Uma semana de férias. Uma semana no interior quente de Portugal. Uma semana para ser criativo e despretensioso. Uma semana de workshops e palestras. Uma semana de inspiração. Uma semana para fazer e desfazer. Uma semana para conhecer uma nova cidade.

Uma semana que é tanta coisa não pode ser fácil de explicar. O 180 Creative Camp, organizado pelo Canal180, não tem uma definição fechada mas já soma seis edições, cinco delas em Abrantes, bem no centro de Portugal. Todos os anos, durante oito dias em Julho, o Camp (como é mais conhecido entre os veteranos) leva a esta cidade do interior uma centena de jovens de diferentes nacionalidades mas com a mesma paixão pelas artes. Deixam os medos em casa; chegam de mente aberta, com vontade de expandir horizontes e portfólios, fazer novas amizades e, claro, passar uma semana inesquecível.

Turismo no centro histórico de Lisboa, criatividade no de Abrantes

A gentrificação é um fenómeno que está a afectar várias metrópoles pelo mundo fora, mesmo as mais pequenas. Consiste na migração das pessoas para zonas periferias da cidade. Se – bem ou mal – Lisboa está a potenciar o seu centro histórico para turismo, Abrantes aproveita-o para, pelo menos uma vez por ano, trazer uma nova geração de criadores. A população, que por este pico de calor de Verão se resguarda na frescura das suas casas e na sombra dos cafés, mostra o seu lado mais hospitaleiro e o dever de preservar as obras que o Camp vai deixar na cidade.

Não é fácil resumir o 180 Creative Camp numa palavra ou frase. É daqueles eventos meio experimentais, que não têm um formato fechado e que, a cada edição, procura inovar nos mais valiosos detalhes. O pouco mediatismo que recebe ajuda também a que a pergunta “o que é o 180 Creative Camp?” seja difícil de responder. É que o jornalismo o que faz é, entre muitas outras coisas, descrever e classificar acontecimentos. Ora, se pensarmos num daqueles grandes festivais de Verão, todos sabem o que é, todos falam dele e todos vão. Mas aqui para mim, que nem sou artista e que fui ao 180 Creative Camp pela primeira vez (para matar a curiosidade acumulada há algum tempo), estas iniciativas menos conhecidas, mais pequenas e fora das grandes metrópoles são tantas vezes as mais interessantes. Escapam ao ruído das marcas e dos instagrams. São eventos que unem comunidades, fortalecendo relações offline e online e deixando cada um, mesmo os mais tímidos, contar as suas histórias.

Onde tudo começa

Um jantar com uma vista incrível. Assim começou

Cheguei domingo, de autocarro – apenas 1h45 de viagem de Lisboa. Um jantar no alto de uma colina e com uma vista incrível sob a cidade e redondezas funcionou como primeiro “quebra-gelo” para as cerca de cem pessoas que o Camp juntou em Abrantes. Nem todos eram participantes com bilhete comprado – pessoal da organização, filmmakers e fotógrafos do Canal180 e artistas convidados confiram-se entre a multidão jovem. Bifana no pão, com salada e batata frita no prato, cerveja patrocinada pela Desperados e sidra da Bandida do Pomar acompanharam conversas tão diversas: de “como estás desde o ano passado” a “tu por aqui?”, ou mesmo “desculpem, posso juntar-me a vocês”. Uma playlist baixinha compunha o ambiente.

Jantar de recepção na colina do Castelo de Abrantes

“Bem-vindos. Somos mais ou menos 100 pessoas de 10 países aqui. Durante esta semana, usem a vossa criatividade para criar algo que seja significante para este local, para vocês e para todos nós no futuro”, interrompeu João Vasconcelos, fundador e director do Canal180, quando a noite já tinha caído. “Agora vamos ter um concerto.” Era dos Holly Nothing, o primeiro nome do lado festivaleiro do Camp – uma facção do programa que é de acesso público e gratuito, para toda comunidade de Abrantes e não apenas para os participantes. O grupo do Porto veio apresentar Speed of Sound, disco ainda fresco, que calhou bem num início de noite semi quente.

