Brasil, o que será de ti?

Como tudo pode mudar numa semana no Brasil.

“O Brasil é um país extraordinário com pessoas incríveis, paisagens lindas e uma energia contagiante, mas…”. Invariavelmente ouvimos este começo de frase dita por músicos, comediantes ou actores e a adversativa continua a atormentar os brasileiros e a corar de vergonha quem acompanha a realidade política e social do país.

A semana que passou trouxe mais um episódio conturbado da política brasileira, que nas últimas décadas tem insistido em arrastar o Brasil para a lama. Corrupção, promiscuidade, compadrios num sistema político que já de si comporta surrealidade em muitos elementos. Não sai da memória dos brasileiros e dos portugueses, a tarde/noite do início do processo de Impeachment a Dilma Rousseff quando os 513 deputados da câmara baixa do Congresso brasileiro expunham a sua intenção face à destituição, evocando argumentos surreais e votando em nome dos indivíduos ou seres vivos mais inacreditáveis.

Alegadamente, Michel Temer autorizou um suborno a Eduardo Cunha através de um empresário brasileiro do sector agro-alimentar. Esta manobra de corrupção sugeria o silêncio do então Presidente da Câmara dos Deputados. A denúncia partiu do próprio empresário que havia gravado a conversa e que a revelou às autoridades judiciais com vista a uma atenuante penal.

O Brasil voltou a sair à rua, como tem sido apanágio nos últimos anos. Os cidadãos pedem novas eleições directas e a destituição do presidente no imediato. Horas depois, Temer recusou a saída do cargo, negando de forma absoluta os acontecimentos de que tem sido acusado. Do PT à oposição, o problema parece subsistir: a política brasileira está podre por dentro e sem sinais de correntes limpas, frescas e sem suspeitas criminais.

Com vista a travar os manifestantes nas ruas, Temer colocou a força militar nas ruas, tomada de posição que já não acontecia desde os tempos da ditadura. Rapidamente se apercebeu das percussões de tal acto e recuou, chamando de volta os militares. Segundo o próprio “as manifestações ocorreram com exagero.”

O Brasil parece ser um buraco sem fundo e ao mesmo tempo um ciclo fechado. Se por um lado a vergonha política não tem fim, por outro é fácil adivinhar que o que virá depois será mais do mesmo até ao próximo escândalo rebentar. Na mente dos brasileiros devem ecoar sentimentos de desespero por uma classe política que só faz corar de vergonha a nação, o povo e a cultura.

[fotos de Francisco Proner/Mídia Ninja, via Flickr]

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