Zuckerberg, Gates e Jobs: histórias e discursos de três “dropouts”

O que podemos aprender com eles?

Zuckerberg, Gates, Jobs
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Mark Zuckerberg não acabou o curso mas regressou esta quinta-feira à Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, onde entrou em 2002 para estudar psicologia e ciência da computação, para receber o grau académico que lhe faltava. Harvard decidiu atribuir ao ex-aluno o diploma do curso como prova de reconhecimento do seu mérito pela criação do Facebook.

Zuckerberg diz que temos de encontrar o nosso propósito

Além de ter recebido o diploma, Mark Zuckerberg fez o discurso de formatura para os finalistas de 2017 de Harvard, tendo sido, com 33 anos, o orador mais novo da história da instituição. O CEO e fundador do Facebook foi introduzido com uma nota de agradecimento por “reconhecer a importância da conexão humana na melhoria da qualidade das nossas vidas”“manter-se firme à missão de tornar o mundo um espaço mais aberto”.

Zuckerberg falou durante cerca de 20 minutos para uma plateia que a todo o custo tentava proteger-se da chuva. No seu discurso, que podes ler na íntegra aqui, defendeu a importância de cada um de nós encontrar o seu propósito.

“O propósito é aquele sentimento de que somos parte de algo maior que nós, de que precisamos, que temos algo melhor por que trabalhar. O propósito é aquilo que verdadeiramente cria felicidade”, disse. “Para que a nossa sociedade continue a avançar, temos um desafio geracional: não só criar novos empregos, mas criar um sentido renovado de propósito.”

Mark Zuckerberg disse que foi por ter um propósito maior – o de conectar o mundo – que conseguiu manter o Facebook nos seus primeiros meses, quando todos queriam vender a empresa. “Depois de uma discussão tensa, um conselheiro disse-me que se eu não concordasse em vender, iria arrepender-me dessa decisão para o resto da minha vida. Os relacionamentos estavam tão desgastados que, ao fim de um ano ou assim, todas as pessoas na equipa de gestão tinha ido embora, contou. “Essa foi uma das minhas piores alturas a liderar o Facebook. Acreditava no que estávamos a fazer, mas senti-me sozinho.”

O ex-aluno tem três ideias para criar um mundo onde todos têm um sentido de propósito: desenvolver projectos grandes e com significado em conjunto; redefinir a igualdade de forma a que todos tenham liberdade para seguir o seu propósito; e criar uma comunidade global.

Mark Zuckerberg tinha anunciado em Março o seu regresso a Harvard para receber o seu diploma, num vídeo com Bill Gates, onde os dois relevam o seu pior lado de representação:

Gates urge-nos a resolver as desigualdades do mundo

Bill Gates é um dropout tal como Zuckerberg. Também ele frequentou Harvard e desistiu dos cursos de matemática e direito no terceiro ano, para se dedicar à Microsoft. Em 2007, Gates fez o discurso de formatura para os finalistas daquele ano lectivo e recebeu o seu diploma, também por mérito. “Pai, sempre lhe disse que voltaria para ter o meu grau” foram as palavras inciais de Bill Gates e que Zuckerberg decidiu honrar quando partilhou uma foto sua com o diploma; “Mãe, sempre lhe disse que voltaria para ter o meu grau”, escreveu.

Voltando a Gates, o empresário falou sobre um grande arrependimento seu – ter deixado Harvard sem consciência das terríveis desigualdades do mundo ao nível de saúde, riqueza e oportunidades, “que condenam milhões de pessoas a uma vida de desespero”.

O desafio, para Gates, é como podemos fazer o máximo com os recursos que temos e estimular o mercado capitalista a resolver as disparidades sociais. É que salvar crianças não dá dinheiro e os Governos também não subsidiam isso – mas “se pudermos encontrar abordagens que satisfaçam as necessidades de maneira a gerar lucro para os negócios e votos para os políticos, teremos encontrado uma maneira sustentável de reduzir a desigualdade no mundo”.

No final, Bill Gates deixou uma nota de esperança para todos os alunos: “E espero que vocês voltem aqui a Harvard daqui a 30 anos e reflictam sobre o que fizeram com o vosso talento e energia. Espero que se julguem a vocês mesmos não apenas pelas vossas realizações profissionais individuais, mas também pelo quanto vocês se dedicaram às mais profundas desigualdades do mundo, pela forma como trataram as pessoas que estão afastadas de vocês e que não têm nada em comum convosco a não ser a humanidade. Boa sorte”

A morte e as outras duas lições de Jobs

Também dropout foi Steve Jobs. Deixou o Reed College porque as aulas o aborreciam. Na sua biografia oficial, escrita por Walter Isaacson, é explicado que a certo ponto Jobs só ia às aulas que queria, como as de dança, onde podia explorar o seu lado criativo e ter oportunidade de conhecer raparigas, ou as de caligrafia, dado o seu entusiasmo pelos pósteres bem desenhados que via espalhados pelo campus. Ao contrário de Zuckerberg e Gates, Jobs nunca foi reconhecido com um grau honorário, mas também ele fez um memorável discurso de formatura.

Foi em 2005, a convite da Universidade de Stanford. Um discurso que já foi visto quase 200 mil vezes no YouTube e que é uma das raras vezes em que Jobs falou em público. O co-fundador da Apple contou três histórias disfarçadas de ensinamentos. Uma delas sobre ligar pontos e como as coisas que fazemos e aprendemos de forma solta podem depois, mais tarde, conjugar-se em benefício pessoal e profissional – “Não podem ligar os pontos a pensar em frente; só podem conectá-los olhando para trás. Têm de confiar que os pontos vão ligar-se de alguma maneira no futuro. Têm de acreditar em qualquer coisa – o vosso instinto, destino, vida, karma, seja o que for. Esta abordagem nunca me deixou mal e fez toda a diferença na minha vida.”

A segunda história de Jobs é sobre amor e perda – sobre como foi um “sortudo por encontrar o que o apaixonava cedo” e como o que perdeu pelo caminho, como o desentendimento com Wozniak ou o despedimento da Apple, fizeram parte natural do processo. “O vosso trabalho vai ocupar uma grande parte das vossas vidas e a única forma de se manterem verdadeiramente satisfeitos é fazer aquilo que acreditam ser um bom trabalho. E a única forma de fazer um bom trabalho é gostar do que fazem. Se ainda não encontraram [o que vos apaixona], continuem à procuram”, disse.

Por último, Steve Jobs falou aos que em 2005 estavam a terminar o seu percurso em Stanford sobre morte. “Lembrar-me que vou estar morto em breve foi a ferramenta mais importante que alguma vez tive para me ajudar a tomar as grandes decisões da vida. Porque praticamente tudo – todas as expectativas, todo o orgulho, todo o medo de embaraço ou falha – estas coisas desaparecem atrás da morte, deixando apenas o que é realmente importante”, disse. “O vosso tempo é limitado, não o desperdicem a viver a vida de outra pessoa.”

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