Os Holly Nothing

“Gosto de ver o Camp como uma personificação física do Canal180”, disse Luís Fernandes, com quem me sentei para perceber melhor o 180 Creative Camp e o que se esperava no resto da semana. O Canal180 é mais quem um canal de televisão e que uma produtora de vídeo – “quisemos ser uma plataforma para uma nova geração de criadores e, nesse sentido, desenvolvemos uma rede internacional de pessoas e entidades com quem vamos colaborando. O Camp é onde essa rede de contactos e colaborações, acumulada ao longo da existência de Canal180, ganha um rosto físico e é, ao mesmo tempo, aumentada.

Uma rede de criadores, uma rede de criativos

Para Luís, um Camp é “reunir um conjunto de pessoas num espaço e no tempo”. E neste 180 Creative Camp a ideia é juntar pessoas com quem nos interesse estar, sejam elas jovens profissionais ou pessoas mais estabelecidas, sejam portuguesas ou de outra parte do mundo. Têm de ser pessoas que venham cá e acrescentem valor. O Camp é especialmente direccionado para pessoas entre os 20 e os 30 anos, mas outras idades são bem-vindas. Procuram-se estudantes, pessoas em início de carreira e freelancers que pretendam mais experiência profissional e que tenham vontade de colaborar com criadores experientes.

Luís Fernandes apresenta o “plano do dia”

“Vamos passar uma semana juntos”, nota. “Não é um festival a que vás das 8 da noite às 2 da manha, e onde anda cada um para seu lado. Aqui somos um grupo. São cem pessoas que almoçam na cantinha da ESTA e jantam num dos restaurantes espalhados pelo centro histórico – devolvemos muito dinheiro à cidade.”

“Tiramos as pessoas da zona de conforto e permitimos que descubram um território novo”, acrescenta. “É muito gratificante a primeira vez de algumas pessoas em Portugal ser em Abrantes.” Porquê Abrantes? Foi “um misto de oportunidade e contexto”, refere: uma cidade “que não tinha um grande evento e queria ser a capital de alguma coisa”. “Achou que podia ser o centro de Portugal e o centro de criatividade. E nós gostámos deste desafio de fazer um evento nacional e internacional numa posição geográfica tão interessante – tem uma historia bonita para contar e também um ponto atractivo para cativar as pessoas.”

Só podia ser em Abrantes

Luís diz-me que o 180 Creative Campo podia realizar-se “em Lisboa, no Porto, em qualquer cidade que nos apetecesse”. Mas certeza que não teria o mesmo efeito: é que só cidades da dimensão de Abrantes proporcionam aquele ambiente de descontração e informalidade que sabe tão bem. Ainda assim, “é o ano em que temos mais gente, nunca tínhamos esgotado”, desvenda. “A capacidade é 100 pessoas, não são 100 participantes, mas quase. A lotação é muito em função do número de camas disponíveis na Pousada da Juventude.”

O 180 Creative Camp são oito dias de colaborações criativas, reúne participantes novatos e artistas experientes, e é essa mistura que faz do evento um lugar de partilha, aprendizagem, criação, encontros“Aqui aprende-se realmente”, dizia alguém no tal jantar do castelo. Domingo, dia de recepção. Segunda, dia para recolher inspiração para uma semana de workshops e outras actividades. A 180 Media Arts Conference fez o seu regresso triunfal em Abrantes, depois de uma primeira edição em Lisboa há dois anos. Inspiradora e desconfortante, apresentou aos participantes alguns dos artistas que nos dias seguintes os iriam acompanhar nos workshops, dormir na mesma Pousada ou almoçar na mesa ao lado.

