Holocausto: documentos da ONU podem alterar a História

Documentos usados na acusação de Nazis revelam características detalhadas dos campos de concentração nunca antes conhecidas.

AFP Photo/Odd Andersen

A Biblioteca Wiener, em Londres, vai disponibilizar mais de duas mil páginas de PDF sobre o holocausto, durante a Segunda Guerra Mundial. Os documentos são da Comissão de Crimes de Guerra da Organização das Nações Unidas (organização criada para investigar e identificar suspeitos de crimes de guerra, para depois acusar, julgar e prender) e vão estar disponíveis online.

De acordo com o The Guardian, até agora, o arquivo em Nova Iorque era acedido apenas por investigadores que não podiam tirar notas ou fotocopiar. Dan Plesch era um desses investigadores. Plesch estudou os arquivos durante dez anos e publicou a obra “Human Rights After Hitler: The Lost History of Prosecuting Axis War Crimes”, na terça-feira.

Os ficheiros relatam que os primeiros passos para a justiça foram dados pela Polónia e pela China e não pelos Estados Unidos, Reino Unido – países que organizaram os julgamentos de Nuremberga (julgamentos de nazis, em 1945 e 1946). Além disso, há informações sobre os campos de concentração de Treblinka e Auschwitz, assim como registos de crimes de guerra na Grécia, Filipinas e Polónia.

“Esta é a primeira vez que os documentos vão estar disponíveis a toda a gente, no Reino Unido. É bem possível que as pessoas possam reescrever capítulos cruciais da História com os novos dados”, confirma Howard Falksohn, arquivista da biblioteca. Ao Público, o historiador britânico Antony Beevor revelou queficaria surpreendido se houvesse a revelação de material que alterasse de forma substancial a nossa perspectiva actual.

Foi Plesch quem pressionou os diplomatas da ONU para que os documentos fossem publicados. “Este é um enorme recurso para combater a negação do holocausto. As autoridades alemãs nunca tiveram acesso ao arquivo, depois da guerra,” explicou Plesch.

A Biblioteca de Wiener foi fundada por Alfred Wiener em 1934. Wiener foi cúmplice do Reino Unido, durante a Segunda Grande Guerra. A colecção de dados foi exportada para Londres na véspera da guerra e forneceu provas para os julgamentos de Nuremberga.

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