O que é o Web Summit e porque não se fala de outra coisa?

Primeira edição do evento em Lisboa realiza-se esta semana.

Não é o maior evento de tecnologia da Europa, mas é sem dúvida uma das feiras mais importantes da área, principalmente para quem está ligado às startups e ao empreendedorismo. O Web Summit realiza-se, este ano, pela primeira vez em Lisboa, depois de 7 edições em Dublin.

São esperadas 50 mil pessoas no Parque das Nações, entre 7 e 10 de Novembro. O Web Summit vai dividir-se entre o MEO Arena e a FIL, e servirá essencialmente para startups de várias partes do mundo mostrarem os seus produtos, fazerem novos contactos e, quem sabe, encontrarem investidores ou parceiros. No Web Summit, vão estar a Y Combinator, Intel Capital, Silver Lake, Google Ventures, Sherpa Capital, Union Squares Ventures, Portugal Ventures, Salesforce Ventures, 500 Startups… em suma, empresas com muito dinheiro para investir.

Além da componente de exposição, o Web Summit contará com uma série de conferências, estando confirmados alguns dos maiores nomes da indústria, incluindo: Sean Rad, co-fundador e CEO do Tinder; Mike Schroepfer, director de tecnologia do Facebook; Takeshi Idezawa, CEO do Line, uma das aplicações de mensagens mais populares no Japão; Mike Quigley, director de marketing da Niantic, empresa que desenvolveu o Pokémon Go; Werner Vogels, director de tecnologia da Amazon; Ryan Hoover, fundador do Product Hunt; Eric Friedman, co-fundador do Fitbit; Gillian Tans, CEO do site de reservas hoteleiras Booking.com; Eric Wahlforss, co-fundador e director de tecnologia do SoundCloud; Corinne Vigreux, co-fundadora da TomTom; Alexis Ohanian, co-fundador do Reddit; Ba Blackstock, co-fundador e CEO do Bitmoji; Nicolas Brusson, co-fundador e CEO do BlaBlaCar, um dos serviços de partilha de carro mais populares; Robert Scoble, um dos bloggers de tecnologia mais influentes; David Marcus, director do Messenger no Facebook; Alan Schaaf, fundador do Imgur; Michael Pryor, CEO do Trello; Till Faida, fundador e CEO do Adblock Plus; Justin Smith, CEO da Bloomberg Media

Temas bem actuais como a inteligência artificial, o ad-blocking, a condução autónoma, a realidade virtual, o open-source ou a utilização de cannabis medicinal não ficarão de fora deste Web Summit. Não serão só “tecnológicos” a compor os painéis de discussão. Políticos como Durão Barroso, Paulo Portas ou Tiago Brandão Rodrigues têm presença assegurada, assim como pessoas ligadas ao mundo do desporto como Patrícia Mamona, Luís Figo, Rui Costa ou Bruno de Carvalho.

Um evento que se estende a toda a cidade

À semelhança do que já acontecia em Dublin, o Web Summit não ficará restrito à zona oriental da capital portuguesa e irá espalhar-se pela cidade. Existirão diversos eventos paralelos, entre eles visitas culturais a Lisboa e saídas à noite com os oradores e investidores que decidirem participar. O Turismo de Portugal decidiu organizar o Sunset Summit: durante os dias 8 e 9, existirá música (a editora Mano a Mano, o sempre brilhante Benjamin, o campeão DJ Ride e outros mais), gastronomia e produtos regionais, assim como uma sessão videomapping. Já no passado sábado, Paddy Cosgrave, fundador do evento, deu o pontapé de saída ao Surf Summit. Na Foz do Lizandro, na Ericeira, cerca de 200 participantes puderam aproveitar as ondas, depois de uma breve aula de surf.

Olhando para os números de visitantes esperados, o Web Summit é mais pequeno que qualquer um dos festivais de Verão que se realizam em Portugal. O último NOS Alive, por exemplo, recebeu 55 mil pessoas só no dia de Radiohead; no total as contas oficiais apontam para 165 mil festivaleiros – uma boa fatia destes são estrangeiros. No entanto, o Web Summit tem gozado de um mediatismo excepcional, não só pelas vozes oficiais do Governo, como pela comunicação social, que tem dedicado ao evento páginas inteiras em jornais e rubricas em noticiários.

O Portugal “startup”

Todo este buzz é compreensível. O Web Summit chega a Lisboa numa altura em que a cidade está na moda como nunca esteve. Não só se assistiu a um aumento substancial do turismo na capital portuguesa, como o ecossistema empreendedor da cidade se ganhou relevância no panorama europeu e global. Lisboa tem hoje centenas de startups, incubadoras, fablabs, espaços de coworking e investidores. António Costa, actual Primeiro-ministro e anterior Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, e João Vasconcelos, actual Secretário de Estado da Indústria e fundador da incubadora Startup Lisboa, foram os principais rostos desta transformação de Lisboa numa “cidade startup”.

O empreendedorismo é um dos principais pilares de acção do presente Governo, que, vendo nesta economia um potencial e oportunidade de crescimento e valorização competitiva, lançou iniciativas como o Startup Portugal, destinadas a ajudar quem quer começar o seu próprio negócio. De salientar que a atenção a estas formas de negócio tem sido transversal nos últimos executivos.

Se os festivais de música como o NOS Alive colocaram Portugal na rota dos grandes eventos de música a nível europeu, o Web Summit pode fazer o mesmo no campo da tecnologia e das startups. A imprensa internacional vai estar a falar do Web Summit e, claro, de Lisboa e de Portugal. As startups nacionais têm neste evento uma oportunidade para alcançarem o mercado internacional, sem terem de se deslocar.

O Web Summit arranca ao final de tarde desta segunda-feira, dia 7, com as boas-vindas do organizador Paddy Cosgrave e de António Costa. No primeiro dia do evento, passarão pelo palco do MEO Arena também Fernando Medina, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, e o actor Joseph Gordon-Levitt, que interpreta Edward Snowden no filme Snowden (2016).

Se por algum motivo não puderes comparecer, acompanha as principais conferências em directo no facebook da conferência.

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