O Nuno Sarmento estuda arquitectura no Porto, a melhor faculdade do país nesta área, mas nos tempos livres dedica-se ao desenho e ilustração. Com 21 anos, é já um repetente no 180 Creative Camp. “Sabia com o que contar e, mesmo assim, fui surpreendido, conta-nos por e-mail.

Quase sempre de caderno na mão (foi oferecido um a todos os participantes), registou desenhos e pensamentos de semana bem passada em Abrantes, no interior do país. “Talvez contaminado pela febre de criar, tentei registar vários momentos que me foram marcando, explica. “O meio utilizado foi o desenho. Através de esquiços, tentei retratar a realidade com que me ia cruzando. O resultado foi uma série de desenhos que, embora físicos e estacionários, representam deambulações, gestos, diálogos, pessoas e circunstâncias.”

Nuno partilhou o caderno do Camp no seu Behance, mas podem encontrar o restante trabalho no Facebook. A página tem estado parada desde que realizou a sua última exposição no Porto (o trabalho na faculdade apertou), mas Nuno já anda a magicar ideias para um regresso.

No e-mail que nos enviou, Nuno fala um pouco sobre a sua experiência neste 180 Creative Camp. Diz que foi uma edição que o marcou “pelo espírito de grupo e força de conjunto que senti ter vindo a crescer ao longo de toda a semana”. E explica: “A distinção entre participantes e artistas convidados, isto é, entre criadores no início do seu percurso e artistas já de renome pareceu dissipar-se rapidamente, se é que alguma vez chegou a existir. Desde cedo que eramos apenas pessoas com vontade de criar unidas na mesma cidade pelo mesmo objetivo – tornar Abrantes cada vez mais acolhedor, tanto para si como para todos os que a visitam, crescendo também pessoalmente e artisticamente com a experiência.”

Esta convivência sem barreiras é uma das características mais apontadas por quem visita o Camp: “Marcou-me estar sentado na cantina junto de pessoas já com portfólios espectaculares, conhecidos internacionalmente, e estarmos a falar de festivais e interesses em comum, ou estar à noite a tomar um copo com outros artistas impressionantes e estarmos a falar de arte ou simplesmente a dançar. Não havia barreiras de importância, nem conceitos, nem preconceitos, apenas pessoas”, contou ainda Nuno. No final de contas, o que importa é “aproveitar o que se está a fazer e aprender com os outros novas formas de o fazer”.

Nuno Sarmento diz ter gostado dos workshops, especialmente do do portuense Diogo Aguiar Studio, que consistiu na “reabilitação de uma praça existente na bifurcação de duas ruas, uma praça quase triangular”. Um espaço “degradado e esquecido” que ganhou uma nova vida com uma intervenção que “não podia ter sido mais simples”. O Nuno explica: “A praça foi limpa, todo o lixo desapareceu. Os canteiros foram novamente enchidos de flores. As paredes sujas foram limpas e caiadas, ficando o branco a brilhar. E finalmente, um conjunto de cadeiras que foi sendo feito durante a semana foi lá posto. O resultado é uma praça nova, utilizável e convidativa, e o esforço, distribuído por todos, não custou nada. Esta actividade fez-me refletir sobre como é que movimentos simples e esforços colectivos podem mudar para melhor a vida de muita gente, e os próprios padrões diários de muitos dos cidadãos.

“Foi definitivamente uma experiência rica e refrescante. Saio de lá pronto para fazer mais, ainda com os dedos quentes e prontos a criar. Sonho já com a próxima edição, conclui.

Previous 180 Creative Camp: um evento tão difícil de explicar
Next Crescem as proibições do véu islâmico na Europa