O que é o Trello e porque foi vendido por 425 milhões?

Aplicação é usada por organizações como a Google, a National Geographic, as Nações Unidas ou mesmo o Governo britânico.

Vamos por as coisas assim: escrever sobre o Trello num artigo que lhe faça jus não é tarefa fácil. O Trello é uma ferramenta absolutamente incrível, que te pode ser útil em múltiplas partes da tua vida, mas se começássemos este texto por referir que o Trello é um “gestor de projectos”, a reacção mais provável seria um coro de bocejos. Não faz mal, também já passamos por isso.

Quando se explica o Trello a alguém, o entusiasmo do receptor nunca é muito, o que é perfeitamente natural. “Ok, mais uma aplicação de lista de tarefas para usar duas semanas até fartar ou me pedir o upgrade para a versão Pro” – é um pensamento recorrente com o manancial de aplicações nesta categoria que tantas indecisões e excitações provoca. A verdade é que o Trello não tem grandes funcionalidades que as aplicações convencionais não tenham, nem nenhum extra complexo cuja explicação possa entusiasmar.

Mas é precisamente isso que o distingue: não querer ser mais um gestor de projectos mas “O” gestor de projectos. Diferenciando-se pela versatilidade de utilizações que a sua simplicidade permite. Com o Trello, podes organizar projectos de trabalho, planificar viagens, definir as tarefas familiares e muitas outras coisas. Tem versão online e apps dedicadas para iOS e Android; com todas as funcionalidades base gratuitas por tempo ilimitado. No Trello, podes criar quadros, dentro dos quais arrumas o que quiseres. É possível adicionar imagens e outros anexos, meter etiquetas e estabelecer datas limite. Podes também partilhar os quadros com outras pessoas facilitando a colaboração numa casa ou organização.

Podes ver inúmeras ideias para usar o Trello aqui. Com 19 milhões de utilizadores registados e 1,1 milhões de utilizador diários, o Trello é usado por empresas como a Google ou o National Geographic, pelo Governo britânico, por organizações como as Nações Unidas e a Cruz Vermelha, e até por nós cá, no Shifter..

A aplicação foi apresentada pela primeira vez em 2011 no TechCrunch Disrupt, em São Francisco.

No início desta semana, foi anunciado um investimento de 425 milhões de dólares pela Atlassian, uma empresa dedicada somente a software para o segmento empresarial, para adquirir o Trello. “As nossa pequena ideia foi mudar o paradigma da nota fixada numa parede e transformá-la numa ferramenta que permitisse às pessoas colaborar em tempo real. Queríamos que as pessoas começassem rapidamente e não ficassem atoladas na estrutura. Queríamos que o Trello fosse fluído e adaptável a uma enorme variedade de problemas que giravam em torno de colocar as pessoas na mesma página”, escreveu o CEO Michael Pryor no blogue do Trello.

A Atlassian não vai mexer no Trello, no seu serviço ou na equipa: a empresa de Michael Pryor continua independente e com liberdade para continuar a desenvolver o seu produto. A Atlassian vai investir recursos para acelerar os ciclos de desenvolvimento da aplicação, podendo responder assim da melhor forma às necessidades dos utilizadores.