Lisboa pode transformar-se num deserto… se nada fizermos

Nova Berlim? Nova Silicon Valley? Lisboa pode transformar-se antes num novo deserto.

Parece que Lisboa continua nas bocas do mundo. Depois de anunciada como a nova Berlim e a nova Silicon Valley pela imprensa internacional, a capital portuguesa é comparada a um deserto.

“Lisboa vai provavelmente estar no meio de um deserto em 2100 se não mitigarmos as alterações climáticas” é o título de um artigo publicado pelo Quartz, a propósito de um estudo publicado na revista Science sobre os efeitos do aquecimento global e da poluição no Mediterrâneo.

Por 2100, se não combatermos as alterações climáticas, a maioria das cidades ao longo do Mar Mediterrâneo serão muito quentes e Lisboa provavelmente estará no meio de um deserto, escreve o Quartz. Os investigadores dizem que este cenário ainda pode ser evitado no Mediterrâneo, se não deixarmos a temperatura global aumentar 1,5 ºC em relação à temperatura média na Terra antes da revolução industrial.

O estudo, agora publicado, foi encabeçado por Joel Guiot, do Instituto francês de Pesquisa Pelo Desenvolvimento, e por Wolfgang Crame, do Centro francês de Investigação Científica. Os investigadores utilizaram modelos climáticos que podem reconstruir com precisão 10 mil anos de mudanças no ecossistema do Mediterrâneo.

Os especialistas alertam que a desertificação é um risco não só para Portugal, mas para o sul de Espanha (incluindo Sevilha e Málaga), para Itália (incluindo Sicília e Sardenha) e para a Turquia. Uma mudança no clima como a que se prevê pode provocar uma migração massiva das populações de animais e de humanos, o que levaria a problemas económicos graves, elucida o Quartz.

No final de 2015, mais de 150 líderes de diferentes países assinaram um compromisso de não deixar a temperatura do planeta aumentar mais de 2 ºC relativamente aos níveis pré-industriais. Se for cumprido, pode evitar-se um cenário catastrófico no Mediterrâneo, mas a região não deixará de ser afectada. O norte de Marrocos e da Tunísia, assim como o sul de Espanha, continuam em risco de se transformar num deserto. Os humanos podem adaptar-se, mas o clima vai alterar a composição das plantas e dos animais a viver na área, explica o Quartz.

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  • Jornalista, adepto de cidades humanas e curioso por ideias que melhorem o país. Co-fundei o Shifter em 2013, sou desde 2020 coordenador do projecto editorial Lisboa Para Pessoas.

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