Caso não te tenhas apercebido, hoje é dia de eleições no Reino Unido


Eleições no Reino Unido 2017

Não é este o motivo que tem levado a terra de Sua Majestade às capas dos jornais. O terrorismo sobrepôs-se como sempre à normalidade dos dias e aquelas que são provavelmente as eleições mais importantes dos últimos tempos para Europa e para o Mundo ficaram em segundo plano.

Os britânicos votam hoje numas eleições legislativas determinantes para o processo do Brexit. As assembleias de voto abriram às 7 da manhã. Um total de 46,9 milhões de eleitores são chamados a escolher o próximo Primeiro-ministro, que formará o Governo responsável por negociar a saída do Reino Unido da União Europeia.

Ao todo, concorrem 3.303 candidatos em 650 círculos uninominais, distribuídos por Inglaterra (533), Escócia (59), Irlanda do Norte (18) e País de Gales (40). As eleições no Reino Unido foram antecipadas pela primeira-ministra britânica, Theresa May, líder do partido Conservador, que invocou a necessidade de legitimar o seu plano para o Brexit, nem os inocentes atentados no país demoveram o poder administrativo de levar a sua avante. Além de não ter havido qualquer período oficial de relfexão, ao contrário do que acontece em Portugal, parece não ter havido tempo sequer para a população se debruçar sobre o assunto. Aqueles que ainda não tinham a sua decisão tomada na semana antes das eleições no Reino Unido, viram-na – obviamente – ainda mais dificultada no rescaldo de um ataque que fez 8 vítimas e espalhou uma nova onda de terror no país.

As assembleias de voto encerram às 22 horas, sendo nessa altura divulgadas as previsões feitas pelas sondagens à boca das urnas. Estas poderão indicar a tendência dos votos, mas nem sempre têm acertado no resultado, aliás, as eleições no Reino Unido tem tradição de resultados muito diferentes nas consultas públicas e no resultado final.

Os analistas políticos têm sido cautelosos nas suas projeções, mas de uma maneira geral é possível dizer que o Partido Trabalhista reduziu nos últimos meses a desvantagem nas intenções de voto face ao partido do Governo, tornando o desfecho incerto. Esta manhã a vantagem do Partido Conservador de Theresa May, sobre o Partido de Jeremy Corbyn aumentou para 12 pontos, de acordo com uma sondagem do instituto ICM publicada pelo jornal Guardian. Outro organismo, a Panelbase por exemplo, diz que a vantagem dos conservadores sobre os trabalhistas se manteve estável em 8 pontos, com 44 por cento para o partido de May e 36 por cento para o de Corbyn.

Este artigo explicativo da BBC mostra-te a posição dos dois principais candidatos em temas como a imigração, saúde, educação ou política externa, já o Britain Elects – site que reúne os estudos de opinião que mostram o posicionamento dos britânicos em relação à escolha do próximo Primeiro-Ministro – coloca em destaque um gráfico que mede a evolução das intenções de voto nos últimos dois anos.

Esta manhã, Theresa May fez campanha ao voto no seu partido via Twitter. Promete assegurar um futuro melhor para o país e agradece o apoio dos conservadores envolvidos na campanha.

Já, Jeremy Corbin diz-se determinado em por termo à crise que diz ter-se abatido no Reino Unido depois de uma campanha marcada pelo estado de alerta dos britânicos, o trabalhista vai direto ao assunto e compromete-se com a segurança de todos os que vivem no país.

Corbyn foi sempre visto como um líder muito desacreditado, considerado de extrema esquerda, contestado até pelas alas mais centristas do Partido Trabalhista, mas acaba por ganhar protagonismo neste confronto com Theresa May pela sua autenticidade. É assim que os media o caracterizam, acrescentando que por vezes até o é demais, acabando por fazer alguns comentários inconvenientes, que atacam o sistema onde mais lhe dói, mas prejudicam a sua imagem.

Este cenário tem tanto de mérito de Corbyn como de demérito de Theresa May. Desde faltar aos debates, ao discurso muito formatado e pouco flexível, ao facto de ser uma antiga pro-união que entretanto abraçou o Brexit, que disse que não antecipava eleições e acabou por as antecipar para o momento que mais lhe convinha, a opinião pública tem desacreditado a campanha da actual Primeira-Ministra. Se em teoria, a falta de segurança e os atentados, tendem a favorecer a direita pelo seu discurso mais severo, até nisso Theresa May perde, por ter sido a Ministra do Interior que cortou grandemente na Polícia Metropolitana, ao ponto de ter afetado o funcionamento e capacidade de resposta das autoridades.

O que é certo é que, numas eleições em que há uns tempos a única dúvida era: “por quanto é que Theresa May vai esmagar Corbyn?”, afinal de contas, os dois candidatos estão mais próximos do que se esperava, para serem os líderes de um país a braços com alguns neste decisivo momento.

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