Ovários impressos em 3D restauraram a fertilidade em ratinhos

Os investigadores acreditam que os ovários "bioprostéticos" podem ser utilizados futuramente em humanos para restabelecer a fertilidade em mulheres que já a haviam perdido.

Os adeptos da impressão 3D dizem que esta tem o potencial para revolucionar a medicina – basta pensarmos em pele, orelhas, ossos e válvulas cardíacas impressas tridimensionalmente. Actualmente, ovários proféticos feitos de gelatina permitiram a ratinhos conceber e dar à luz descendentes saudáveis.

Estes ovários, autênticas obras da engenharia, podem um dia ser usados para restaurar a fertilidade em mulheres sobreviventes de cancro, que se tornaram estéreis devido a esquemas de quimioterapia e radioterapia.

Os investigadores da Northwestern University, nos EUA, empregaram uma impressora 3D que utilizava uma gelatina derivada de colagénio, composto habitualmente presente em ovários animais. Esta construção foi feita através da impressão de vários padrões de filamentos gelatinosos sobrepostos em moldes de vidro – cada molde mede apenas 15 x 15 milímetros.

Posteriormente, a equipa inseriu cuidadosamente folículos de ratinho – estruturas esféricas que contêm ovos em crescimento, evolvidos por células produtoras de hormonas – nestes moldes. Os moldes que apresentavam não só mais fibras, como também fibras mais entrelaçadas, apresentaram uma maior percentagem de folículos sobreviventes ao fim de 8 dias, um efeito que a equipa atribuiu ao melhor suporte físico destes folículos.

Após esta experiência inicial, os investigadores testaram estes moldes mais resistentes em ratinhos vivos. Pegaram nos moldes e implantaram cerca de 40 a 50 folículos em cada um deles, criando um ovário “bioprostético”.

Depois removeram cirurgicamente os ovários de 7 ratinhos e suturaram no seu lugar os novos ovários prostéticos. A equipa demonstrou que os vasos sanguíneos de cada ratinho foram capazes de se infiltrar nos moldes. Esta vascularização é de extrema importância, uma vez que a providencia oxigénio e nutrientes necessários para os folículos permite que as hormonas produzidas pelos mesmo circulem pela circulação sistémica.

Os investigadores permitiram, então, que os ratinhos acasalassem. Três das fêmeas em investigação conceberam e deram à luz descendentes saudáveis. Os ratinhos que deram à luz também foram capazes de amamentar naturalmente, o que prova que os folículos inseridos nos moldes foram capazes de produzir níveis hormonais normais.

A equipa acredita que ovários bioprostéticos semelhantes a estes podem ser implantados em humanos por forma a restabelecer a sua fertilidade, utilizando folículos extraídos previamente da pessoa ou amostras doadas e presentes em bancos de óvulos. Mas para isto ainda tem que ser percorrido um grande caminho. Os modelos de ovários para humanos terão que ser desenhados especificamente para os vasos sanguíneos do futuro hospedeiro devido ao seu grande tamanho.

A vascularização é a principal limitação à impressão 3D de grandes peças de tecido funcional. Uma vez resolvido este problema, pensa-se ser possível a bioimpressão 3D de órgãos prontos a serem implantados.

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