Confirmado que o reactor nuclear da Alemanha funciona mesmo

O reactor Wendelstein 7-X está mesmo a funcionar da forma planeada.

No final do ano passado, o reactor de fusão nuclear Wendelstein 7-X (W 7-X) foi ligado com sucesso na Alemanha, onde se conseguiu criar e conter plasma de hélio por uma décima de segundo. Em Janeiro deste ano, o W 7-X conseguiu pela primeira vez produzir e conter plasma de hidrógénio por um quarto de segundo.

Poderá não parecer muito, mas estes sucessos representam um avanço enorme na obtenção de energia limpa e ilimitada através de fusão nuclear. No entanto, desde então que se mantém a dúvida se este tipo de reactor nuclear, designado por stellarator, estaria a funcionar da forma planeada. E, felizmente, a resposta é sim.

Investigadores dos Estados Unidos e da Alemanha confirmam agora com uma precisão nunca antes vista, que o reactor nuclear W 7-X está a produzir os campos magnéticos 3D previstos no seu design.

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Apesar de não parecer uma notícia impressionante, a verdade é que estes campos magnéticos 3D são cruciais para o objectivo final do W 7-X: são eles que permitem ao stellarator controlar o plasma sem a utilização de correntes eléctricas induzidas no plasma para criar o confinamento magnético, como acontece nos reactores tokamak (outro tipo de reactores nuclear que têm como exemplo mais conhecido o ITER, na França). Os reactores stellarator conseguem assim funcionar durante períodos de tempo mais longos, pois o risco de disrupção do plasma é menor.

Para medir o campo magnético, investigadores do Departamento de Energia dos EUA e do Instituto de Física de Plasma Max Planck na Alemanha incidiram um feixe de electrões ao longo das linhas do campo magnético no reactor. Ao utilizar uma fonte fluorescente, eles conseguiram observar a forma do campo magnético produzido, como se pode ver na imagem de destaque do artigo.

Apesar deste sucesso, o W 7-X não tem como objectivo final gerar electricidade a partir da fusão nuclear – é apenas uma prova de conceito para mostrar que é possível obter fusão nuclear com este tipo de reactores.

Está prevista para 2019 a utilização de deutério em vez de hidrogénio para obter de facto reacções de fusão nuclear dentro do reactor. No entanto, o w 7-X não será capaz de gerar mais energia do que aquela que consome.

Este será assim o objectivo da próxima geração de stellarators e, com o sucesso do W 7-X, este objectivo poderá estar cada vez mais próximo.

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  • A Sofia Ferreira é redactora de ciência do Shifter. É mestre em Engenharia Física e é actualmente aluna de doutoramento em Materiais na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

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