Lenovo Yoga Book: experimentámos o futuro dos laptops


Com os smartphones a ficarem cada vez maiores e mais capazes, não é se surpreender que a venda de tablets tenha vindo a cair ao longo dos últimos meses. Aqui, a luta pela liderança tem sido sempre vencida pela Apple, especialmente devido à otimização do iOS especificamente para tablets, dado que o Android tem ficado um pouco estagnado no tempo no que ao desenvolvimento para estes equipamentos diz respeito.

É por todas estas razões que este mercado precisa de se reinventar, e por isso o interesse aumenta bastante sempre que um novo e inovador produto chega ao mercado – e o Lenovo Yoga Book foi um desses produtos. Quando foi apresentado, na IFA 2016, toda a gente ficou surpreendida e com desejo de experimentar um tablet, que afinal é um híbrido, mas que não tem qualquer teclado físico, e que ainda por cima existe tanto em versão Android como Windows. O impacto foi gigante, mas o que se diz dele três meses depois? Estas são as nossas conclusões.

Design: o híbrido mais leve, compacto e bonito do mundo

Ao tirar o Lenovo Yoga Book da caixa, ficamos logo surpreendidos pela sua espessura e peso. Estamos a falar de um produto que, recorde-se, cuja superfície do teclado nunca se liberta, como acontece com o Surface ou outros concorrentes. Apesar disso, o Yoga Book pesa apenas 690 gramas e utilizá-lo em modo tablet (com o teclado totalmente dobrado para trás) é bastante fácil, algo ajudado também pelo facto de ter apenas 9,6 mm de espessura.

Aliás, toda esta “falta de espessura” leva a dois problemas: não há como não fazer o ecrã “tremer” quando usamos o touchscreen com o equipamento disposto sobre uma mesa, e é bastante complicado abrir o Yoga Book quando este se encontra fechado.

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Não tivemos qualquer dificuldade em andar com o equipamento debaixo dos braços, até porque, na verdade, não é assim tão evidente para os olhos mais curiosos que estamos a carregar um produto tecnológico. O material utilizado para a sua construção é rígido e a sua dobradiça é bastante adaptável e, aparentemente, duradoura.

Existe ainda um slot para cartões microSD, muito bem-vindo, mas sentimos a falta de pelo menos mais uma entrada USB-C. Sendo este um produto que também se poderá comportar como um laptop para algumas pessoas, não será assim tão incomum para o utilizador querer ligar um periférico enquanto tem o produto a carregar… #PeloMenosHáEntradaParaHeadphones

Depois dos devidos elogios, as críticas: odiámos o trackpad e as enormes, gigantes, colossais bordas do ecrã. O trackpad é pequeno, nada intuitivo e deu-nos vontade de mudar para um rato – algo que não conseguimos fazer devido à única entrada USB-C – e, em pleno 2016, não se entende como é que a Lenovo deixou as bordas em torno do ecrã tão largas – pelo facto de ter apenas 10,1 polegadas, o reduzido ecrã do Yoga Book faz com que seja um desafio utilizá-lo como um computador. A menos que estejam envolvidas questões técnicas, teriam todos ficado a ganhar muito mais a ganhar com um ecrã maior.

Um tablet que é laptop, ou um laptop que é um tablet?

Perante esta novidade no mundo dos tablets, e também devido ao facto de este ser considerado um híbrido, resolvemos testar a versão com Windows para saber se o Yoga Book poderia ser uma máquina a ter em conta por quem quer um computador para levar para todo o lado e não apenas um tablet com teclado. E a verdade é que não foi fácil ter o Yoga Book como computador.

No papel, este produto conta com um processador da Intel, 4 GB de memória RAM e 64 GB de armazenamento interno, o que por si só já não é fantástico para lidar com um sistema operativo como o Windows 10. Na prática, o Yoga Book apresentou algum “lag” quando a exigência aumentada um pouco mais, estando nós a falar de cinco, seis separadores abertos no Google Chrome, o que até nem é nada do outro mundo. Editar vídeos ou fotografias é impensável.

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Para além disso, como já foi referido em cima, um ecrã tão pequeno torna ainda mais difícil ler sites quando estes não estão no modo mobile. O que é que isto quer dizer? A versão com Android é muito mais recomendável (para além de ser mais barata), e para teres uma melhor ideia do produto com o SO da Google podes sempre ver as reviews de nomes como o Mr. Mobile ou o Dave Lee, para além do fantástico vídeo do The Verge.

Ainda no requisito da performance, ficámos agradavelmente surpresos com a duração da bateria. Os 8500 mAh do Yoga Book duram, diz a Lenovo, 13 horas “de uso geral” – nos nossos testes conseguimos ter entre 8 a 10 horas de utilização moderada e com o brilho do ecrã a 75%, um número que motiva todos aqueles que não gostam de andar sempre com cabos e carregadores atrás.