Uma conferência que inspira e desconforta

Jeff Hamada, artista e criador do BOOOOOOOM, um dos mais reconhecidos blogues de arte, veio de Vankouver para explicar como começou o seu projecto e falar dos desafios da curadoria humana numa era de algoritmos. “Os algoritmos estão a fazer curadoria de forma mais consistente e frequente que pessoas, competir com o que estou a fazer. Então, o que é suposto eu fazer?”, questionou. Em 2008, quando lançou o BOOOOOOOM, não tinha ainda esse problema. O site cresceu com muita persistência – Jeff disparou e-mails para todos os artistas que ia descobrindo online e cujo trabalho achou meritório de destaque. “Em 2008 não havia tantos sites focados nisso, e muitos artistas tinham maus sites. Os artigos do BOOOOOOOM chegavam a mais pessoas que o site dos artistas nos resultados do Google”, contou. Nos minutos seguintes, explicou como um site que começou por reunir trabalhos de criadores se transformou em algo maior, numa comunidade criativa – o BOOOOOOOM passou a ter um lado não curado/espontâneo. Mostrou desafios que lançou no Facebook, aos quais as pessoas responderam em massa, e outros no site. Um dos mais engraçados levou várias pessoas a pedir em comentários a um artigo palavras de encorajamento pessoal e a receber, mais tarde, na sua morada postal essas mesmas mensagem de ânimo. No final da sua intervenção, respondeu à provocação que ele próprio tinha deixado – usou uma analogia simples envolvendo um rio atravessado por um caminho de pedras para explicar que curadoria é uma pessoa estar numa pedra e a outra pedra seguinte, movendo-se os dois em sintonia de pedra em pedra.

180 Media Arts Conference with Jeff Hamada (Booooooom.com) and Chris Unwin (The Creator Class)

Publicado por Canal180 em Segunda-feira, 3 de Julho de 2017

O Creator Class, uma plataforma feita por criativos e para criativos, que reúne storytelling a uma escala mundial, fez-se representar a seguir por um dos seus fundadores. “Às vezes sentimo-nos sozinhos com os nossos blogues e música e projectos de vídeo, mas eventos como este permitem às pessoas encontrarem-se”, apontou Chris Unwin, que antes do Creator Class lançou a Free. “Sou um produto da internet antiga”, apresentou-se. Mas era com um emprego na MTV que sonhava. Conseguiu-o, despediu-se depois para criar a sua empresa de media. Porquê? Os blogues e o Twitter mostraram-lhe pessoas reais e com interesses de nicho fora da TV, que não cabiam naquele formato de massas. Uma nova internet criativa onde “hão havia um director de MTV a definir o que aparecia ou não”, tudo tinha espaço. Criou a Free, uma agência para precisamente juntar estes criadores num mesmo espaço colaborativo, potenciando o seu talento para vender conteúdo a marcas ou fazer produções em conjunto. “Mas tudo começou a mudar”, explicou, e o advento do Instagram trouxe novas possibilidades e o acesso a mais criadores, noutras cidades. O Creator Class já existe há dois anos e promete representar toda a geração de storytellers e empreendedores criativos a uma escala global. Descobrir pessoas e ideias, desenvolver essas ideias, dar suporte de equipamentos, produzir o projecto e partilhá-lo com a comunidade fazem parte dos objectivos do Creator Class, que, além de sessões de palestras, compromete-se a promover exposições e encontros. “Um caminho para desenvolver os criadores em todos nós”, resumiu Chris, antes de terminar com umma frase meio provocadora: “Porque precisamos de VR [Realidade Virtual] ou AR [Realidade Aumentada], se temos R [Realidade].”

Depois de um curto intervalo, o duo artístico PutPut apresentou a sua abordagem icónica à fotografia, à instalação e ao design. Como criar arte com objectos quotidianos, esta é a paixão dos dinamarqueses Stephan Friedli e Ulrik Martin Larsen, que presentearam o público a audiência com o seu melhor portefólio. Trabalhos variados, reveladores de uma inteligência crítica. Um dos trabalhos que Stephan mostrou (Ulrik ficou sentado na plateia) envolveu um quadro de Picasso de 1975, numa experiência de tradução multimédia – o duo enviou essa pintura para uma empresa na Índia, pedindo-lhe uma descrição textual da mesma; depois pegou nesse descritivo e mandou-o para a China, onde requisitou a recriação da obra a partir apenas do texto.. Seguiu-se Antònia Folguera, responsável de conteúdos e comunicação do Sónar+D, uma marca de conferências sobre música à margem do festival catalão Sónar. Numa palestra mais convencional, Antònia explicou como o Sónar+D procura “seguir o que é novo e interessante na indústria da música e tecnologia”, promovendo eventos de discussão em múltiplas cidades e reunindo três comunidades: tecnológica, criativa e de negócios – comunidades que por vezes convivem, outras vezes divergem. Falou também do We Are Europe, uma associação de oito eventos europeus de renome na área da cultura electrónica, ao qual o Sónar+D está associado. A ideia do We Are Europe é “fazer cenas diferentes, sair da zona de conforto e expor as novas coisas”, porque quando se reúne pessoas diferentes e se proporciona conversas entre elas existe inovação.

