OpenOffice pode acabar… se ninguém o salvar


Lembro-me tão bem de instalar o OpenOffice no meu computador para fazer os trabalhos da escola. Na altura, há meia dúzia de anos apenas, o Microsoft Office já era uma solução paga (e bem cara) e a versão para Mac não tinha muitas das funcionalidades que existiam nos PCs Windows.

A Apple ainda não tinha desenvolvido a suite iWork, aquela que me fez largar o OpenOffice. Além de compatíveis com o Microsoft Office, as aplicações Pages, Keynote e Numbers tornaram a escrita de documentos, a criação de apresentações e a gestão de folhas de cálculo bem mais fácil que qualquer uma das outras opções. E, por serem desenvolvidas pela Apple, eram rápidas e corriam bem em qualquer Mac. Também a Google ainda não tinha lançado o Google Drive com o Docs, o Slides e o Sheets, permitindo a partilha rápida de ficheiros e a sua edição colaborativa.

Face aos novos concorrentes, a Microsoft viu-se obrigada a repensar o Office e criar opções gratuitas. É possível usar o Word, o PowerPoint e o Excel à borla online e a versão para telemóveis e tablets (Android e iOS) também é livre. O OpenOffice também mudou, entretanto, com os esforços dos programadores que voluntariamente se juntaram o projecto.

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Voluntariamente porque além de gratuito, o OpenOffice é também open-source. Não é a única suite de produtividade de código aberto, existe também o LibreOffice e o facto de o futuro do OpenOffice poder ser incerto advém daí. A história é ainda complexa. O OpenOffice chamava-se inicialmente “StarOffice” e foi desenvolvido pela StarDivision, empresa posteriormente adquirida pela Sun Microsystems. Em 2000, a Oracle comprou a Sun e alguns programadores deixaram o projecto para criar o LibreOffice.

O LibreOffice é baseado no OpenOffice e, segundo contas de 2015, tem mais de 100 milhões de utilizadores – uma popularidade não muito distante da do seu concorrente, uma vez que o OpenOffice afirma ter sido descarregado mais de 100 milhões de vezes.

Mas os dias do OpenOffice já estiveram menos cinzentos. O vice-presidente da iniciativa, Dennis Hamilton, diz que “reformar” o projecto é uma possibilidade séria pela falta de contribuidores voluntários. A última actualização que a aplicação recebeu foi em Outubro de 2015, existindo a possibilidade de vulnerabilidades.

Tendo em conta a falta de actualizações e de programadores, o OpenOffice pode mesmo acabar… se ninguém o salvar.