Milhões de Festa 2016: estamos em casa

O Milhões de Festa 2016 contado por um estreante que achou o festival incrível.

Este foi o meu primeiro Milhões de Festa. E foi incrível. Podia dizer que não será o último mas na verdade, acho que nunca me fui embora. Tudo porque no Milhões estamos em casa. E como eu gosto de estar em casa.

De chegar à sala depois de 5 horas fechado em 2 autocarros até Barcelos. Perder o autocarro de troca em Braga. O condutor voltar atrás só para ti e mais 4 pessoas. Descobrir que uma delas ia estar no grupo de uns amigos teus. Chillar com ela mais tarde. Isto é estar em casa.

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Poder ouvir rap, hip-hop, soul, punk, metal, rock, world music. Poder sentir de tudo um pouco. Poder dançar de tudo um pouco. Ver um show de Wrestling à EUA. Ver sangue. Ver sangue falso. Sentir 10 000 russos. 10 000 russos a dar tudo.

Conhecer pessoas novas. Pessoas incríveis. Ficarem teus amigos. Apresentarem-te a mais amigos. Somos todos Milhões. Conhecer locals. Ver sorrisos falsos para verem dinheiro com bagaços a 50 cêntimos. Bom bagaço. Comer bem. Comer barato. Comer rojões de porco em travessa, imperiais, café e bagaços por 5 euros. Apanhar a jarda. Ir para o recinto. Estamos em casa.

Chegar tarde. Acordar cedo. Acordar com o ressonar da cama ao lado. Não ter de dormir no campismo e pagar 20 euros por 4 noites. Está tudo. Ressacar na piscina. Mergulhar na piscina. Somersby na piscina! Sentir dub na piscina das crianças. Brincar com os filhos e a malta de Goat na piscina das crianças. Perceber isso mais tarde numa entrada à socapa no backstage para poupar 400 metros até à casa de banho.

Ver um show incrível de Goat. Dançar como se fizesse parte daquela tribo com máscaras que esconde mil influências em world music. Uma confirmação que ao vivo é mil vezes melhor que em estúdio. Rende. Ficar surpreendido com a viagem africana dos Sons of Kemet. Finalmente ver The Bug. O pai do dub. E com Miss Red. Achar do caralho e dizerem-te que o ano passado bateu ainda mais. Curtir com o Cheryl. Voltar para casa cheio de glitter. Estamos em casa.

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Acordar cheio de glitter. Ter de viver com o glitter. Mais chill na piscina. Mais dub. Mais jarda em Filho da Mãe e com o grande Ricardo Martins. Vocês dão-lhe. Ir a banhos, que havia Sun Araw bem cedo e há toda uma tasca para visitar primeiro. Beber um fino nas duas primeiras malhas e o som falhar por 40 minutos. Ele bem avisou que era melhor ver isso, senão ia ser complicado para os seguintes. Tocar com base eletrónica sem munição é lixado.

Bagaços. Sentir altos riffs em The Heads. À antiga. Beber. Beber imperiais a 1 euro e meio. Beber wishkeys sem gelo mas com um pouco de água a 4 euros. Fumar. Fumar os teus problemas. Partir com tudo para a festa com os Bexiga 70, sem ser necessariamente muito interessante tecnicamente. Sem precisar de o ser. Sangue Paulista. Ir mijar. Ver 6 bacanos numa casa de banho de festival com uma boombox com luzes disco, a tocar e a cantar Nelly. It’s getting hot in here. Sabes.

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Continuar a trashar em Islam Chipsy. Trashar até ao fim. Malhar aquele último fino no bar mais cansado de Barcelos. Ir lá todas as manhãs. Inventar singles de verão à 8 da manhã. Summer Fresher, in your eyes. Realize. Fixem. Estamos em casa.

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Acordar e malhar aquele folhado misto do Pingo Doce. Ir para a piscina. Conhecer pessoas na piscina. Pessoas que conhecem tanta cena, que te deixam com aquele sentimento de burro bacano para ir explorar mais. Elas sabem. Cantar o Summer Fresher. Cantá-lo o festival inteiro. Cantá-lo já em Lisboa. Começar a perceber que a noite ia ser das míudas com a jarda de Tomaga. Vão explorar isso. Sentir a malta de cá a representar no Taina. Preparar para a maior violência de noite.

Por uma vez jantar mal. Jantar pouco. Pagar muito. Encontrar um grupo de 9 pessoas que ia ocupar o nosso lugar. Bazarem connosco. Até logo. Dançar o regresso a casa do El Guincho. Bombay, dancem. Descobrir bandas. Descobrir bandas que não tocam lá. Trashar. Trashar mais. Beber mais. Vibrar com o Dan Deacon. Abrir com a pequena sereia. Dançar a pequena sereia. Tripar com aquela baterista. Mesmo quando o Dan perdia um pouco o ritmo, a mulher puxava tudo e acompanhava nas horas. Que festão. Let’s get weird.

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Sentir o maior show do festival com H09909. Incrível. Cover de Bad Brains. Que bom. Que medo. Podiam tanto ser uma imitação de Death Grips. Só que não. Identidade própria. Performance própria. Beber mais. Fumar mais. Partir tudo com a Nídia Minaj. Príncipe Records não falha. Afrobeat a rebentar o resto das carcaças resistentes. A conseguir ter aquele tempero do azeite mas sempre a manter a credibilidade. Sempre – sempre – a jardar. Puxar mais e ficar até à última. A última ser Apex Twin com aquele pôr-do-sol maroto. Está tudo. Estamos em casa.

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Estamos no Milhões. Estamos bem. Estamos como queremos. E como sabem, depois disto tudo, o que queremos mesmo é voltar a casa.

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