O teclado que vais (demorar a) adorar

Escusado será dizer que um dos maiores ponto de destaque deste produto é aquilo a que a Lenovo chama de Halo Keyboard. Trata-de de um teclado que não dá ao utilizador quando tipo de feedback mecânico, dado que não é feito à base de teclas, mas é sim incluído numa superfície plana que pode também ser utilizada para desenhar.

Já lá vamos no que ao uso das canetas diz respeito. De facto, esta é uma ideia algo inédita e que merece, no mínimo, uma ovação por parte de todos os apreciadores de novas tecnologias para a Lenovo, que foi capaz de trazer algo diferente e uma tecnologia que ainda terá certamente muito para evoluir.

O teclado em si não é perfeito, nem tampouco indicado para quem passa o dia em frente a um ecrã de computador a escrever milhares de caracteres por dia – como nós. Contudo, depois de apenas alguns dias de utilização, já foi possível utilizar o teclado com alguma exatidão, embora continuasse a ser bastante estranho não estar a carregar em qualquer tecla. Acaba por ser um pouco semelhante à primeira geração de teclados do Surface – e com isto é importante referir que, também aqui, com o Yoga Book, é praticamente obrigatório ter a vibração das teclas ativada para uma muito melhor experiência.

Como referimos, aconselhamos-te seriamente a experimentares por ti mesmo se estás interessado em adquirir o Yoga Book para escrever longos textos ao longo do dia, porque o provável é que vás demorar algum tempo para te habituares a esta nova forma de escrever. Ah, e anda sempre com um pano contigo caso gostes de ter sempre os teus equipamentos imaculados, porque a superfície do teclado é um autêntico íman de dedadas.

A caneta que (provavelmente não) vais usar

Outra funcionalidade de destaque deste Yoga Book passa por poder desligar a iluminação do teclado e ficar assim com uma superfície preta na qual, com a caneta que vem incluída na caixa, conseguimos fazer desenhos ou escrever qualquer coisa que é instantaneamente reproduzida para o ecrã. Ou seja, funciona exatamente como uma drawing board que se liga ao computador, mas aqui a própria drawing board está incluída no equipamento.

Para além disso, a Lenovo incluiu um bloco de notas que, quando colocado em cima da superfície preta, consegue reproduzir no ecrã tudo aquilo que é escrito nas folhas que estão por cima, recorrendo à mesma caneta com uma recarga de tinta. A tinta é normal e podes também utilizar qualquer folha que tenhas à mão, e o resultado daquilo que aparece na tela é incrivelmente fiel ao que desenhaste ou escreveste no papel.

Estas são então duas formas diferentes de fazer uso da caneta do Lenovo Yoga Book. Quando à primeira, o mais óbvio é dizer que é uma funcionalidade muito virada para os criativos, para quem realmente desenha e desenha bem. A caneta tem mais de dois mil pontos de pressão, e a qualidade está taco-a-taco com os principais concorrentes.

Já a opção de escrever na folha… ouvimos dizer por essa internet fora que pode ser bastante útil para estudantes que gostam de guardar todas as notas em formato digital mas não descartam do bom papel e caneta nas aulas. Mas será que esse é um motivo forte o suficiente para gastar 500+ euros num equipamento? Fica muito mais barato comprar um caderno de 80 cêntimos e depois digitalizar as folhas. Esta uma opção que tem o seu interesse, funciona como promete e pode servir para surpreender os amigos, mas não muito para além disso.

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Então, para quem é este Yoga Book?

Em suma, gostámos bastante de ter esta visão daquilo que vão ser os tablets e computadores do futuro. Mais finos, mais leves e com autonomia para o dia inteiro, tudo isto já faz parte do dia-a-dia de quem tem um Yoga Book, e portanto a experiência não tem como não ser muito satisfatória.

O que nos deixa mais entusiasmados é que, mais do ser um bom produto, este é um produto que ainda tem muito espaço para melhorar. As bordas do ecrã podem reduzir bastante, o processamento do produto pode vir a ser muito mais poderoso e o teclado pode e deve melhorar nas próximas edições. Sim, porque, depois desta primeira versão, achamos claramente que a Lenovo poderá explorar um mercado que ainda pode claramente receber muitas novidades, e quem sabem que cria uma tendência a ser seguida por todas as outras fabricantes.

Para já, o recomendável é comprares o Yoga Book com Android (que deverá receber a atualização para o 7.0 no início do próximo ano) caso precises realmente de andar com um laptop contigo para trás e para a frente mas não propriamente para escrever longas teses. Se tiveres em ti uma vertente mais criativa e gostares de te expressar quando bem te apetece através do desenho, então este é um dos melhores equipamentos que podes pedir neste Natal.

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