Europa Sobre Rodas: o calor da Grécia #12

Passados 7 meses e 20 000 quilómetros, chegámos à Grécia.

Chegar aqui tem um sabor especial porque este era um dos nossos principais objectivos quando começámos a planear as linhas gerais desta viagem, a partir de agora começamos a nossa jornada para Portugal, que vai demorar cerca de três meses.

Outra coisa que torna a nossa chegada à Grécia especial, é que entrámos ‘’oficialmente’’ no Verão. A primeira coisa que fizemos quando chegámos aqui foi dar um mergulho no mar, algo que já queríamos há muito tempo, depois de tantos meses a viajar no Inverno.

Praia na Grécia
Praia na Grécia

O que nos surpreendeu na Grécia foi a quantidade de montanhas, 80% do território é constituído por montanhas, o que já nos obrigou a fazer subidas, algumas de quase 20 quilómetros, sempre a subir, com 30ºC ! Nunca tínhamos conduzido assim, com estas subidas, e muito menos com este calor, por isso não sabíamos bem como a nossa casa sobre rodas se ia comportar, mas portou-se muito bem, sem aquecer nem nada.

A Grécia até agora é sem dúvida o melhor país para fazer campismo, do que mais gostamos de fazer, o selvagem. Em todo o lado há estradas ao pé do mar, algumas sem nada em volta, onde podemos parar sem problemas, por vezes quase a tocar na água. Ainda não tivemos em zonas cheias de turistas, nem de pessoas, provavelmente porque eles têm 13 000 quilómetros de costa, o que faz com que as pessoas se dispersem mais e haja muitas zonas sem muita gente.

Estacionados a 3 metros da água, numa praiana Grécia
Estacionados a 3 metros da água, numa praiana Grécia

A água é morna, e na maior parte das praias é muito transparente, com peixinhos a nadar junto à costa, ouriços do mar e algumas outras espécies de vida marinha, faz lembrar a água da Arrábida.

Ouriço do Mar
Ouriço do Mar

Houve duas coisas que até agora não gostámos na Grécia, a primeira e a pior é quantidade de lixo que vemos, quer nas estradas, quer nas praias! Pelo que temos visto isto acontece por duas razões, a primeira tem a ver com as pessoas, que poluem bastante, já vimos por exemplo uma mãe a mudar uma fralda a um filho na rua e mandar a fralda para o chão, já vimos pessoas na praia que vão embora e deixam o lixo todo na areia, não são todos claro, mas são bastantes. Nas estradas de montanha ao longo da berma vêem-se montes de garrafas no chão, algo que até agora não nos lembramos de ter visto em nenhum outro país; a outra razão que achamos que faz com que vejamos tanto lixo é a falta de limpeza, ainda não vimos praticamente ninguém a apanhar o lixo e por muitas vezes vemos os caixotes a abarrotar com aspecto de que já não são recolhidos à muito tempo.

A outra coisa que não gostámos muito foi as portagens, mal atravessámos a fronteira e entrámos no país tivemos que pagar 6 euros de portagem, sem hipótese de ir por outra estrada, e às vezes aparecem portagens nas autoestradas sem avisarem que é paga, o que até agora ainda não nos tinha acontecido.

Foi na Grécia que há mais de 3 000 anos começaram as primeiras civilizações ‘’ocidentais’’, primeiro com os Minoicos, depois com os Micenas e finalmente com os ‘’Gregos’’, gregos esses que não são obviamente os gregos que hoje habitam a Grécia, isto porque a época áurea do país acabou há 2 000 anos, a partir daí foram constantemente dominados quer pelos Romanos, Turcos, e outros povos. Isto faz com que pelo país inteiro haja muitos sítios arqueológicos, com bastante interesse, alguns mais antigos que outros e em diferentes estados de conservação, mas na maior parte dos casos são ‘’ruinas’’ devido ao tempo que já passou desde que foram construidos.

Teatro da antiguidade grega, Delphi
Teatro da antiguidade grega, Delphi
Templo Grego, Delphi
Templo Grego, Delphi

Depois de alguma pesquisa decidimos visitar alguns sítios que achámos mais interessantes, o primeiro a que fomos foi em Delphi, uma das principais áreas arqueológicas do país, onde existe o templo de Apollo, e onde antigamente se realizavam os Phytian Games, uma espécie de jogos olímpicos da antiguidade. Achámos esta zona muito interessante, porque embora em ruinas dá para ter uma ideia de como as coisas eram na antiguidade, vêem-se os restos de templos, de altares e outros edifícios e no museu podemos ver estátuas e objectos de cerâmica com mais de 2000 anos, algo que não se vê habitualmente. Outra coisa que torna a vila de Delphi muito bonita é a sua localização, está a 600 metros de altitude, rodeada de montanhas e com vista para o mar!

Delphi
Delphi

Neste momento estamos em Atenas, e vamos continuar pela Grécia na próxima semana.

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