Conhece o Sawasdee Thailand Project, um programa de voluntariado na Tailândia

Falámos com o Rúben Mendes, que quis sair da sua zona de conforto e viveu a experiência da sua vida.

voluntariado na Tailândia

A história do Rúben podia ser a de qualquer um de nós e é isso que a torna mais interessante à partilha. É um testemunho realista e próximo de como não é preciso ser-se nenhum super herói para poder ajudar pelo menos um bocadinho do mundo. Basta ter alguma coragem e, neste caso, dois meses para dedicar à causa. Os programas de voluntariado da AIESEC são um dos melhores exemplos destas iniciativas. Foi um desses programas – o Sawasdee Thailand Project – que acolheu Rúben Mendes, de 24 anos, na Tailândia e proporcionou a experiência que aqui contamos.

Estavas a tirar o mestrado, como surgiu esta oportunidade?

Já há algum tempo que pensava em fazer voluntariado. Cheguei a fazer durante algumas semanas num bairro social em Lisboa, contudo não era algo certo nem com a consistência que desejava. Entretanto, durante o mestrado fui para a Índia para fazer uma cadeira optativa, Negócios e Comunicação Intercultural, através de um acordo com a faculdade. Foi aí que comecei a ganhar curiosidade e paixão pela cultura asiática. Quando voltei a Portugal soube da existência da AIESEC e informei-me junto de algumas amigas que já tinha feito voluntariado por intermédio desta organização.

Quais foram as tuas principais motivações para embarcar nesta experiência?

Sinceramente não tenho respostas muito óbvias, mas posso dizer que após ter vivido anteriormente uma outra experiência noutro país asiático cresceu em mim uma paixão pela cultura asiática, que ainda continua por explorar. O que me completa é viajar, sou aventureiro, curioso e acima de tudo gosto de aprender e sei que há muito por aprender com culturas completamente diferentes da minha. É a viajar e a aprender com as experiências que me sinto feliz, só assim a minha vida faz sentido. Mas a Tailândia para além de ter uma cultura completamente diferente e interessante é também conhecida por ser um país lindo pela sua beleza própria e natural.

 

Em resumo, as tuas motivações foram a empatia pela cultura asiática e o desejo de fazer voluntariado fora da tua zona de conforto?

Eu pessoalmente gosto de ajudar as pessoas, gosto mesmo de ajudar, gosto de me sentir útil. Chegou o momento em que pensei: “Quero ser útil e ajudar enquanto posso, quero viver enquanto posso.”

A AIESEC ajudou em termos de contactos, deu-te ajuda monetária?

Em termos monetários não ajudam, parte de nós voluntários pagar a inscrição e o voo. Lá o que nos dão é alojamento e duas refeições por dia, de resto parte tudo de nós. A inscrição foi cerca de 150€, mais visto, as vacinas já tinha levado quando fui para a Índia.

Quando chegaste à Tailândia já sabias ao certo o que ias fazer? Como te encaminharam? Que informações já tinhas?

Nós tivemos a IPS (Incoming Preparation) durante 3 dias e curiosamente eu era o único europeu lá, entre pessoal da Indonesia, Malásia, Brasil. Esses dias serviram sobretudo para nos integrarmos e nos introduzirem à cultura local. Depois levaram-nos às cegas para a província para esperarmos pelas nossas famílias de acolhimento. Foi um dos dias em que me senti mais nervoso na vida. Não sabia para onde ia ao certo, estava expectante sobre quem ia ser a minha família de acolhimento, se ia ficar longe de Banguecoque, o que complicaria imenso a ideia de ir à capital e estar com o resto do pessoal que tambem tinha ido nesta experiência durante os fim de semana. Apesar de tudo, rapidamente fiquei descansado ao conhecer a família com quem ia ficar, e um rapaz brasileiro, o João, que estava a viver a mesma experiencia que eu e com quem acabei por partilhar quarto, no dormitório da escola.

Então e como foi a experiência de dar aulas?

