Seis meses de administração Trump, seis meses de escândalos

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Do encontro entre Donald Trump Jr. com uma advogada russa em tempo de campanha eleitoral, à acusação infundada de que Obama teria colocado escutas na Trump Tower. Quase 180 dias após tomar posse como presidente dos EUA, Donald Trump detém actualmente uma percentagem de aprovação de apenas 38,4%, aponta o site FiveThrirtyEight.

Diz o site que Trump é o primeiro Presidente dos Estados Unidos a manter-se no limiar mais baixo de aprovação presidencial desde o mandato de Harry S. Truman (1945- 1953). As estimativas do jornal Huffington Post também não se afastam muito das percentagens obtidas pelo FiveThrirtyEight, com uma taxa de aprovação de 40% e reprovação de 55,4%.

Há seis meses na Casa Branca, a administração Trump tem estado ligada a vários escândalos, a maior parte provocados directamente pelo 45º Presidente dos EUA e que têm contribuído para os resultados de sondagens acima apresentados.

Os contactos com a Rússia

O mais recente foi a reunião do filho mais velho de Trump com uma advogada russa, Natalia Veselnitskaya, ainda em tempo de campanha, com o propósito de obter informações “úteis” que poderiam abalar a campanha da adversária democrata, Hillary Clinton. O encontro, que teve lugar na Trump Tower, em Junho de 2016, foi confirmado por Trump Jr., que assegurou que o pai desconhecia a existência do encontro e que dessa conversa não foi retirada nenhuma informação usada contra Clinton. Veselnitskaya, que também confirmou o encontro à NBC, nega ter alguma relação com o Governo russo, ao contrário do que o jornal The New York Times escreveu quando publicou a primeira peça sobre o assunto. Note-se que a reunião em causa vai contra as declarações de Donald Trump, que sempre afirmou que a sua administração não teria mantido contacto com cidadãos russos durante a campanha para as Presidenciais.

O despedimento do director do FBI

Esta foi também uma das acções de Trump que abalou a imagem da Casa Branca. James Comey era, à data, o responsável pela investigação que pretendia averiguar se a administração de Trump teria mantido relações com o Governo russo durante a campanha eleitoral, a fim de favorecer a eleição do republicano a 8 de Novembro de 2016. A causa do despedimento, segundo o líder norte-americano, foi a forma como o director do FBI conduziu a investigação sobre a utilização, por parte de Hillary Clinton, de um servidor privado para o envio de e-mails durante a campanha. Um assunto que continua sem uma explicação lógica, dado que Trump teria afirmado, em Janeiro deste ano, que Comey continuaria no cargo. A legislação dos EUA permite que o Presidente da nação demita, por qualquer razão, o director do FBI. Esta decisão foi vista pelos democratas e até por alguns republicanos como errada, visto ter posto em causa o valor de imparcialidade e independência da polícia federal norte-americana.

As acusações contra Barack Obama

Em Março deste ano, Trump acusou o antecessor, Barack Obama, de colocar escutas na Trump Tower antes de 8 de Novembro de 2016. A acusação, feita pelo Twitter, não foi sustentada por qualquer prova e o porta-voz de Barack Obama fez saber, no mesmo dia, que o ex-presidente dos EUA nunca ordenou vigiar Trump ou qualquer outro cidadão norte-americano. A acusação surgiu numa altura em que já decorriam suspeitas de ligações entre responsáveis russos e assessores e conselheiros do actual líder dos EUA.
Em Fevereiro deste ano, Trump afirmou acreditar na existência de fraude eleitoral durante as eleições. Em entrevista à Fox News, o presidente dos EUA afirmou existir registo de que houve “pessoas já mortas”, “[pessoas] ilegais” e “pessoas que estão registadas em dois estados e que votaram nos dois estados” que votaram nas eleições presidenciais. Nesse sentido, Trump ordenou uma comissão chefiada pelo vice-presidente Mike Pence. A mesma acusação já havia sido feita por Trump em Novembro de 2016. Até à data, nada foi provado.

O (também) despedimento do Conselheiro Nacional de Segurança

Também em Fevereiro, Trump demitiu Michael Flynn depois de estar claro que o então Conselheiro Nacional de Segurança teria mentido sobre o teor das conversas que manteve com o embaixador do Kremlin, em Washington. Flynn foi acusado de ter discutido com o embaixador russo as sanções que seriam aplicadas pelos EUA à Rússia, devido à interferência russa nas eleições, tendo aconselhado o país a não reagir excessivamente com a promessa de que, após a tomada de posse de Trump, o processo seria revisto. Flynn apenas se manteve no cargo três semanas. A demissão do ex-conselheiro nacional de segurança foi a mais rápida de sempre numa administração presidencial daquele país.

Texto de: Judite Rodrigues
Editado por: Rita Pinto

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