Pode parecer mentira, mas o Harry Styles anda a fazer boa música

Esqueçam que ele fez parte dos One Direction. Vão mas é ouvir o novo disco do Harry Styles.

Vamos lá, está na altura de engolir uns sapos. O Harry Styles, mais conhecido por fazer parte da boys band One Direction, está a lançar a sua carreira a solo com um disco homónimo e não é mau de todo – é aliás um bom espécime de glam rock.

Harry iniciou este trajecto estilo Angélico, diferindo no ponto em que passou de uma boys band para um projecto a solo que é consistente e que não persegue modas. Não digo que seja inovador, mas é renovador – Harry Styles, o disco, é uma face agradável da pop, que, por vezes (muitas vezes), se faz espalhafatosa e inaudível.

Os primeiros traços de qualidade deste Harry Styles puderam ser vislumbrados com a escuta do single “Sign of the Times”, estreado a 7 de Abril – uma bela balada, que sofre um crescendo entusiasmante, seguindo uma linha melódica simples e muito bem produzida. Rapidamente viria a passar pelo palco do Saturday Night Live para mostrar a versão original deste “Sign of the Times” e também “Ever Since New York”.

“Carolina” é uma pérola do álbum, daquelas escondidas para ser encontrada por quem se atreve a explorar os 40 minutos de um disco que aqui se desvia para trilhos indie pop. Num caminho similar mas mais epiléptico (digamos assim), temos “Kiwi”, a cair para o stoner rock e muito provavelmente mais ao gosto de vossas excelências.

Noutras extremidades do LP, quem o escuta depara-se com tendências folk, como “Sweet Creature”, que estranhamente é muito similar a “Blackbird” mas se torna um dos pontos de destaque quando a dinâmica do disco está destinada a baixar. Já “Ever Since New York” carrega um certo nível de insignificância digno de encher os estofos deste carro. Não aquece nem arrefece, só aborrece. O ponto positivo é que é a única música que não suscita qualquer interesse.

A versatilidade do disco pode ser tanto um sinal de que Harry ainda está à procura da sua sonoridade mais confortável ou então que pretende mostrar as diferentes influências para a sua criação. Indie pop, glam rock, folk, pop rock, hard rock – a variedade é tanta que por um lado soa a confusão, mas por outro é aprazível, bem estruturado e bem ornamentado.

Se estivéssemos em 2011, a carreira de Harry Styles poderia ter caminhado ao lado de artistas como Fleet Foxes, Mumford & Sons, Bon Iver ou até Beirut, numa altura em que o indie rock estava bem vivo e bem hipster. Se continuar a lançar discos com esta consistência, pode ser que daqui a 5 anos ninguém se lembre que o jovem londrino alguma vez pertenceu a uma boys band e, se alguém se lembrar, será uma piada para rir durante 5 segundos e passar à frente.

Harry Styles:

  1. “Meet Me in the Hallway”
  2. “Sign of the Times”
  3. “Carolina”
  4. “Two Ghosts”
  5. “Sweet Creature”
  6. “Only Angel”
  7. “Kiwi”
  8. “Ever Since New York”
  9. “Woman”
  10. “From the Dining Table”
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