‘Painted Ruins’, ou “Dos escombros ressurge o monstro”


Este ano, depois de uma demorada espera, assinala-se o regresso aos álbuns de estúdio da banda norte-americana Grizzly Bear. Conhecida pelas suas peculiares texturas e harmonias vocais, é uma banda que por esta altura do campeonato já não precisa de grande introdução – mas que, ainda assim, não é impossível que por lapso tenha fugido à tua atenção.

A sua formação é bastante fora do comum, contando com dois vocalistas à vez, todos eles multi-instrumentalistas, e pega tanto em instrumentos mais tradicionais como a guitarra, o piano e o baixo, como também no banjo, no Omnichord e em instrumentos de sopro. Mentira: Christopher Bear, o homem por detrás dos ritmos, para além de ajudar com jogos vocais, dedica-se exclusivamente à bateria, e desta cria os padrões mais bizarros (embora coesos), tendo uma abordagem quase jazz numa banda que se situa num espectro de folk-rock, ou segundo palavras de outros, pop psicadélico, com a qual talvez se identifique mais.

Desde 2014, ano em que se assinalou o fim da tournée de Shields (quarto álbum da banda, lançado em 2012), que pouco se ouvia falar sobre um eventual regresso ao estúdio, estando Daniel Rossen envolvido noutros projectos (carreira a solo e Department of Eagles). Rossen referia que não havia planos para o futuro da banda. Depois do que pareceu um hiato não assumido, Ed Droste, o fundador do projecto, tanto com teasers nas redes sociais como em entrevista à Rolling Stone em Junho de 2016, revelou que o quinto longa duração já contava ter mãos em obra.

Passado um ano dessa dita entrevista, veio à superfície uma conta oficial da banda no Instagram, que com um padrão decrescente de dias, vinha a revelar cada vez mais teasers, espreitadelas do que poderia vir a ser a sonoridade do álbum. Depois de descoberta a lógica, alguns fãs mais ávidos apontaram 5 de Maio como a data em que a banda ia reaparecer. Revelou-se entãoThree Rings”, o primeiro Single do álbum que estaria por vir. Esta nova canção tem simultaneamente a assinatura sonora da banda e é uma lufada de ar fresco de novos caminhos, com diversas camadas de sonoridades novas e um trabalho de mistura e produção bastante diferente do habitual, com créditos ao baixista Chris Taylor.

Nem 2 semanas passavam e emergia o título, a capa e a data de lançamento do álbum. Painted Ruins chega a 18 de Agosto deste Verão e já espreita os dias portugueses. Para nos distrair do tempo que falta, a banda deixou disponível a audição de mais uma canção, Morning Sound”, com uma sonoridade tão despreocupadamente pop que é capaz de desfazer toda a apresentação feita alguns parágrafos acima.

Para alimentar ainda mais a antecipação pelo disco, a banda apresentou-se no Reddit para responder a um AMA [“ask me anything”] na passada noite de 23 de Maio. Avançaram que a abordagem neste álbum foi algo diferente do que nos registos anteriores; Chris Taylor assume voz principal numa canção em Painted Ruins, nunca antes assinalado no já vasto repertório da banda; falou-se no critério de escolha de vocalista para cada canção; e os vários membros referiram quais as suas mais recentes inspirações musicais. Os fãs tiveram a oportunidade de perguntar as mais variadas coisas, desde se a banda ia pisar os palcos do seu país (até agora, não existem datas da banda a pisar o nosso, infelizmente) até outras perguntas bizarro-obscuras sobre as técnicas de jardinagem de Daniel Rossen.

Por agora, resta-nos esperar e (re)ouvir Yellow House ou Veckatimest, que são boas referências do que talvez possamos esperar de Painted Ruins

Texto de: Vasco Vilhena
Editado por: Rita Pinto