‘Sonic Forces’: a SEGA acelera para mais um reboot?

Com este novo jogo e uma reedição de 'Sonic Mania', a SEGA quer apagar as más memórias dos últimos anos.

Sonic Forces continua a gerar reações no seio da comunidade gamer. O videojogo da mascote da SEGA, anunciado para a época natalícia deste ano, promete ser “um jogo completamente novo”, segundo a Sonic Team.

O novo título do franchise foi anunciado nas celebrações dos 25 anos do ouriço mais veloz do mundo, em Julho de 2016. Sem nome definido na altura, apenas foi lançado um trailer curto. Um cenário pós-apocalíptico e o regresso do Classic Sonic causavam o furor entre os fãs presentes. A alusão a títulos de sucesso, como Sonic Colors e Sonic Generations, não passou despercebida e aumentou a curiosidade durante seis meses.

Ao contrário de toda a expectativa criada para o lançamento do trailer, através de enigmas e mistérios em diversas publicações, as páginas das redes sociais de Sonic The Hedgehog não revelaram quaisquer pormenores acerca do videojogo. As pistas chegaram apenas no mês de Março, a poucos dias da participação da SEGA no painel da South by Southwest (SXSW), festival de cinema, música e tecnologia que decorreu em Austin entre 10 e 19 de Março. É durante a conferência da multinacional japonesa que os fãs se defrontam com imagens de jogabilidade do próximo título, assim como é desvendado o nome da nova aventura do ouriço azul: Sonic Forces.

As reações não foram unânimes. A maioria dos adeptos da série de videojogos nipónica reagiu com agrado, mas uma quota parte ficou céptica quanto à falta de criatividade da história aparente – “É um Sonic Generations 2”, dizem vários fãs nos comentários do vídeo entretanto carregado no YouTube.

A partir deste momento, as partilhas de sketches e outros detalhes, como o tema musical do jogo, aumentaram nas redes sociais oficiais do franchise. Nas últimas semanas, apareceram finalmente as primeiras imagens e vídeos do modo de jogo clássico: mais um Green Hill Zone, desta vez com algumas alterações, inclusive na melodia que acompanha o nível, que deixou alguns fãs receosos. Apontam falhas como a incompatibilidade da música e mesmo a insistência na repetição de um cenário habitual em grande parte dos jogos da série. Contudo, a maioria aceitou de bom grado o tom nostálgico no qual a SEGA decidiu apostar.

Recentemente, a Sonic Team revelou a grande inovação que faz jus às suas declarações de um “jogo completamente novo”. A equipa apostou na introdução de um terceiro protagonista, mas há uma excepção inédita: pela primeira vez na história da série de jogos Sonic The Hedgehog, a personagem poderá ser totalmente personalizada pelos fãs. Segundo a IGN, a personagem terá um “papel fulcral na ajuda ao Sonic na libertação de um mundo dominado pelo Dr. Eggman” e ainda aparecerá nas cutscenes. O modo Custom Hero permite personalizar a fisionomia da personagem e os seus acessórios, com base em tipos diferentes de personagens do universo da série: Urso, Pássaro, Gato, Cão, Ouriço, Coelho e Lobo. Cada tipo encontra-se dotado de Wispons, características especiais que diferenciam a personagem.

Até ao momento, a maioria do feedback da base de fãs do franchise revela-se bastante positivo e expectante face ao próximo grande título da série. A SEGA está disposta a apagar as más memórias deixadas por Sonic Boom, o mais recente spin off da franquia que, a par de Sonic ’06, compete pelo troféu de “pior jogo” de toda história da mascote da SEGA. Todas as esperanças de regresso ao sucesso da companhia japonesa estão agora depositadas em Sonic Forces, mas não é a única novidade deste ano.

‘Sonic Mania’: velha aposta na fórmula vencedora

Ao longo de três décadas, o canalizador italiano, o infame Super Mario, segue sempre o mesmo guião: a princesa é raptada por Bowser e o nosso herói tem que percorrer das peripécias mais variadas para a salvar. Uma história e jogabilidade simples que, mesmo repetidas, continuam a ganhar adeptos por todo o mundo. Super Mario Bros é, até ao momento, a franquia mais rentável de sempre.

Em 2013, Sonic Lost World tinha a difícil tarefa de igualar ou superar Sonic Generations, jogo bastante apreciado pelo público e tomado como o regresso do ouriço mais rápido do planeta à ribalta dos videojogos. Contudo, a tentativa de retornar aos clássicos e ao estilo cartoon com um cenário 3D ficou aquém das expectativas, não ultrapassando, em média, os 6 pontos em sites como a IGN, GameStop e Polygon. No ano seguinte, a SEGA apresentava um spin off. Um universo totalmente alternativo que contou inclusive com alterações no desenho das personagens, dada a ausência da Sonic Team no projecto. A jogabilidade pouco dinâmica, os glitches e a história pouco envolvente ditaram o fracasso daquele que é das piores vendas do franchise: não atingiu sequer o meio milhão de cópias vendidas a nível mundial.

Após dois jogos que quase puseram em questão a reputação de Sonic The Hedgehog, a companhia nipónica estabeleceu um tempo para redefinir ideias. Passados três anos, surge um grande título que devolve a esperança aos fãs da saga: Sonic Forces. No entanto, era necessária uma solução que fosse infalível e permitisse reconquistar adeptos perdidos ao longo do novo milénio, marcado por um decréscimo constante de vendas. Nas celebrações do 25º aniversário do ouriço, é anunciado Sonic Mania.

Sonic Mania é um regresso aos clássicos, à fórmula vencedora. Produzido pela PagodaWest Games e Headcannon, em parceria com Christian Whitehead, a nova aventura 2D de Sonic retoma o estilo retro da SEGA MegaDrive. O título conta com níveis originais e outros redesenhados de jogos passados: são os casos para já anunciados de Green Hill Zone e Flying Battery Zone. Tee Lopes, compositor português, é o responsável pela banda sonora do jogo. É uma aposta confiante na “génesis” do ouriço azul que marcou a história do gaming na década de 1990.

O lançamento desta nova aventura em 2D surpreendeu a comunidade gamer. “Dez segundos a jogar Sonic Mania e eu já estava totalmente inundado de memórias”, diz Andrew Goldfarb, editor da IGN. “O jogo está a tomar a forma que eu esperava de um regresso ao Sonic em 2D, ao contrário do que o Sonic 4 nunca conseguiu”, acrescenta.

A onda de nostalgia estava prevista para Maio, mas a SEGA não quis repetir o erro de apressar produções de jogos e anunciou o seu adiamento para o Verão de 2017. O jogo vai ser lançado para as PS4, Xbox One, Nintendo Switch, PC e dispositivos móveis.

[texto de Pedro Valente Lima, editado por Rita Pinto]