No IPS explicaram logo o que íamos fazer. Fomos lá para dar aulas de inglês a crianças entre os 5 e 13 anos. É necessária muita paciência porque a maioria delas domina muito mal a língua. Apesar de nos terem alertado para as dificuldades não houve nenhum problema de maior com as crianças, eu adorei-os e eles adoraram-me a mim, correu tudo muito bem. Sinto que descobri um nova vocação: ser professor [risos]. Tive muita paciência e acho que consegui ser bastante dinâmico nas aulas. O próprio director e professores da escola procuraram saber algumas informações sobre os métodos de ensino europeus. A mais-valia era sobretudo ser dinâmico e despertar o interesse das crianças, muitas vezes através do riso.

Apesar de tudo o que contas de bom, houve momento menos bons. Alguns que te tenham marcado?

Durante as 6 semanas de projecto a parte menos boa talvez tenha sido o dormitório. Era um bocado precário, um quarto minúsculo com duas caminhas, uma casa de banho onde tínhamos de tomar banho de água fria num pote. Na primeira semana ainda tomámos banho de água fria mas rapidamente começámos a usar a máquina de café para aquecer a água aos poucos. As necessidades tinham de ser feitas de cócoras, lavar a roupa tinha de ser à mão mas no final até acabou por ser engraçado. A casa tinha bastantes bichos, osgas, escorpiões, sapos, e até tínhamos alguns ratos de estimação [risos], havia de tudo, parecia um jardim zoológico.

Qual a importância da AIESEC na tua tomada de decisão?

A AIESEC nada tem a ver com a minha faculdade, está lá presente como está noutras pelo país. Mas a presença a faculdade foi sem dúvida uma mais valia, sobretudo pela proximidade, facilitou bastante. Ajudaram-me basicamente em tudo, a Sara, responsável pelo meu processo, foi impecável em tudo.

Para finalizar, o que retiras desta experiência e o que aconselhas a quem deseja fazer algo semelhante, ou simplesmente sair da sua zona de conforto?

Neste momento gosto de incentivar as pessoas porque vejo que muita gente se acomoda. Acho que acomodares-te nunca é algo positivo. Falo por mim, gosto de me desafiar, onde vejo que tenho pontos fracos tento ultrapassá-los. É necessário viver outras experiências, por isso sempre que posso desafio-me a mim próprio. Conhecer novas culturas é também uma forma de aprender e também de crescer.

Percebi que a língua não é assim tão importante para demonstrar afecto e gratidão. Questionei-me sobre como é que é possível ser feliz com tão pouco? Lá tudo era motivo para sorrir, aquelas crianças estavam sempre felizes. A verdade é que possivelmente não conhecem mais do que aquilo a que estão habituados, não têm outra visão. Dá para perceber que talvez o caminho para a felicidade seja a simplicidade. É isso que retiro daquelas crianças, daquelas professoras. Todos os dias me vinham a abraçar, dar “mais 5”, deixavam a brincadeira que estavam a fazer para me vir abraçar, sempre a dizerem “I love you, I love you”, trouxe de lá uma mala cheia de peluches [risos].

Por mais que queira exprimir aquilo que sinto para tentar convencer alguém é impossível. Foi muito intenso para transmitir por palavras. Desde a recepção super calorosa que tivemos ao último minuto, nunca nos faltava nada, estavam sempre prontos a ajudar-nos. Por exemplo, na última semana acabamos com o stock de água e tivemos que pedir boleia para ir ao supermercado mais próximo. Passados 10 minutos estavam à nossa porta com uma palete de garrafas de água. Criámos tantos laços que ainda hoje trocamos mensagens, fotos e outras recordações. Foi sem dúvida uma grande experiência, que nunca vou esquecer, aquelas crianças receberam-nos de uma forma… Fui com o dever de ensinar e não sei quem aprendeu mais. Até guardo na mesa de cabeceira a foto de duas meninas que não vou esquecer. A maioria deles são pobres e algo que me marcou bastante foi perceber de facto que quem menos tem é quem mais oferece. Quero mesmo voltar.

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