Tetraplégico consegue mover-se novamente só através da mente

Uma nova esperança para todas as pessoas que sofrem de paralisia.

Bill Kochevar, que ficou paralisado dos ombros para baixo num acidente de bicicleta, é a primeira pessoa no mundo a restaurar os movimentos dos membros com a ajuda de dois implantes temporários.

Para voltar a conectar o cérebro de Bill aos músculos paralisados, foram utilizados um computador ligado ao encéfalo através de eléctrodos colocados debaixo do crânio e um sistema de estimulação eléctrica funcional que activa os membros.

“Para alguém que está paralisado há 8 anos, o facto de poder mover-me o mínimo que seja é absolutamente espectacular!”, disse Bill. “É muito melhor do que aquilo que eu imaginava.” Para pessoas tetraplégicas, poder realizar algumas tarefas simples como coçar-se ou alimentar-se sem a necessidade de um cuidador, são um dos seus principais desejos.

A operação que deu uma nova vida a Bill faz parte de um estudo clínico piloto, intitulado Brain Gate 2, que procura perceber a segurança e a capacidade de funcionamento de sistemas com implantes computadorizados cerebrais em pessoas com paralisia. Outras investigações, nomeadamente o Brain Gate, mostraram que pessoas com paralisia conseguem controlar um cursor num ecrã de computador ou um braço robótico, por exemplo.

A maior parte de nós tem como garantido que todo e qualquer movimento do seu corpo é possível apenas com a acção do pensamento – na verdade, conseguimos mover qualquer parte do nosso corpo com precisão e controlo em múltiplas direcções, sem termos de fazer um grande esforço. Contudo, lesões traumáticas da medula espinhal ou outro tipo de paralisia obrigam-nos a percepcionar o mundo de outra forma.

No entanto, restaurando a comunicação entre o cérebro, onde se cria a vontade de mover, e o restante corpo, que opera o movimento em si, é possível restituir a capacidade de movimento a alguém. Foi isso que fez, neste caso, a equipa de cirurgiões, que implantou dois eléctrodos, com o tamanho de uma aspirina, no córtex motor de Bill. Os eléctrodos registam os sinais cerebrais criados quando Bill imagina movimentos dos seus membros. O computador extrai informação dos sinais cerebrais acerca dos movimentos que ele pretende fazer e depois passa essa informação para o sistema de estimulação eléctrica.

Para se preparar para usar o seu braço novamente, o paciente aprendeu primeiro a usar os sinais cerebrais para mover um braço virtual num ecrã de computador. “Ele foi capaz de fazê-lo em poucos minutos”, explicou um dos investigadores. “O código ainda estava guardado no seu cérebro.”

Oito anos de atrofia muscular requereram reabilitação. Os investigadores exercitaram os membros de Bill com padrões de estimulação eléctrica cíclicos. Ao longo de 45 semanas, a sua força, raio de movimento e resistência melhoraram substancialmente. Bill é agora capaz de mover individualmente cada umas das articulações do seu braço direito. Para além disso, os seus músculos são activados de uma forma coordenada quando pensa em tarefas como alimentar-se ou tomar uma bebida.

Quando se pediu a Kochevar que descrevesse a forma como comanda os movimentos do seu braço, ele respondeu: “Estou a fazê-lo sem ter que me concentrar muito… Eu apenas penso… e as coisas acontecem…”.

Os cientistas dizem que os avanços necessários para usar esta tecnologia fora de um laboratório não estão muito longe da realidade. Paralelamente está a ser desenvolvida uma outra investigação com o objectivo de tornar os implantes cerebrais sem fios, e de melhorar a descodificação e os padrões de estimulação necessários para tornar os movimentos mais precisos. Esta tecnologia não vai substituir os cuidadores, mas vai permitir que as pessoas paralisadas façam mais por elas próprias.

A investigação foi conduzida pela Case Western Reserve University, Cleveland Functional Electrical stimulation (FES) Center no Louis Stokes Cleveland VA Medical Center e pela University Hospitals Cleveland Medical Center (UH). O estudo será publicado na revista The Lancet.

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