Quem foi Gustav Metzger, o pai da arte autodestrutiva?

Metzger defendia que as pinturas, esculturas e outras construções autodestrutivas deviam ter um tempo de vida mínimo de um instante e máximo de 20 anos.

Tinha como principal alvo o sistema capitalista e a comercialização da arte. Para os atacar, inventou a arte autodestrutiva. Foi artista e activista. Influenciou várias gerações de artistas e foi uma referência do século XX. Morreu na quarta-feira aos 90 anos, na sua casa em Londres.

Nascido em Nuremberga, na Alemanha, Gustav Metzger era filho de pais judeus de origem polaca. Aos 12 anos, refugiou-se com os pais em Inglaterra, fugido da Alemanha de Hitler. Chegou a dizer que foi a experiência de crescer na Alemanha nazi que potenciou também a sua arte: “Quando vi os nazis a marchar, eu vi pessoas que pareciam máquinas e o poder do Estado. A arte autodestrutiva tem a ver com a rejeição do poder”, disse.

Estudou em Cambridge e em Oxford e no final dos anos 50 esteve envolvido nos movimentos anticapitalistas e anticonsumistas, bem como na campanha contra o desarmamento nuclear mundial, tendo sido detido por mais do que uma vez por desobediência civil.

Em 1959, criou o “Manifesto da Arte Autodestrutiva” que descreveu como “uma arma política subversiva desesperada (…) um ataque ao sistema capitalista (…) um ataque aos comerciantes de arte e colecionadores que manipulam a arte para o lucro”.

Mas o que é, na prática, a Arte Autodestrutiva?

Metzger defendia que as pinturas, esculturas e outras construções autodestrutivas deviam ter um tempo de vida mínimo de um instante e máximo de 20 anos: “Quando o processo de desintegração fica completo, a obra é removida do seu sítio e destruída.”

Começou a criar obras com objectos do quotidiano e materiais industriais, mergulhado na insatisfação com a arte e com os recursos utilizados para a produzir. Entre os seus trabalhos mais conhecidos estão Acid Nylon Painting (1960, na fotografia acima) ou South Bank Demonstration (1961).

Reflectiu as suas preocupações em instalações de grande escala, performances, pinturas abstractas com ácido ou esculturas desintegráveis.

Lutou até ao fim para levar avante as suas intenções e ideais num mundo cada vez mais vendido ao consumismo e ao capitalismo.

Em 2004, quando a Tate Britain apresentou a primeira exposição pública de arte autodestrutiva, que incluía um saco de lixo, um funcionário da limpeza deitou-o fora e o artista declarou depois que a peça estava destruída.

É lá que está também por enquanto a obra “Liquid Crystal Environment”, da autoria de Metzger.

Gustav Metzger, Historic Photographs: No. 1: Liquidation of the Warsaw Ghetto, April 19-28 days, 1943, 1995/2011
Gustav Metzger, Historic Photographs: To Walk Into –Massacre on the Mount, Jerusalem, 8 November 1990, 1996/2011