Andrés Colmenares, um dos fundadores da Internet Age Media, uma plataforma que pensa o futuro dos media, da arte e da aprendizagem num mundo moldado pelas culturas da internet, encerrou a 180 Media Arts Conference. “Quando nos pergunta de onde somos, dizemos que somos da internet”, disse, aludindo aos trocadilhos possíveis com a sigla “IAM” (“I am”). O IAM é um projecto multifacetado, que além de eventos de debate e pensamento intitulados IAM Weekend (que exploram todos os anos um tema diferente), desenvolve projectos de pesquisa e investigação. Em curso está um sobre museus – pensar nos “museus como cultivadores de futuro, não só para preservar o passado” é a ideia-chave. Andrés defendeu o futuro enquanto ferramenta criativa: em vez de tentarmos prever o futuro, devemos tentar criá-lo. Para tal, precisamos de nos afastar das ideias de distopias e pensar antes em utopias – que tipo de utopias? Andrés dá um exemplo: “não ter um futuro controlado pelas empresas que correm a internet”. Foi em redor desta temáticas que o criador do IAM – para quem “a internet não é boa nem má, reflecte quem somos enquanto humanos” – fechou a sua intervenção: lendo uma mensagem fortíssima sobre inteligência artificial e a privatização dos nossos dados, um resumo dos desafios mais importantes do presente e futuro.

180 Media Arts Conference with Antònia Folguera (Sónar+D and We are Europe)

Publicado por Canal180 em Segunda-feira, 3 de Julho de 2017

Concertos gratuitos na cidade

Realizada debaixo do ar condicionado do Teatro de S. Pedro, a 180 Media Arts Conference faz, tal como os concertos, parte do tal programa público e teve entrada livre. Não é todos os dias que nas grandes metrópoles se juntam painéis de excelência como este, muito menos em Abrantes. Incomum também por estes lados é a música que o Camp trouxe. Depois do aquecimento com Holly Nothing no domingo no Jardim do Castelo, foi vez da Surma apresentar o seu EP num cenário invulgar: um parque infantil iluminado. “Só mais uma”, fartou-se o público de repetir. Repetiu tanto que Surma rodou o EP de quatro faixas três vezes.

Surma
Surma

Já depois de me ir embora (regressei a Lisboa na quarta), houve Conjunto Corona no parque de skate, Cave Story junto a uma igreja e Stereossauro, que na segunda, antes da conferência, deu um workshop de introdução ao beatbombing, straching e mixing e do qual podemos extrair dois ensinamentos: 1) “É importante ter personalidade, uma voz, algo que faça a outra pessoa ouvir a nossa voz e dizer, isto é aquela pessoa. Faço isso com o fado”; 2) “O mais importante é a colecção de música de cada artista.”

O workshop de Stereossauro

É preciso um lado formativo

Pela primeira vez, o 180 Creative Camp dividiu-se em três: Academia, Fábrica e Festival (fora a conferência). “Tem de haver um lado formativo”, diz Luís Fernandes. “Dá-nos um bocado de paz de alma, seja a nível de comunicação, seja de organização.” A Academia é para aprender, a Fábrica para fazer, o Festival para curtir. E mesmo com um programa tão completo, há coisas que não aparecem no papel. São exemplos uma futebolada combinada depois do jantar no grupo de WhatsApp do Camp, um “after-party” improvisado num bar junto ao Castelo ou um DJ set espontâneo durante o pequeno-almoço. “É algo que levas para casa, uma memória diferente de uma experiência que tiveste”, nota Luís.

