Dois aperitivos e um conselho para o IndieLisboa

Nunca nos esqueçamos que os newbies de agora podem ser os génios de amanhã.

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O IndieLisboa arrancou no passado dia 3 de Maio numa Lisboa a mãos com mil e um eventos. No meio de tanta confusão, começa a faltar o efeito-surpresa a um festival que, apesar dos seus 14 anos, centra esforços para levar à capital o melhor do cinema independente. Entre curtas e longas, documentários e obras de ficção, são mais de 290 os filmes em exibição: uma lista onde com certeza cabem opções para todos os gostos e onde figuram, ano após ano, ilustres desconhecidos que, com mais ou menos experiência,  mais ou menos apoios, continuam a tentar a sua sorte e a contar as suas histórias no desafiante e sempre-em-mutação mundo do cinema.

Licenciados de fresco ou com longas carreiras marginais, são deles (pessoas/realizadores/cineastas) os nomes que mais dificuldade têm em impor-se perante um cartaz que se sintetiza e se simplifica a cada ronda de promoção na imprensa (sim, esta também é uma auto-crítica).

Exemplo disso são Inês de Lima Torres e Maria Inês Gonçalvesduas jovens recém licenciadas, que apresentam na edição de 2017 do IndieLisboa as suas primeiras criações cinematográficas – cujos trailers te apresentamos aqui e agora, como um aviso para que nunca nos esqueçamos que os newbies de agora podem ser os génios de amanhã e que, mais do que isso, por trás da extensa lista de filmes e nomes e nomes e filmes se escondem muitas horas de entrega e dedicação de uma vida que podia ser a nossa. Tivéssemos nós talento e coragem.

Ambos os casos são produções em parceria com a Escola Superior de Teatro e Cinema e têm em comum a direção de produção do também ele jovem – e em semelhante condição – Frederico Mesquita.

De Madrugada, Inês de Lima Torres

De Madrugada é o primeiro trabalho de Inês de Lima Torres e estará em exibição numa das principais seleções para o formato, a Competição Nacional. Conta a história de Alice e os seus irmãos, que se encontram na casa de Verão da sua avó no quente mês de Agosto. Com o crescente passar do tempo, a casa torna-se uma colmeia de corpos assombrados pela presença da avó e pelo seu passado colonial.

De Madrugada não marca a estreia da jovem realizadora nos festivais de cinema. Em 2015, teve uma curta documental, Esta Terra Não É Minha, na programação do Doclisboa. O novo filme vai poder ser visto no dia 7 de Maio, 18h00, e no dia 9, às 21h30, no Cinema São Jorge. O póster é da autoria da própria Inês.

O Meu Pijama, Maria Inês Gonçalves

O Meu Pijama é a primeira criação de Maria Inês Gonçalves e estará enquadrada na seleção Novíssimos. Com exibição marcada para dia 11 de Maio, às 19h00 na CulturgestO Meu Pijama traz-nos uma interpretação jovial da relação entre duas gémeas e de como pequenos pormenores determinam a sua dinâmica. Numa noite de Verão, Helena e Sara, duas gémeas de doze anos, são deixadas ao cuidado de Vicente, seu vizinho de sempre. Pelo olhar de Helena, assistimos, à medida que a noite avança na companhia do rapaz, ao primeiro passo de uma possível separação entre as duas.

O póster para O Meu Pijama foi feito pela artista Sallim.

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