrónica e cibersegurança serão os pratos fortes.

Por exemplo, quando Portugal assumiu o mesmo cargo em 2007, no topo da agenda estava a concretização do Tratado de Lisboa, a Cimeira UE-Brasil e a Cimeira UE-África. A ideia passou por inclinar a União Europeia para sul e oeste e explorar as ligações culturais proveniente da história comum e da língua portuguesa. No final, o objectivo é sempre aumentar o poder do país, demonstrando conexões e criando pontes, que sem ele seriam impossíveis.

Do mesmo modo, a Estónia procura agora fazer a sua influência sentir-se na União Europeia. O país é muito pequeno, com 1,3 milhões de habitantes. Declarou a independência da União Soviética a 20 de Agosto de 1991, após um domínio de meio século que começou na 2ª Guerra Mundial. Continuamente tem-se juntado às instituições ocidentais, fazendo parte da NATO e, obviamente, da UE, desde 2004. Foi o primeiro dos países do Báltico a fazer parte do Euro, moeda única. A integração fez-se rápida e eficaz, e hoje a Estónia é um país absolutamente obcecado com tecnologia de informação, promovendo todas as formas de desenvolvimento de start-ups e plataformas de empreendedorismo. O investimento público é feito de uma forma enorme em infra-estruturas e educação relacionadas com o digital. Desde 2014 que tem um programa de residência electrónica para facilitar toda a burocracia necessária a negócios, processamento de transferências bancárias, registos oficiais, aberto não só a nacionais estonianos, mas também aberto a restantes nacionalidades.

São estes os vetores que guiam o programa da presidência da UE da Estónia. O lema é “unidade através do equilíbrio”. Uma olhadela rápida às prioridades do programa mostram o que orienta o país e onde quer projectar a sua influência: uma economia europeia aberta e inovadora, uma Europa segura e protegida, uma Europa Digital e a livre circulação de dados e uma Europa inclusiva e sustentável. Numa entrevista ao Público em Junho, o Primeiro-Ministro estoniano, Jüri Ratas, mencionou todas as prioridades, referiu os desafios comuns dos países do sul e dos países leste de origem estatal e de grupos terroristas não estatais, grupos terroristas e grupos que podem fazer ataques informáticos. A Estónia foi alvo de ataques informáticos em 2007 por parte da Rússia.

O país continua com o trauma de 1939, quando a invasão da União Soviética terminou com uma curta independência de 20 anos. O pesadelo de invasão voltou ao presente com a crise na Ucrânia do Inverno de 2013. Essa relação com países da ex-URSS está presente no programa, com eventos na Parceria de Leste, iniciativa que engloba os países do Cáucaso, Arménia, Azerbeijão, Geórgia, e restantes países que separam a UE da Rússia, Moldávia, Bielorrússia e Ucrânia. Será interessante ver até onde a capacidade de influência da Estónia e que legado terá a sua presidência.

Teremos de esperar até 1 de Janeiro para perceber a influência da presidência rotativa da Estónia em Portugal. Espera-se um aumento dos programas e conferências relacionados com tecnologia de informação. Em termos de eventos culturais, já há um concerto do grupo folk Trad.Attack marcado para 3 de Agosto, em Chaves, no Festival Identidades. Para já, é a única iniciativa marcada no âmbito desta presidência no nosso território.

Texto de: Miguel Melo
Editado por: Mário Rui André

Previous The School of Life vem a Lisboa
Next Cory Henry e a Metropole Orchestra juntos numa rendição perfeita do Purple Rain