10 anos de ‘Icky Thump’, o último disco dos White Stripes

O álbum que a banda de Jack White trouxe ao Oeiras Alive (agora NOS Alive), no seu último concerto em Portugal.

4 de Abril de 2007. Os White Stripes confirmados na 1ª edição do Oeiras Alive (hoje NOS Alive). Uma surpresa, uma confirmação de última hora. Se bem me lembro, a última grande confirmação de um festival que já contava com Pearl Jam, Smashing Pumpkins e Beastie Boys.

Na altura, a antecipação matinal era grande. Os press releases das promotoras de concertos/festivais, por norma, saíam de manhã. Que confirmações reservariam o dia? Só os White Stripes para fazer desistir dos Arcade Fire no festival da concorrência. Desculpa, Parque Tejo, mas os 45 euros vão para Algés. A decisão revelar-se-ia acertada. Os Arcade Fire, entretanto, vieram mais três vezes, os White Stripes anunciariam o fim dois anos depois. O concerto, esse, sabe quem lá esteve, foi épico. E adjectivar de épico um espectáculo concebido por duas pessoas (sendo que uma delas só procura manter o ritmo no tempo certo) é obra.

Icky Thump surge depois da bem sucedida aventura com amigos de infância de Jack nos Raconteurs. Se há coisa que Jack White sempre fez questão de ter é pessoas de confiança à sua volta. Amigos, família, conjugues e ex-cônjuges. Os White Stripes, para além de projecto mais duradouro, é aquele a que mais facilmente conferimos uma personalidade. Duo rock ‘n’ roll de clara inspiração blues, minimalista, de imagem “Twin Peaksiana”, mas com as cores adaptadas a vermelho e branco.

Mas centremo-nos na discografia dos White Stripes, Icky Thump vem depois do chamado disco de transição que foi Get Behind Me Satain, álbum-água-na-fervura depois de Elephant e “Seven Nation Army” ter contaminado os festivais, as celebrações, os estádios e o mundo. Não surpreend,e por isso, que o 6º dos Stripes soe mais livre que o antecessor. E mais divertido. Esta foi, aliás, uma questão recorrente nas entrevista de promoção ao registo. Jack negou esse lado festivo, mas que é óbvio em canções como “Rag & Bone” ou “Conquest”, esta última reforçada pelo vídeo de promoção.

De “300 M.P.H. Torrential Outpoor Blues”, o próprio viria a dizer que tentou enfiar o maior número de estilos blues possível. Liberdade. E há, claro, a faixa título, canção que ainda há pouco tempo esteve na baila devido ao seu carácter profético imortalizado nas linhas “Why don’t you kick yourself out, you’re an immigrant too”. É um álbum que passa pela América grande parte do tempo, mas também pelo México (cada vez mais profético!) em “Conquest” e pela Escócia em “Prickly Thorn, But Seeetly Worn”.

Na promoção, para além da óbvia opção do vinil, houve edição USB de 512 MB com o álbum. Nas opções menos felizes, a editora terá enviado o álbum para uma rádio que o passou na íntegra e sem autorização da banda. Jack White e o seu temperamento não lidaram bem com a situação. Mas não foi a única situação que tirou o homem do sério. A imprensa passava a vida a perguntar se continuariam juntos e o líder dos Stripes queixava-se que era como se quisessem que a banda chegasse ao fim. Foi a vez da imprensa se tornar profética.

Quanto demora dez anos a passar? No caso dos White Stripes a resposta será seis álbuns. Zero passos em falso.

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