Almaraz: a central da discórdia

Espanha quer construir um aterro nuclear na central, Portugal diz que Madrid não cumpriu as directivas europeias obrigatórias.

Continua a polémica em torno da central nuclear de Almaraz, agora com o Governo espanhol a garantir ter cumprido as directivas europeias no que toca à decisão da construção de um aterro nuclear na central, situada a cerca de 100 km da nossa fronteira.

Segundo Portugal, o Governo espanhol autorizou a construção de um depósito de lixo nuclear em Almaraz sem ter conduzido os estudos obrigatórios do impacto ambiental que as alterações à central irão ter nos dois lados da fronteira.

No entanto, segundo apurou a Renascença, o Ministério espanhol da Energia garante ter estudado e considerado “todos os possíveis efeitos ambientais significativos do projecto”, estando em constante comunicação com as autoridades portuguesas.

A central nuclear de Almaraz é a central activa mais antiga de Espanha. Está em funcionamento desde os anos 1980 e deveria ter fechado em 2010. O Governo de Espanha decidiu prolongar a sua vida até 2020 e espera-se que a sua licença seja renovada por mais 10 anos. Caso haja um incidente nuclear nesta central, Portugal terá consequências directas, uma vez que esta central é arrefecida pelo rio Tejo.

A construção de um aterro nuclear em Almaraz pode significar um prolongamento do seu funcionamento por vários anos, apesar dos muitos problemas que tem tido ao longo dos últimos anos.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, afirmou a semana passada que vai apresentar queixa contra o Governo espanhol na Comissão Europeia em Bruxelas, mas até agora nenhuma queixa foi entregue.

Entretanto, está marcada uma reunião entre os dois países para dia 12 de Janeiro para discutir o futuro da central nuclear que pode não chegar a acontecer, depois de o ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, ter afirmado que “não faz qualquer sentido ir a essa reunião, porque não irei a essa reunião sufragar uma decisão que Espanha tomou, incumprindo uma diretiva comunitária.

Está também marcado para dia 12 de Janeiro um protesto em frente ao consulado de Espanha em Lisboa, organizado por ambientalistas portugueses e espanhóis, a exigir o encerramento da central de Almaraz. Estes ambientalistas vão também realizar uma conferência internacional sobre centrais nucleares no dia 4 de Fevereiro, em Lisboa.

Foto de: Flickr

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