Um jogo de futebol a ser combinado no WhatsApp
Música ao pequeno-almoço

Comunicação online e offline

No WhatsApp do Camp – onde foi sendo partilhado todo o tipo de fotos e vídeos pelos participantes e demais, e que serviu também de canal para esclarecimento de dúvidas e questões variadas ao longo de todo o evento – e nas ruas de Abrantes, o inglês era a língua mais comum. É que o Camp não foi só um encontro de pessoal ligado às artes, mas de diferentes nacionalidades. Uns de Espanha, outros da Polónia, Hungria, Itália, Alemanha, Coreia do Sul… Kyoungmo Kang conta-me que conheceu o Camp através de uma pesquisa no Google, mas Luís realça a projecção que a ligação no ano passado do WeTransfer ao Camp permitiu: “Das cinco pessoas com quem fui falando numa boleia ou qualquer coisa, três foi através do WeTransfer. No ano passado fizemos a campanha com o WeTransfer, cada uma das duas imagem teve 10 milhões de pageviews – ou seja, dois ‘Portuguais’”, ri-se.

Kyoungmo Kang veio da Coreia do Sul até Abrantes

Claro que o bom design e a boa comunicação, espalhada online e offline, também contribuem positivamente. “Todos os anos convidamos um estúdio diferente a tratar do design do Camp – já tivemos desde R2, Jonatan Calugi, Sérgio Alves, Julio Goldberg – uns mais consagrados de outros.” Mas este ano, o Canal180 fez diferente: desafiou o Lourenço Providência e o Diogo Matos, dupla de finalistas da ESAD de Matosinhos. Estão com o Camp desde as primeiras edições, como participantes ou a ajudar a equipa na organização. “Do feedback que vamos tendo da qualidade dos goodies, da diversidade das peças e do oportunismo dos objectos, está a ser um ano excelente, comentou. O Diogo e o Lourenço criaram um “sistema de comunicação”, como descreve Luís: “o lado deles não é só design gráfico, é pensar os objectos”, incluido a sinalética dos locais, o merchandising… “É o único evento a que fui em que a t-shirt não tem uma cena imprensa, tem mesmo a imagem bordada. Eles insistiram bastante e nós fizemos esse investimento”, salientou. “São pequenas coisas que não só nos valoriza, mas que sobretudo tem a ver com construção de experiências.”

O Lourenço Providência
O Diogo Matos

Workshops e o resto

Na terça, os participantes do Camp foram divididos em dois grupos para os workshops que decorreram ao longo da semana, com os PutPut, o Chris do Creator Class, a Inês Nepomuceno e a Polonio Furniture, entre outros. Um misto de Academia e de Fábrica, que resultou em “projectos de intervenção que ficam na cidade” e projectos de comunicação que, mesmo não perdurando em Abrantes, servem para comunicar “o que está aqui a passar” – como este em 2015 e este em 2016.

Workshop de PutPut
Workshop de Creator Class

Mas o Camp “não pode ser uma conversa unidireccional, tem de ser uma conversa bidireccional. Não podem ser só os convidados a falar para os participantes, tem de o contrário também”. Para isso, existe o Portefólio Review, onde os participantes têm a oportunidade de partilhar os seus trabalhos aos artistas convidados. Não o fazem numa sala qualquer aborrecida, mas sim sentados num dos jardins centrais do centro histórico. É uma oportunidade de networking incrível.“Se calhar ha pessoas que daqui vão trabalhar para um estúdio, para alguém que conheceram através do Camp. Podem haver sinergias e relações que se constroem aqui”, comenta Luís Fernandes.

Essa conversa bidireccional acontece também com a apresentação de projectos locais. O objectivo é “apresentar projectos locais, mostrar a esta comunidade que vem de fora alguns projectos relevantes aqui de Abrantes”. No programa, constam iniciativas abrantinas mas há uma adição de fora. É Thomas Mald, que veio apresentar o seu What Else Europe?. “Ele tem um discurso muito interesse sobre a Europa, cidadadina, de ser europeu, e do Erasmus e nós todos sermos uma geração pós-erasmus”, resume Luís.

Regressei na quarta a Lisboa – com pena de não ficar mais tempo em Abrantes, com curiosidade com o que aquela malta seria capaz de produzir naquela cidade até ao final da semana, e com a certeza de que esta reportagem seria sempre incompleta. O grupo do Camp no WhatsApp ainda hoje continua a receber novos chats.

Fotos de Miguel Oliveira/Canal180

Obrigado a todos os que fizeram desta uma das edições mais inesquecíveis do 180 Creative Camp. 🙏 Conhece aqui os participantes, artistas, equipa e hosts desta semana inesquecível.

Publicado por 180 Creative Camp em Quarta-feira, 12 de Julho de 2017

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